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Ele iniciou os estudos da dança em São Paulo, quando
tinha 16 anos. Depois, durante mais de duas décadas,
viajou pela Índia, Indonésia, conheceu as técnicas de
estruturação do movimento e a geometria do corpo
humano. Esteve também em tradicionais instituições
européias, especializou-se em fisioterapia e estudou
a Metodologia de Coordenação Motora de Piret e Béziers
– as psicomotricistas que revolucionaram a educação
do movimento.
E aos 58 anos, à frente da escola que fundou em
1974 e assinando grandes espetáculos continuamente,
Ivaldo Bertazzo parece que está começando. “É preciso
constantemente alimentar o sentimento de vida”, diz ele.
“Não podemos nos deter em más notícias, congelando o
movimento. Temos de seguir no ciclo vital de maneira
positiva, e para isso dependemos de uma vontade interna,
algo que está lá no cerne.”
Na Escola do Movimento, Ivaldo lida com pessoas
de todas as idades e classes sociais. Parte da turma
acaba ao lado de bailarinos profissionais nas montagens
coreografadas pelo mestre, criador do conceito do
Cidadão-Dançante e do projeto Dança Cidadania. O
espetáculo Mar de Gente, que hoje roda o Brasil
repetindo o sucesso de Samwaad e Milágrimas, consagra
um elenco formado principalmente por jovens artistas
profissionais da periferia. “A dança pertence a todos que
se dediquem a conhecer seu próprio aparelho locomotor.”
Uma das chaves para o amadurecimento, segundo
Ivaldo, é manter-se em constante mobilidade, sempre se
percebendo em movimento. “O importante é ser social,
caminhar, cozinhar, jogar cartas, brincar com os netos,
expressar-se criativamente com seus parceiros de
trabalho, utilizando o corpo como meio de comunicação.”
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