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Prevenção

BOCA SAUDÁVEL, CORPO TAMBÉM

QUEM NÃO QUER TER UM SORRISO BONITO?

Bem, o primeiro passo é saber como a boca funciona e depois cuidar dela direitinho. Conforme os especialistas, um sorriso saudável é sinal de corpo saudável.

 

Se o corpo humano é um universo que funciona de maneira encadeada para tornar nossa vida possível, podemos dizer que a boca é a nossa porta principal. Se a entrada de um lugar está em bom estado,
isso significa que o todo vai bem.

A gente nem se dá conta, mas é na boca que tudo começa. Desde a hora em que acordamos, é à boca

que dirigimos os primeiros cuidados. Escovando os dentes, estamos limpando a área para receber a primeira refeição. Ao longo do dia, o vaivém continua sem parar: lava, escova, mastiga, engole, limpa

de novo, passa fio e assim por diante.

 

“Não é fácil para a boca suportar todas essas interferências. Na hora de escovar os dentes, por exemplo, usamos creme dental, que é abrasivo, e o esfregamos contra os dentes. Isso sem falar em uma série de maus hábitos, como roer unhas, mascar chicletes, morder clipes, tampas de caneta etc.”, diz o dentista Flávio Merichello, coordenador técnico da Clínica Odontológica Omint.

 

Pela boca passam o alimento e também parte do ar que vai aos pulmões, ou seja, nela começam a respiração e a digestão. Trocando em miúdos, uma boca saudável significa respiração e digestão funcionando bem. “A saúde bucal passa por uma avaliação integrada entre dentista, otorrinolaringologista e gastroenterologista”, afirma Décio Chinzon, que é médico desta última especialidade.

 

Como funciona

Dentes, língua e gengiva formam a comissão de frente. Trabalham conjuntamente, mas cada um tem sua função. A estrutura dental, diferente da maioria dos órgãos do corpo humano, não tem reposição de células. Uma vez perdido, o dente definitivo não nasce de novo. Já a língua e as mucosas são estruturas preparadas para trocar de células rapidamente. “Qualquer ferimento nessa área quase sempre tem cicatrização rápida”, afirma Merichello.

 

A língua é um músculo com ação sensitiva, de percepção de gosto e ajuda na fala. Tem uma ação importante sobre os dentes. Primeiro, de autolimpeza; depois, de equilíbrio da arcada dentária, da posição dos dentes. Na boca existem também as enzimas, responsáveis pela fabricação da saliva. Quando comemos, essas enzimas entram em ação para auxiliar na criação de um bolo alimentar – uma pré-digestão. “Outra função importante da saliva é a limpeza. Ela tem ação antibacteriana, o que favorece a higiene da boca. Quem saliva bastante tem menor propensão à cárie”, diz Milton Maluly Filho, especialista em dentística, ramo da odontologia que atua na área de restauração dental.

 

Da boca para o corpo

Dores de cabeça freqüentes, problemas respiratórios e cardiopatias muitas vezes começam na boca. Um exemplo é a má oclusão dental, que normalmente é corrigida com um aparelho ortodôntico. Muita gente pensa que se trata de uma correção estética, mas há casos em que a arcada dentária desalinhada pode provocar dores de cabeça, prejudicar a respiração noturna e, conseqüentemente, a qualidade do sono. “Bronquite e endocardite, que é a inflamação na região da válvula mitral do coração, também podem

surgir a partir de problemas na boca”, afirma o otorrinolaringologista Luís Carlos Gregório.

 

Por que muitos atletas estouram os joelhos e as pessoas comuns, não? Porque a musculatura se desenvolve, mas a articulação, não. Existe uma ação muscular muito maior para uma mesma articulação. Isso acontece na boca também. “Para evitar esse esforço, é preciso que seja mantido o equilíbrio da arcada: todos os dentes presentes, musculatura bem distribuída, colocação correta da língua. Toda vez que se cria um desequilíbrio, algo sai prejudicado, sejam os dentes, a gengiva, a articulação ou a musculatura”, afirma Flávio Merichello.

 

A maneira mais simples de evitar problemas na boca, principalmente aqueles capazes de atingir outras partes do corpo, é respirar corretamente. A primeira coisa que fazemos ao nascer é puxar o ar para poder viver, mas, ainda assim, há gente adulta que não respira direito. E não sabe disso.

