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Os poemas de Ferreira Gullar, as pinturas de Tomie SÁBIOS CONSELHOS
Ohtake, as crônicas de Rubem Alves, o som de Tom
Zé, as cenas de Tonia Carrero. Poemas, quadros,
músicas e cinema não têm idade. Os artistas, sim.
Todos esses já passaram dos 70 anos. E podemos
mesmo citar os que poderiam ser pais destes cinco,
dois que já passaram dos 100: o homem dos livros
José Mindlin e o arquiteto Oscar Niemeyer. Por que
será que não parece? O que teriam eles em comum?
É que para essas pessoas, passado, presente e futuro
são um só tempo. E em cada coisa que fazem parecem
nos dizer que o tempo de viver é hoje.
Inês, 76 anos, e Antônio Shimizu, 80, estão às
vésperas de completar 50 anos de casados. Toda
semana, eles correm de três a cinco quilômetros no
Centro de Treinamento da Universidade de São Paulo
(USP), e participam de várias competições nacionais
e internacionais. Dona Inês tem as melhores marcas
mundiais dos 100 e 200 metros rasos, além de salto
em altura. E seu Antônio é recordista masculino de
salto em altura. “Estamos vivendo o presente, e bem.
Somos um exemplo, eu sei”, diz Antônio.
Recordista também é Victor Schubsky, 85 anos.
Cardiologista e professor aposentado da Escola
Paulista de Medicina, ele em breve vai completar 60
anos de casamento com sua profissão. E é como médico
experiente que ele afirma ser melhor viver hoje, seja
qual for a idade. “A grande esperança é a medicina
preventiva. Para isso, precisamos ter hábitos saudáveis
e uma atividade física, assim como ter uma dieta
saudável desde a infância.”
Conviver com arte
Para a psicóloga clínica Sandra Larrieux, a idade
madura é um tempo de mais liberdade. “A pessoa fica
mais seletiva, objetiva, pragmática, e não perde mais
tempo com coisas que a desgastam. A sociedade hoje
também está mais preparada. Existem clubes,
centros especializados e instituições que desenvolvem
atividades específicas para essa faixa etária”, afirma.
“Tenho 67 anos e não gostaria de ser mais jovem.
Precisamos valorizar o tempo que estamos vivendo e
não o que já passou”, diz Thereza Samaja, fundadora
do Centro Assistencial Cruz de Malta, que atua no
Brasil há 40 anos – e é parceira da Omint. Entre as
atividades da Cruz de Malta está o coral de música.
Formado por 80 integrantes, de 70 a 90 anos, realiza
espetáculos regularmente. Outra instituição voltada
para pessoas dessa faixa etária é o Hiléa, centro que
integra lazer, residência e assistência à saúde. Dizendo
de outra maneira, o Hiléa cultiva e prioriza os laços
entre as pessoas. “Enxergamos o ser humano em
cada uma de suas etapas. Aceitamos o desafio de
envelhecer com otimismo”, afirma Cristiane D’Andrea,
presidente da instituição.
Um país maduro
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), em 2020 o Brasil terá 30 milhões de habitantes
com mais de 60 anos de idade, cerca de 13% da população.
Números da Organização das Nações Unidas
(ONU) afirmam que 12% das pessoas do planeta estão
nessa faixa etária. Em 2050, serão 30%.
Em 1963, o país tinha 79 milhões de habitantes – 5%
deles com mais de 60 anos. De lá para cá, a população
de idosos cresceu oito vezes mais do que a dos jovens.
A mesma pesquisa do IBGE, divulgada no final de
2006, mostra que a expectativa de vida do brasileiro
chegou aos 71,9 anos. E que cresceu em 61% o número
de famílias em que os idosos são responsáveis pela
renda. Ou seja, há cada vez mais gente nessa faixa etária
em plena atividade profissional.
A idéia que liga terceira idade à doença ou ao fim da
vida está ficando cada vez mais velha. “Hoje as pessoas
chegam melhor aos 60, 70, 80 anos, com atitude e se
preservando bem fisicamente”, afirma o cardiologista
Protásio Lemos, 67 anos, diretor da Divisão de Cardiologia
Clínica do Incor e professor da USP.
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De volta à escola
Com o crescimento da população com mais de 60 anos
no Brasil, além dos centros de convivência surgiram
as universidades para a terceira idade. A pioneira foi
a Escola Aberta de Campinas, em 1977, seguida pelo
Sesc Consolação, em São Paulo. Essas escolas, hoje
espalhadas por todo o país, não exigem provas para
ingresso e oferecem opções de disciplinas específicas
e atividades físicas direcionadas ao universo da idade
madura. As pessoas começam a trabalhar outros
recursos neurológicos, garantem os geriatras, pois
estudar dá sensação de bem-estar, uma vez que a
pessoa amplia seus horizontes, seus relacionamentos
e volta a se sentir ativa.
