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Do you hablas português?

Não precisa ser poliglota para conhecer o mundo. Tradutores, dicionários, apps, livros e gadgets podem fazer grande parte do trabalho por você. Mas, atenção: essa mãozinha não anula os benefícios de aprender uma língua, antes ou durante uma viagem.

20/08/2018

FALAR (Agosto) – VIAGEM E CULTURA
Do you hablas português?

 

Não precisa ser poliglota para conhecer o mundo. Tradutores, dicionários, apps, livros e gadgets podem fazer grande parte do trabalho por você. Mas, atenção: essa mãozinha não anula os benefícios de aprender uma língua, antes ou durante uma viagem.

 

por Gabriela Aguerre

 

 

Bem-vindo à maioria!

Você chega ao seu destino e tem dificuldade na hora de:

 

  • Entrar em um táxi e informar para onde quer ir sem gaguejar
  • Pedir ao concierge uma dica de lugar para almoçar nas redondezas
  • Perguntar a um passante onde fica aquele museu, aquele parque – ou simplesmente como faz para voltar ao hotel
  • Explicar direitinho ao caixa do Starbucks que seu café é de tal jeito
  • Entender por que todo mundo riu quando o guia falou de certos detalhes daquele edifício histórico
  • Bater um papo com aquela senhorinha que puxou assunto no ponto de ônibus
  • Fazer amigos na balada sem passar por nenhum constrangimento
  • Trocar o tíquete do trem porque se confundiu com o horário
  • Perguntar onde fica o banheiro mais próximo, pelo amor de Deus…

 

Se você marcou mais do que uma opção, saiba que não está sozinho: grande parte dos viajantes passa algum tipo de sufoco em situações costumeiras por causa das barreiras de linguagem. E a despeito da facilidade oferecida por dicionários de bolso e tradutores digitais, vem aumentando o interesse pelo aprendizado de inglês, francês, espanhol, mandarim e alemão. Saber outras línguas nos ajuda a absorver culturas riquíssimas e a explorar novos destinos com mais tranquilidade.

 

 

 

Não sabe? Aponte!

Quem nunca usou o próprio indicador para resolver os problemas de comunicação em outra língua? Se está com fome, aponta a barriga. Se precisa saber o preço de algo na vitrine, aponta para o produto… O dedo que aponta é tão eficaz que o livro Point it, lançado em 1992 e reeditado mais de vinte vezes, já vendeu 2 milhões de exemplares no mundo todo. Trata-se de um dicionário visual de bolso (tem o tamanho de um passaporte) com 1200 fotos de itens bastante comuns na doce rotina de uma viagem. As imagens feitas pelo autor, o globe-trotter alemão Dieter Graf, falam por você. Point it também está disponível na forma de app para Android, no Google Play.

 

 

Aprendendo uma língua

Viajar é bom para o espírito  – e aprendendo uma língua nova, é ótimo para o cérebro! Os esforços aí envolvidos fazem com que você 1) exercite a memória, 2) desenvolva a capacidade de lidar com múltiplas tarefas simultâneas, 3) aumente a capacidade de observação e percepção, 4) consiga tomar decisões mais rapidamente e 5) diminua o risco de ter doenças como Alzheimer. E, claro, a imersão em outro país, em outra cultura, facilita muito o aprendizado, razão que tem levado cada vez mais brasileiros a viajar. Segundo uma pesquisa da Brazilian Educational & Language Travel Association (BELTA), programas educacionais em outros países movimentaram cerca de 3 bilhões de dólares em 2017. Destinos com língua inglesa dominam, especialmente Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. A alternativa elegante tem sido Nova Zelândia, que além do inglês, tem custo de vida mais baixo e boa qualidade de vida – sem falar nas belezas naturais e infinitas atividades outdoor. Com o STB (www.stb.com.br), por exemplo, você pode partir para esse país diferente e estudar em instituições de renome como a Kaplan (www.kaplaninternational.com/br) ou a University of Auckland (www.auckland.ac.nz), escolhendo a carga de aulas, a duração do curso e as demais atividades que deseja fazer.

