Jornal Omint - Outubro/2006
       
     
 
   
Ultra-sonografias modernas surpreendem pela riqueza de detalhes.
 

Foi-se o tempo em que o médico calculava o peso da criança que iria nascer apenas apalpando a barriga da mãe. Com a ultra-sonografia tridimensional, médicos e mamães podem ver o bebê e até colocar sua primeira fotografia em um porta-retrato antes mesmo de ele nascer – uma foto mesmo, não aquela mancha indefinida dos antigos equipamentos. Mas a revolução que a ultra-sonografia e suas versões cada vez mais aperfeiçoadas trouxeram vão muito além.

A posição exata, a quantidade de líquido na placenta, a oxigenação do cérebro, o peso e o tamanho do feto hoje não são mais segredo. E conhecer isso tudo é indispensável para evitar problemas antes, durante e depois do parto, seja
na saúde do bebê ou da mãe.

Antes de existir a ultra-sonografia, os médicos não sabiam como a criança iria nascer, não só sob o ponto de vista estrutural, de anatomia, mas em termos de qualidade do nascimento. As causas de problemas, como atraso no desenvolvimento do sistema nervoso central, na fala, no andar e também a paralisia cerebral, eram sempre atribuídas a traumas do parto.

Uma revolução em 3D
O obstetra Sang Cha, especialista em medicina fetal, afirma que com as técnicas que avaliam a oxigenação cerebral antes do nascimento, sabe-se que a grande maioria desses problemas são anteriores ao trabalho de parto. Ele faz questão de lembrar que a ultra-sonografia 3D é muito mais do que mostrar a carinha do bebê. “A tridimensional é um complemento de uma ultra-sonografia bem realizada. Não adianta mostrar um rosto bonito se o feto tem um problema grave.” Sang Cha, que também preside a Sociedade Brasileira de Ultra-Sonografia, explica que esse tipo de ultra-sonografia tem de avaliar

 

também a saúde da mãe – no caso, o fluxo sanguíneo da placenta –, o que permite identificar as grávidas mais propensas a desenvolver hipertensão ou bebê de pouco peso. “E aí podem ser tomadas medidas preventivas, que incluem repouso, dieta e certos medicamentos”, diz o especialista.

As ultra-sonografias 3D permitem ainda identificar malformações fetais que ocorrem principalmente em mulheres consideradas de baixo risco, sem histórico individual ou familiar de anomalia estrutural. “A malformação não escolhe idade. É uma falha da natureza que atinge 3% dos recém-nascidos”, diz o especialista.

Calendário das imagens
Outra revolução recente da medicina é a
ultra-sonografia de translucência nucal, que costuma ser feita entre a 12ª- e a 14ª- semanas da gestação. Esse exame data a gestação e mostra o número de fetos, define o risco para a síndrome
de Down e algumas malformações, além de permitir avaliar a circulação da placenta.

Já a ultra-sonografia morfológica deve ser realizada entre a 18ª- e a 24ª- semanas. Vários problemas detectados por esse exame podem ser tratados ainda dentro do útero; ele também colabora para evitar o parto prematuro, de custo social muito grande, pois a criança fica de 60 a 90 dias na UTI neonatal. “Quando a paciente está no
quinto, sexto mês, tem barriga pequena, bebê com 750 gramas e começa a ter contrações, pode ser tarde para agir”, diz Sang Cha. Em geral, as mamães propensas ao parto prematuro precisam de mais repouso, menos cigarro, além
de alguns medicamentos para relaxar o útero. “Cerca de 60% dos partos prematuros poderiam ser evitados com a prevenção”, afirma ele.

 

 

 

 



Nos próximos dez anos, é certo que
a ultra-sonografia seja totalmente
tridimensional: em poucos minutos
teremos a imagem em bloco do feto, com maior precisão e rapidez de diagnóstico. E os exames invasivos, que acarretam pequeno risco, serão substituídos por exames não-invasivos, como a análise de sangue materno para avaliar a saúde do bebê.