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Para não rasgar dinheiro

Especialista da Genial Investimentos, Eduardo Ponce dá a receita de um planejamento financeiro para toda a vida

27/04/2018

Eduardo Ponce é um dos sócios e responsável pela área comercial da Genial Investimentos, que oferece consultoria de investimentos principalmente a pessoas físicas. Conforme dados da empresa, são cerca de 150 mil clientes que, capital somado, compõem uma carteira de R$ 30 bilhões. “Temos clientes com R$ 10 mil, clientes que têm R$ 1 bilhão”, conta ele. “O valor pouco importa: o que as pessoas precisam é de uma assessoria que diga o que elas têm de fazer com seu dinheiro para que renda mais.”

Formado em Administração de Empresas com ênfase em Finanças pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), pós-graduado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA em Finanças pelo Instituto Superior em Negócios, Direito e Engenharia (Insper), Ponce possui as certificações do mercado (CEA, CPA-20 e PQO), assim como a que o habilita como planejador financeiro (CFP). “As pessoas não sabem, acham que precisam de muito dinheiro para começar a investir. E não precisam! Nossa cultura financeira precisa melhorar.”

Confira alguns dos melhores momentos de nossa conversa com ele a respeito de investimentos, seguro de vida, previdência, sucessão e acesso ao patrimônio, entre outros temas que dizem respeito ao planejamento financeiro de cada um e ao bolso de todos.

 

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Os milagres de Nossa Senhora do Longo Prazo

“Nosso problema no Brasil é cultural, não existe uma cultura de investimento. As pessoas ganham dinheiro e não sabem o que fazer com ele, onde aplicar. O sujeito chega aos 60 anos e diz: ‘Bem, agora eu vou me preocupar com minha previdência…’ Não deveria ser assim. O ponto é o seguinte: quando você começa cedo [a investir] tem um aspecto muito bom a seu favor, que é o tempo. Quanto mais tempo você tem para poupar e aplicar, menos custoso é para você, menos terá de aplicar mês a mês.”

 

Fazendo seu dinheiro render mais

“A ideia não é transformar ninguém em especialista, mas que as pessoas saibam o que têm de perguntar para o gerente do banco, saibam se têm um investimento bom ou não. ‘Ah, o meu investimento rendeu 10% ano passado – isso é bom ou não?’ Depende. Se fez investimento em ações e a Bolsa subiu 80% ano passado, 10% é muito pouco. Você deveria ter ganhado 80% ou mais. ‘Ah, meu investimento rendeu 25% – isso é bom ou ruim?’ Depende. Quanto foi a inflação do país no período? Se foi 25%, você não ganhou nada. Ganhou 25% de um lado, mas os preços em geral subiram 25%, também, então você só manteve seu poder de compra. Se seu investimento está em um fundo DI de um bancão, muito provavelmente você está pagando caro. Todos os bancos compram os mesmos ativos, que são títulos públicos. Só que o mesmo fundo DI pelo qual o banco cobra 2% de taxa de administração ao ano, as empresas independentes cobram 0.3%. É quase dez vezes menos! E pelo fato de eu cobrar menos, seu dinheiro rende mais. Simples assim.”

 

A pergunta que o gerente do banco não quer ouvir

“Qual é a taxa de administração do seu fundo DI? A maioria das pessoas não sabe. Se está em mais de 0.5%, já está caro. Porque é muito barato para o banco fazer isso – são títulos públicos, muito conservadores, portanto o gestor não consegue fazer nada muito sofisticado, vai conseguir rendimentos de 6.5% a 7% ao ano. Pode ligar para seu gerente e perguntar… O fundo DI que você tem no banco deve cobrar mais de 1%. Bem, se você mudasse esse investimento para um empresa independente, que cobra 0.3% de taxa, conseguiria aumentar sua rentabilidade em 10%.”

