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A mulher atravessou o século brigando por mais espaço
e reconhecimento. A bandeira do feminismo, a conquista
do mercado de trabalho, o direito de ser mãe e também
o direito de não ser. Na busca por desafios profissionais,
teve de se desdobrar, virar várias. Mas se o mundo
mudou, a emoção de ser mãe continua a ser uma
das maiores revoluções na vida de uma mulher.
São nove meses de preparação para a chegada
do filho. O corpo muda, cresce, pesa. Enquanto uma
revolução silenciosa acontece lá dentro, a mamãe segue
sua vida, alternando momentos de alegria, desconforto,
dúvidas, enjôos... É como se ela carregasse o mundo
dentro da barriga. Um mundo novo que traz novidades a
cada dia. “A grávida é linda. Nada de doença, de tristeza.
Ela prepara o mundo novo que virá”, diz Giselle Tedesco,
obstetra e mãe de Fernando, 10 meses.
Ao lado dessas mães, dividindo a expectativa, há pais
cada vez mais interessados em participar. “O papel
do pai é fundamental. Ele tem de engravidar junto,
dividir as tarefas, respeitar o cansaço da mulher,
o sono, as ansiedades, acompanhar o parto”, diz
Angélica Arruda, assistente social, mãe de Pablo, 12,
e Roberta, 9 anos.
Para compreender e viver as mudanças de uma
gravidez, além do pré-natal – o acompanhamento
feito por um obstetra –, a mulher tem hoje um time de
profissionais para cuidar dela e de seu bebê nesse
momento especial. Dermatologistas, nutricionistas,
psicólogos e psiquiatras são alguns dos parceiros
com os quais ela pode contar para que esses nove
meses sejam uma espera tranqüila e saudável.
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Patrícia Bueno Tibyriçá é filha de Luís Roberto Figueiredo Tibyriçá e Malu Bueno. Ela nasceu em 25
de fevereiro de 1981. “A Omint faz parte da minha vida. Sempre fui muito bem atendida por todos”, diz
a hoje estudante do 5º- ano de psicologia da Unip. Na foto menor, Patrícia com um ano, no colo da mãe.
Na outra, as duas juntas, 25 anos depois. |
A linguagem da pele
Tudo precisa estar bem para que mamães e papais
possam curtir cada etapa, preparar o quarto, escolher
o berço, as roupinhas e todas as pequenas coisas que
vão compor o universo do filho que vai chegar. Mesmo
para quem lida com a maternidade com olhos clínicos,
a gravidez é uma experiência emocionante. “Depois
de ser mãe, passei a ter uma visão menos científica
desse momento e percebi que a grávida precisa, além
das orientações médicas, de apoio e carinho. Hoje
sou muito mais próxima das minhas pacientes. Acabo
sendo um pouco mãe delas”, afirma a obstetra
Giselle Tedesco. A dermatologista Luciana Lourenço
concorda. “O médico precisa passar tranqüilidade.
A paciente não é apenas uma pele. É uma pessoa,
um indivíduo. E é claro que a pele mostra muito
o que ela sente.”
O dia seguinte
O nascimento de um filho é um momento de grande
felicidade para toda a família. Mas a mãe pode se
sentir triste. Segundo Mário Louzã, da Sociedade
Brasileira de Psiquiatria, a gestação pode ser uma
fase de angústia. “A mãe não precisa estar sempre
feliz. A gravidez mexe muito com ela e é comum que
fique insegura e precise de apoio. Não é obrigada a
ficar sorrindo o tempo inteiro”, afirma.
Cerca de 50% a 60% das mães sentem alguma
melancolia logo depois do parto. A sensação é
conhecida como baby blues, surge com a queda
brusca de hormônios, mas passa em dois ou três dias.
Que não se confunda essa tristezinha com depressão
pós-parto. “Este é um problema que pode ser tratado
com acompanhamento de um especialista, auxílio
de medicamentos e apoio da família”, diz Louzã.
Outro aspecto crucial é a amamentação. Os médicos
são unânimes em afirmar que o leite materno é o
melhor alimento para o bebê, pelo menos até o sexto
mês. “A criança fica protegida de doenças e recebe
tudo que precisa para seu desenvolvimento”, afirma
o pediatra Henrique Klajner, que tem três livros
publicados sobre o assunto.
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Em seu consultório, 75% das mães amamentam
até o sexto mês. Entre essas, 85% seguem dando o
peito até o oitavo mês. “É uma luta de 40 anos”, afirma
Klajner. Giselle Tedesco, que ainda amamenta o filho
de 10 meses, é outra entusiasta. “Amamentar é uma
arte e também um sacerdócio. A mulher tem de se
doar por completo. E essa doação é premiada com um
filho saudável e feliz.”
