Jornal Omint - Outubro/2006
       
     
 
 

A mulher atravessou o século brigando por mais espaço
e reconhecimento. A bandeira do feminismo, a conquista
do mercado de trabalho, o direito de ser mãe e também
o direito de não ser. Na busca por desafios profissionais,
teve de se desdobrar, virar várias. Mas se o mundo
mudou, a emoção de ser mãe continua a ser uma das maiores revoluções na vida de uma mulher.

São nove meses de preparação para a chegada do filho. O corpo muda, cresce, pesa. Enquanto uma revolução silenciosa acontece lá dentro, a mamãe segue sua vida, alternando momentos de alegria, desconforto, dúvidas, enjôos... É como se ela carregasse o mundo dentro da barriga. Um mundo novo que traz novidades a cada dia. “A grávida é linda. Nada de doença, de tristeza. Ela prepara o mundo novo que virá”, diz Giselle Tedesco,
obstetra e mãe de Fernando, 10 meses.

Ao lado dessas mães, dividindo a expectativa, há pais
cada vez mais interessados em participar. “O papel do pai é fundamental. Ele tem de engravidar junto, dividir as tarefas, respeitar o cansaço da mulher, o sono, as ansiedades, acompanhar o parto”, diz Angélica Arruda, assistente social, mãe de Pablo, 12, e Roberta, 9 anos.

Para compreender e viver as mudanças de uma gravidez, além do pré-natal – o acompanhamento feito por um obstetra –, a mulher tem hoje um time de profissionais para cuidar dela e de seu bebê nesse momento especial. Dermatologistas, nutricionistas, psicólogos e psiquiatras são alguns dos parceiros com os quais ela pode contar para que esses nove meses sejam uma espera tranqüila e saudável.

Patrícia Bueno Tibyriçá é filha de Luís Roberto Figueiredo Tibyriçá e Malu Bueno. Ela nasceu em 25 de fevereiro de 1981. “A Omint faz parte da minha vida. Sempre fui muito bem atendida por todos”, diz a hoje estudante do 5º- ano de psicologia da Unip. Na foto menor, Patrícia com um ano, no colo da mãe. Na outra, as duas juntas, 25 anos depois.

A linguagem da pele
Tudo precisa estar bem para que mamães e papais possam curtir cada etapa, preparar o quarto, escolher o berço, as roupinhas e todas as pequenas coisas que vão compor o universo do filho que vai chegar. Mesmo para quem lida com a maternidade com olhos clínicos, a gravidez é uma experiência emocionante. “Depois de ser mãe, passei a ter uma visão menos científica desse momento e percebi que a grávida precisa, além das orientações médicas, de apoio e carinho. Hoje sou muito mais próxima das minhas pacientes. Acabo sendo um pouco mãe delas”, afirma a obstetra Giselle Tedesco. A dermatologista Luciana Lourenço concorda. “O médico precisa passar tranqüilidade. A paciente não é apenas uma pele. É uma pessoa, um indivíduo. E é claro que a pele mostra muito o que ela sente.”

O dia seguinte
O nascimento de um filho é um momento de grande felicidade para toda a família. Mas a mãe pode se sentir triste. Segundo Mário Louzã, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, a gestação pode ser uma fase de angústia. “A mãe não precisa estar sempre feliz. A gravidez mexe muito com ela e é comum que fique insegura e precise de apoio. Não é obrigada a ficar sorrindo o tempo inteiro”, afirma.

Cerca de 50% a 60% das mães sentem alguma melancolia logo depois do parto. A sensação é conhecida como baby blues, surge com a queda brusca de hormônios, mas passa em dois ou três dias. Que não se confunda essa tristezinha com depressão pós-parto. “Este é um problema que pode ser tratado com acompanhamento de um especialista, auxílio de medicamentos e apoio da família”, diz Louzã.

Outro aspecto crucial é a amamentação. Os médicos são unânimes em afirmar que o leite materno é o melhor alimento para o bebê, pelo menos até o sexto mês. “A criança fica protegida de doenças e recebe tudo que precisa para seu desenvolvimento”, afirma o pediatra Henrique Klajner, que tem três livros publicados sobre o assunto.

Em seu consultório, 75% das mães amamentam até o sexto mês. Entre essas, 85% seguem dando o peito até o oitavo mês. “É uma luta de 40 anos”, afirma Klajner. Giselle Tedesco, que ainda amamenta o filho de 10 meses, é outra entusiasta. “Amamentar é uma arte e também um sacerdócio. A mulher tem de se doar por completo. E essa doação é premiada com um filho saudável e feliz.”