Skyline de Wellington, na Nova Zelândia: dólar mais favorável, inglês, paz…

 

 

Fazendo o que gosta

Também dá para associar o aprendizado de uma língua a um hobby. Por exemplo, quem está procurando mejorar su español pode juntar aulas do idioma a aulas de flamenco em Sevilha, capital da Andaluzia e berço desse gênero de música e dança. Essa é a proposta da Enforex (www.enforex.com/espanhol), escola especializada presente em nove cidades da Espanha. Mas não precisa subir nas tamancas: é possível aprender espanhol com tango em Buenos Aires, com salsa em Miami, com mergulho em Tenerife, capital das Ilhas Canárias, ou com esqui nas montanhas andinas do Chile e da Argentina. Para aprender ou aprimorar o francês, uma boa ideia é fazê-lo na companhia dos vinhos em Bordeaux, opção da France Langue (www.france-langue.fr), que associa aulas específicas do idioma a horas semanais de estudo e degustação da bebida que o país sabe fazer tão bem. Se é em inglês que você precisa melhorar, pense em ioga, balé, fotografia, moda, design gráfico, surfe… Agências especializadas como o STB (www.stb.com.br) ajudam na escolha e inscrição junto às instituições específicas, bem como na organização de sua viagem do começo ao fim. É a chance de voltar para casa com experiências enriquecedoras para a vida toda – e de quebra continuar sonhando em outra língua.

FOTO wikimedia.org

LEGENDA Bordeaux: apreciar, aprender e tomar vinho – tudo em francês!

 

 

Uma China “coisa nossa”

Para quem prefere não se preocupar (muito) com os desafios de idioma, uma boa notícia: estima-se em 270 milhões o número de pessoas que falam o português ao redor do planeta. Essa facilidade acaba levando muitos brasileiros a Portugal, ainda que do outro lado do oceano se fale um português meio diferente, repleto de expressões, chiados e construções sintáticas que parecem de outro tempo. Da mesma maneira, certas palavras que usamos não fazem sentido para eles, o que exige alguma paciência e bom humor. Mas há destinos menos batidos. Em Macau, por exemplo, onde “a última flor do Lácio” continua sendo usada por uma parcela da população, todos os órgãos públicos oferecem material bilíngue – em chinês e português. E as placas das ruas contêm as duas versões dos nomes, por vezes tão castiços quanto em Lisboa – Rua das Mariazinhas, Avenida da Liberdade, Largo dos Bombeiros… Esse mix cultural ilustra também o cardápio dos restaurantes locais, famosos tanto pelo pato de Pequim quanto pelo caldo verde.

FOTO Brenden Brain/wikimedia.org

LEGENDA Macau: tão longe, tão diferente… e fala português!

 

 

With a little help of my friends

O lançamento do Google Translate, em 2006, alçou as traduções simultâneas de texto a um número absurdo. Hoje, cerca de 500 milhões de pessoas usam a ferramenta, traduzindo mais de 100 bilhões de palavras todos os dias – um volume 200 mil vezes maior do que o de palavras contidas no dicionário Aurélio Online. OK, em alguns segundos você consegue saber o que significa uma frase em quase 100 idiomas e isso facilita à beça a comunicação entre um russo e um catalão, um árabe e um chinês, um brasileiro e um húngaro etc. Mas, em uma viagem, pode acontecer de não estarmos perto de um computador ou não ter o celular carregado. Isso sem falar no wi-fi nem sempre disponível. Por isso alguns tradutores portáteis que independem de conexão com a Internet vêm fazendo sucesso. Um deles é o Travis (https://www.travistranslator.com), que faz a conversão de idiomas – inclusive o português do Brasil – com o toque de um botão e em tempo real. Funciona assim: você fala e o Travis traduz no idioma escolhido, então o interlocutor ouve, responde, daí o aparelho devolve traduzindo para sua língua. Alguns erros de tradução parecem inevitáveis, já que nenhuma máquina é perfeita, mas essa ao menos proporciona uma comunicação direta entre as pessoas, olho no olho, fazendo com que dois mundos diferentes se conectem por meio das palavras. Outro desses que vêm sendo chamados de wearable gadgets é o ili (https://iamili.com/us/). Também cabe no bolso e funciona offline, mas só traduz uma frase por vez e traz apenas um idioma por aparelho, nas versões inglês/espanhol, inglês/japonês e inglês/chinês. Serve, portanto, para quem já sabe inglês mas precisa se virar nessas outras três línguas.

 

 

 

 

 

 

FOTOS Divulgação

LEGENDAS

O Travis ouve e fala em 80 idiomas.

O ili fala inglês, espanhol, japonês e chinês.