Viagem sem volta
Mas há um inconveniente para a continuidade da
amamentação: a volta ao trabalho. É quando começa
a surgir o medo de deixar o filho, e então advém a
culpa. “Quando voltei da licença-maternidade, não
conseguia me dedicar direito nem à família, nem à
profissão. Era uma mãe dividida”, afirma a advogada
Joana Ribeiro. “Muitas vezes tive de sair correndo do
trabalho e ir buscar minha filha na escolinha.Às vezes atrasava e a encontrava chorando. Com o
tempo a gente vai aprendendo a conviver com esses
conflitos”, diz a obstetra Maria Aparecida Barros, mãe
de Mariana, 13 anos, e Cristina, 16.
Para a professora universitária Emília Duailibi, o
retorno às atividades teve ainda uma cobrança extra.“Além da culpa de ter de deixar meu filho, senti angústia
por não corresponder à imagem que queriam de mim.
Ainda estava um pouco gordinha e sentia que as
pessoas cobravam de mim o corpo de antes. E logo”,
diz. Os médicos, contudo, garantem que a mulher não
precisa perder o sono para voltar a ter o corpo que
tinha antes: a amamentação, ao mesmo tempo em que
protege e nutre o bebê, cuida de ‘secar’ a mamãe.
Cirurgias, regimes, nada disso é recomendável.“A preocupação com o emagrecimento não pode virar
obsessão”, afirma Maria Aparecida Barros. “A tendência é que a mulher perca peso normalmente após o parto.É natural que o corpo que levou nove meses para
crescer precise de algum tempo para voltar a seu
estado anterior.” Para a dermatologista Luciana
Lourenço, a vaidade pode até ser uma aliada, desde que
o conceito de beleza esteja associado ao de qualidade
de vida. “É importante que a pessoa, antes de tudo, goste
de si mesma, se olhe no espelho e goste do que vê.”
Ter filhos não é decisão fácil. Seja aos 18 ou aos 33
anos, esse acontecimento muda a vida da mulher.
A maternidade é uma viagem sem volta. “Eu digo para
minhas pacientes que aproveitem ao máximo esse
momento. É uma decisão séria, profunda, irreversível,
sim, mas é linda”, diz Giselle Tedesco. Depois de ter
filhos, a mulher é obrigada a abrir mão de certas
coisas para poder atuar no que é mais importante.“Até aprender isso, há conflitos. Mas a gente aprende
a conciliar”, afirma a obstetra Maria Aparecida Barros.
Para a professora e jornalista Maristela Sena, mãe de
Lara, 9 anos, a mudança se deu principalmente no
relacionamento com a mãe. “A maternidade me
aproximou de minha mãe”, diz ela. “Passei a entender
melhor a vida dos meus pais e todo o esforço deles
para cuidar e educar meus irmãos e a mim.”
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| Giselle Tedesco, mãe de Fernando: “Ser mãe é uma
emoção única, um sentimento universal, de plenitude.
Quase não dá para descrever com palavras”. |
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Ácido retinóico
(usado em tratamento anti-rugas)
Pode causar malformações. Evitar
de seis a 12 meses antes da gestação,
porque tem efeito cumulativo.
Água
Recomenda-se de dois a três
litros por dia para hidratar e evitar
queda de pressão.
Álcool
Totalmente contra-indicado por
causar danos ao bebê.
Alimentação
O segredo é não exagerar: comer pouco
e em intervalos curtos.
Amamentação
Essencial para alimentar o bebê.
É completa: não precisa de chá
nem de água.
Atividades físicas
Exercícios leves, como natação,
hidroginástica e caminhada. Um mês
depois do parto, as atividades podem
ser retomadas, mas lentamente.
Sexo
Só há restrição em caso de
gravidez de risco.
Café
Tomar moderadamente, de três
a cinco xícaras por dia, no máximo.
Estrias
Hidratantes e óleo de amêndoas podem
prevenir seu aparecimento. No caso de
herança genética, ajudam a atenuá-las.
Fumo
Evitar: a nicotina provoca
o envelhecimento da placenta.
Inchaço
Algum inchaço é normal porque
o corpo absorve uma quantidade muito
maior de água.
Manchas na pele
A melhor maneira de evitá-las é não se
expor ao sol. O uso de protetor é indicado.
Pintura de cabelo
Embora não exista comprovação de que
faça mal, é bom evitar até a 10ª- semana.
Os tonalizantes são liberados.
Queda de cabelo
É normal depois do parto e dura
de três a seis meses.
Viagens
De avião, é permitida até o 8º- mês.
De carro, deve-se evitar viagens
longas e fazer paradas a cada duas
horas para andar um pouco.
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