 

Bem-vindo oxigênio

“Respirar corretamente é o ar entrar pelo nariz, circular na cavidade das narinas e chegar pré-aquecido

aos pulmões. Se alguém respira pela boca, o ar que vai para os pulmões é mais frio, aumentando a possibilidade de problemas pulmonares. Além disso, a oxigenação do sangue é menor”, diz Luís Carlos Gregório. Quem tem boa oxigenação, diz o especialista, é mais atento, dorme melhor e corre menos risco de ter problemas cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral, ronco ou apnéia (obstrução da respiração durante o sono). Evitar dormir de bruços, por exemplo, ajuda a respirar bem à noite.

 

Crianças que usaram chupeta por muito tempo têm o céu da boca mais elevado, o que comprime a cavidade do nariz e dificulta bastante a entrada de ar. O resultado é que essa criança tende a respirar

pela boca. A existência de adenóide (carne esponjosa dentro do nariz) também provoca problema similar.

“Eu vivia em pronto-socorro com o Daniel”, conta a advogada Alessandra Martins a respeito de seu filho. “Era gripe, bronquite, tosse. Até que um dia a gente descobriu que ele tinha adenóide. Depois da cirurgia, nunca mais. Hoje, com oito anos, ele dorme a noite inteira. E eu também!”

 

Nossa boa imagem

Há casos bem parecidos com o de Daniel que não são causados por adenóide, mas por desequilíbrio na arcada dentária. E isso pode ser corrigido com o uso de aparelho ortodôntico. Quanto mais cedo for usado, melhores serão os resultados, tanto clínicos quanto estéticos.

 

E sobre estética, o doutor Milton Maluly Filho é taxativo. Ele afirma que um sorriso só é bonito de fato se passar a idéia de saúde. “O sorriso perfeito transmite uma condição bucal adequada: dentes bons, gengivas saudáveis, musculatura boa, disposição da arcada equilibrada. A boca é sem dúvida um cartão de visita e, por isso, precisa causar um impacto positivo.”

 

Saúde integral

“Quando há vários especialistas discutindo um caso, a diversidade de opiniões pode produzir um

resultado melhor. Em vez de enxergar só a árvore, enxerga-se a floresta”, afirma o dentista Flávio Merichello. Essa é a regra número um da Clínica Odontológica Omint. Quando o associado procura atendimento, recebe uma assistência integrada e uma avaliação conjunta de vários especialistas. Profissionais de ortodontia, prótese, periodontia, entre outros, integram o corpo clínico.

Dessa forma,a qualidade do atendimento é melhor e o diagnóstico, mais preciso.

 

Sábios Conselhos

Bochechos

Evite o uso contínuo de produtos bucais de limpeza, exceto fio e creme dental. Certas substâncias

podem causar descamação na mucosa e, por fim, as bactérias podem criar resistência a elas.

 

Bebidas

Não beba álcool antes de dormir. O hábito aumenta a possibilidade de ronco, porque os músculos

da boca relaxam, dificultando a entrada do ar.

 

Mau hálito

Afaste essa ameaça mastigando bem e estimulando a salivação, dando preferência a alimentos

com alto teor de fibras, reduzindo a ingestão de gorduras e evitando longos períodos sem comer nada.

 

Ferramenta

Nunca tente abrir nada com os dentes – nem cortar! Eles não estão preparados para quebrar

objetos duros. Dente é para cortar e moer alimentos.

 

Quente e frio

Evite ingerir bebida quente seguida de outra gelada. A mudança brusca de temperatura dilata e

contrai as estruturas do dente, o que pode causar pequenas rachaduras.

 

Excessos

Fuja de refrigerantes em excesso e alimentos ácidos, pois o refluxo gastroesofágico (o suco gástrico

que vem à boca) pode causar a erosão dos dentes.

 

Cigarro

A nicotina causa vasoconstrição das gengivas, diminuindo a circulação de sangue e comprometendo a defesa da região contra a ação de bactérias.

 

Chiclete

Cuidado com as gomas em geral, que têm vantagens e desvantagens. Por um lado, aumentam o nível de salivação e desenvolvem mais a musculatura da região. A longo prazo, porém, favorecem a formação de lesões na base do dente, por conta da grande ação mecânica.

 

Antibiótico

A tetraciclina deve ser evitada na primeira infância e durante a gravidez, porque produz alterações

nas cores dos dentes. (É um mito a afirmação de que o uso de antibióticos estraga os dentes.

O problema não é o antibiótico, mas o açúcar que ele contém.)