Viagem sem volta
Mas há um inconveniente para a continuidade da amamentação: a volta ao trabalho. É quando começa a surgir o medo de deixar o filho, e então advém a culpa. “Quando voltei da licença-maternidade, não conseguia me dedicar direito nem à família, nem à profissão. Era uma mãe dividida”, afirma a advogada Joana Ribeiro. “Muitas vezes tive de sair correndo do trabalho e ir buscar minha filha na escolinha.Às vezes atrasava e a encontrava chorando. Com o tempo a gente vai aprendendo a conviver com esses conflitos”, diz a obstetra Maria Aparecida Barros, mãe de Mariana, 13 anos, e Cristina, 16.

Para a professora universitária Emília Duailibi, o retorno às atividades teve ainda uma cobrança extra.“Além da culpa de ter de deixar meu filho, senti angústia por não corresponder à imagem que queriam de mim. Ainda estava um pouco gordinha e sentia que as pessoas cobravam de mim o corpo de antes. E logo”, diz. Os médicos, contudo, garantem que a mulher não precisa perder o sono para voltar a ter o corpo que tinha antes: a amamentação, ao mesmo tempo em que protege e nutre o bebê, cuida de ‘secar’ a mamãe.

Cirurgias, regimes, nada disso é recomendável.“A preocupação com o emagrecimento não pode virar obsessão”, afirma Maria Aparecida Barros. “A tendência é que a mulher perca peso normalmente após o parto.É natural que o corpo que levou nove meses para crescer precise de algum tempo para voltar a seu estado anterior.” Para a dermatologista Luciana Lourenço, a vaidade pode até ser uma aliada, desde que o conceito de beleza esteja associado ao de qualidade de vida. “É importante que a pessoa, antes de tudo, goste de si mesma, se olhe no espelho e goste do que vê.”


Ter filhos não é decisão fácil. Seja aos 18 ou aos 33 anos, esse acontecimento muda a vida da mulher. A maternidade é uma viagem sem volta. “Eu digo para minhas pacientes que aproveitem ao máximo esse momento. É uma decisão séria, profunda, irreversível, sim, mas é linda”, diz Giselle Tedesco. Depois de ter filhos, a mulher é obrigada a abrir mão de certas coisas para poder atuar no que é mais importante.“Até aprender isso, há conflitos. Mas a gente aprende a conciliar”, afirma a obstetra Maria Aparecida Barros. Para a professora e jornalista Maristela Sena, mãe de Lara, 9 anos, a mudança se deu principalmente no relacionamento com a mãe. “A maternidade me aproximou de minha mãe”, diz ela. “Passei a entender melhor a vida dos meus pais e todo o esforço deles para cuidar e educar meus irmãos e a mim.”

Giselle Tedesco, mãe de Fernando: “Ser mãe é uma emoção única, um sentimento universal, de plenitude. Quase não dá para descrever com palavras”.
   

Ácido retinóico

(usado em tratamento anti-rugas) Pode causar malformações. Evitar de seis a 12 meses antes da gestação, porque tem efeito cumulativo.

Água
Recomenda-se de dois a três litros por dia para hidratar e evitar queda de pressão.

Álcool
Totalmente contra-indicado por causar danos ao bebê.

Alimentação
O segredo é não exagerar: comer pouco e em intervalos curtos.

Amamentação
Essencial para alimentar o bebê. É completa: não precisa de chá nem de água.

Atividades físicas
Exercícios leves, como natação, hidroginástica e caminhada. Um mês depois do parto, as atividades podem ser retomadas, mas lentamente.

Sexo
Só há restrição em caso de gravidez de risco.

Café
Tomar moderadamente, de três a cinco xícaras por dia, no máximo.

Estrias
Hidratantes e óleo de amêndoas podem prevenir seu aparecimento. No caso de herança genética, ajudam a atenuá-las.

Fumo
Evitar: a nicotina provoca o envelhecimento da placenta.

Inchaço
Algum inchaço é normal porque o corpo absorve uma quantidade muito maior de água.

Manchas na pele
A melhor maneira de evitá-las é não se expor ao sol. O uso de protetor é indicado.

Pintura de cabelo
Embora não exista comprovação de que faça mal, é bom evitar até a 10ª- semana. Os tonalizantes são liberados.

Queda de cabelo
É normal depois do parto e dura de três a seis meses.

Viagens
De avião, é permitida até o 8º- mês. De carro, deve-se evitar viagens longas e fazer paradas a cada duas horas para andar um pouco.