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Comer milho verde ou poder enfiar a linha na agulha
para um bordado são coisas simples para a maioria
das pessoas. Para quem passou dos 50 anos, no
entanto, momentos assim podem ser como pequenas
vitórias. Felizmente, novas tecnologias nas áreas de
odontologia e oftalmologia estão chegando para tornar
conquistas como essas cada vez mais comuns.
Os avanços recentes nessas duas áreas estão
focados justamente em devolver à turma da maturidade
esses e outros pequenos prazeres da vida. Na
oftalmologia, a revolução está no uso de um novo
medicamento para dois dos mais sérios problemas de
visão nos idosos: a degeneração macular relacionada
à idade (redução da vista detalhada e central)
e a retinopatia diabética (doença do fundo de olho,
decorrente de diabetes). E na odontologia, o grande
avanço está na cirurgia de implante dentário sem dor.
Em alguns casos, o novo dente é colocado na hora.
Vovó voltou a bordar
O novo tratamento dos olhos, afirma o oftalmologista
Rubens Belfort, professor titular da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp), diminui o inchaço da
retina e controla o crescimento de vasos sanguíneos (o
descontrole nesse crescimento pode levar à cegueira).
Outra técnica que vem sendo usada, ainda em fase
experimental, mas cujos resultados iniciais são considerados
excelentes pelos médicos, é o uso de implantes
intra-oculares, semelhantes a minichicletes, que permanecem
dentro do olho por semanas ou meses, liberando
continuamente medicação que controla a degeneração
macular e a retinopatia diabética.
Segundo Belfort, trata-se de uma revolução que
começou há 20 anos, com as descobertas cirúrgicas
no tratamento da catarata e de correções de miopia, |
astigmatismo e hipermetropia. “No caso da catarata, a
correção passou a ser feita quase exclusivamente com
colírio, sem a necessidade de injeções ou anestesia.”
A dona de casa Maria das Graças Oliveira tem 66
anos, cinco filhos e seis netos. Ela fez a cirurgia de
catarata há 6 meses e agora só pensa em bordar e
costurar presentes. “Já não preciso pedir a ninguém
para enfiar a linha na agulha e minha neta mais nova
acaba de ganhar um lindo roupão com seu nome
bordado no bolso”, diz a vovó.
Resultado estético surpreende
“O melhor de tudo é que voltei a comer milho verde,
coisa que eu não fazia há muito tempo”, afirma o
empresário Paulo Esídio Cortegoso, 51 anos, que há
poucos meses fez implante na arcada inferior. Ele
tinha os dentes fracos em razão de forte medicação
que tomou quando era bebê e, há sete anos, perdeu
todos e se viu obrigado a usar |
uma prótese total.
A alegria de Paulo Esídio é resultado dos avanços de
uma ciência que só começou a ser estudada no final da
década de 1970. “A segurança nesse tipo de tratamento
e os resultados estéticos e funcionais evoluíram muito,
trazendo mais confiabilidade ao profissional e ao
paciente”, diz o especialista em cirurgia e traumatologia
bucomaxilofacial e implantodontia Luciano Guedes
Pacces, da Clínica Odontológica Omint.
Dentes novos e fortes
O implante é um cilindro de titânio que em contato
com o osso funciona como uma raiz de dente artificial.
Segundo o especialista, pacientes idosos podem
e devem realizar a cirurgia para que voltem a ter
melhor alimentação e mais qualidade de vida.
A intervenção é feita com anestesia local. O paciente
não sente dor, nem durante nem depois da cirurgia,
necessitando apenas de cuidados pós-operatórios
mínimos. Após a instalação do implante e a retirada
dos pontos, espera-se cerca de três meses para colocar
o dente na arcada inferior e seis meses na superior. A
bancária Ana Lúcia Gomes, 40 anos, passou por essa
cirurgia. “Perdi um dente e durante cerca de um ano
e meio usei uma prótese móvel, que me dava muito
desconforto e insegurança. Com o implante, me sinto
como se tivesse o dente original”, afirma ela.
A Clínica Odontológica Omint vem utilizando também
uma outra técnica, chamada “carga imediata”, em
que não é necessário esperar três ou seis meses para
colocar o dente novo. “Mas só é utilizada em casos
muito específicos, quando o paciente tem uma
estrutura óssea favorável e o dente reposto não é
muito solicitado para mastigação no pós-operatório,
por exemplo”, diz o dentista. |