Outra vantagem de voltar às salas de aula é a
possibilidade de conhecer pessoas e valores novos.
Fernando Correa, 65 anos, professor aposentado,
passou mais de dez anos longe da universidade.
Agora, está de volta: “Passo experiência para os jovens
e o contato com eles me enriquece”. Carla Santana,
61 anos, entrou para o curso de serviço social da
Pontifícia Universidade Católica (PUC) para se manter
atualizada com o mundo. “As coisas mudam rápido
e tenho de manter o pensamento renovado.”
Vida longa e saudável
Mais do que creme anti-rugas e complexos vitamínicos,
as pessoas com mais de 60 precisam de qualidade
de vida (leia Sábios Conselhos ao lado). Exercício
físico, alimentação adequada, bom humor, filtro
solar, tudo isso influi mais do que o DNA dos pais.
Os fatores ambientais respondem por 75% do nosso
envelhecimento e o resto é tarefa para a genética,
afirmam os geriatras.
A pesquisa Idosos no Brasil, Vivências, Desafios e
Expectativas na Terceira Idade, realizada pelo Sesc
em parceria com a Fundação Perseu Abramo, revelou
que 69% das pessoas com mais de 60 anos de idade
se sentem bem com a idade que têm. O estudo foi
divulgado em maio deste ano.
O gerente de Estudos e Programas de Terceira Idade
do Sesc-SP, Marcelo Salgado, afirma que a pesquisa
comprova o que vinha sendo percebido há algum
tempo: que o avanço da idade não pode continuar sendo
representado como período de perdas, o derradeiro
da existência humana. “É um tempo em que a
maturidade favorece uma postura de mais liberdade
e de competência.” Para o médico Protásio Lemos,
levar a vida de forma simples é a melhor forma de viver
mais e melhor. “Dentro dessa visão, acho que a fase
da maturidade é ótima, um período de aprendizagem,
de ensino, de troca de experiência.”
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Moderação
Boa alimentação e atividade física constante
são fundamentais. O segredo está na
moderação. Atividade física melhora a
capacidade aeróbica e a massa muscular.
Leveza
Para as refeições, o melhor é comer pequenas
porções, várias vezes ao dia. Evite alimentos
ácidos, que fermentam, condimentados e
açúcares. Sinal verde para legumes, frutas
e verduras.
Acuidade
A partir dos 50 anos, o oftalmologista deve ser
consultado com regularidade, favorecendo
o diagnóstico precoce da hipertensão
intra-ocular e evitando o glaucoma.
Atividade
Faça palavra cruzada, artesanato, aulas
de língua, música ou dança de salão,
atividades que mantêm o cérebro alerta.
Planejamento
Acredite que você é importante, capaz.
Trace metas de vida. Os mais felizes e
ajustados são os que têm planos e são
capazes de adaptá-los às condições
impostas pelo passar dos anos.
Cuidado
Desconfie de fórmulas de rejuvenescimento
ou do elixir da longa vida. Evite usar
medicamentos desnecessários ou indicados
por leigos. Se precisar de ajuda, procure
orientação médica especializada.
Aprendizado
Aceite suas limitações, faça adaptações,
previna complicações. Você certamente se
beneficiará disso. Faça de sua experiência
de vida um ensinamento, mas não teime em
só querer ensinar.
Sedução
Afeto, amor e sexualidade devem fazer
parte de sua vida. Vista-se com prazer, não
importa se for a mesma roupa da semana
passada. Perfume-se. Cuide-se.
Movimento
Saia de casa, caminhe, invente um passeio,
mesmo que vá ao lugar de sempre. Procure
se informar sobre atividades desenvolvidas
para pessoas de sua idade.
Decisão
Participe das reuniões familiares, ouça e
exponha suas idéias e seus pontos de vista.
Sua idade não é impedimento na hora de
decidir plenamente a sua vontade pessoal,
respeitando seus valores.
Aceitação
Conheça as modificações do seu corpo
e procure esclarecer e aceitar essas
mudanças. É importante diferenciar as
alterações que decorrem simplesmente do
passar do tempo daquelas que devem ser
valorizadas como sinal ou sintoma de
alguma doença. Apenas estas necessitam
de diagnóstico e tratamento.
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