 

Abraço que não tem preço

“Depois de uma palestra, um senhor de 80 anos me procurou dizendo que havia gostado da minha exposição, que precisava de minha ajuda: ‘Eu vou morrer, já fui parar na UTI duas vezes, tenho três pontes de safena, sei que estou ficando fraco… O que faço com meu dinheiro? Como deixo para os meus filhos?’ Fizemos um planejamento financeiro e uma boa parte dos recursos foi colocada em previdência e, de fato, passado um tempo, o homem morreu. Ontem, um dos filhos veio aqui me dar um abraço. Seguro e previdência são investimentos quase que complementares e que resolvem o mesmo problema: sucessão. Você tem o dinheiro, mas como é que deixa isso para os seus filhos de forma eficiente, pagando menos imposto possível, da forma mais rápida possível?”

 

O custo da partida

“Quando morremos, todos nossos bens são bloqueados, vão para o inventário, vão compor o espólio. Leva uns seis meses para ficar pronto – e isso se tudo der certo, se não aparecerem terceiros dizendo que têm direito nesse negócio, se não houver problema algum. Então, se você tem um patrimônio de R$ 1 milhão, além dos 4% do ITCMD [Imposto Sobre Transmissão Causa Mortis e Doação], seus herdeiros terão que arcar com os custos do advogado, que geralmente é de 6%. Assim, serão necessários R$ 100 mil para ter acesso a esse patrimônio. De repente, seus filhos não têm. Como vão pagar? Essa história termina quase sempre do mesma maneira: os herdeiros acabam vendendo um imóvel por valor mais barato do que o de mercado, porque precisam fazer dinheiro – e geralmente é o advogado que compra – e, assim, dilapidam o patrimônio sem necessidade. Se tivessem um planejamento financeiro, se tivessem consultado um especialista, saberiam que previdência não entra em inventário, não paga ITCMD e que os herdeiros recebem o dinheiro em quatro ou cinco dias úteis.”

 

Escolhendo a previdência certa

“Existem dois tipos de previdência: PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres); e também dois tipos diferentes de tributação: progressiva e regressiva. O primeiro passo é saber que produto de previdência você precisa – se é PGBL progressivo ou regressivo, VGBL progressivo ou regressivo – e chegar à estrutura do investimento. Porque se você compra a previdência errada, pode pagar imposto muito alto. É preciso atenção com isso. Aconteceu com um cliente meu, caso real… Ele tinha R$ 50 mil, foi no banco X, precisava de um investimento de curto prazo, indicaram PGBL em uma tabela regressiva, que começa cobrando um imposto muito alto e que vai caindo ao longo do tempo, partindo de 35% e, após 10 anos, enfim, se torna um imposto em torno de 10%. Só que no PGBL o imposto de renda incide sobre o total, sobre o que você aplicou mais o rendimento. Ou seja, ele aplicou R$ 50 mil no que chamamos PGBL regressivo. Três meses depois, esse montante tinha virado R$ 51 mil. Meu cliente precisou resgatar e só aí descobriu que o imposto de renda incidia sobre o total. Como era tabela regressiva, ele teve de pagar 35% sobre R$ 51 mil. Ele rasgou 18 mil reais! Os bancos, em geral, não sabem o perfil da pessoa, não sabem o que ela quer, mas indicam previdência mesmo assim, porque é muito rentável para a instituição.”

 

A importância do especialista

“As pessoas precisam de uma assessoria de investimento, de um especialista. O gerente de conta é um gerente de conta, resolve problemas de seu cartão, de seu talão de cheques, a senha nova. Mas se você procura um clínico geral e descobre um problema no cérebro, ele vai te mandar para um neurologista, um especialista. Você pode falar com o gerente do banco, claro, pois ele entende um pouquinho de tudo, mas no momento em que está falando de patrimônio, você precisa de um especialista. É o que fazemos aqui, somos especialistas em investimentos.”

 

Garantindo tudo que está por vir

“Ninguém no Brasil acorda e diz: ‘Hoje vou comprar um seguro de vida.’ Não é uma preocupação, há um dificuldade cultural, ainda. E a proteção do patrimônio que ainda não se tem deveria ser o primeiro passo do planejamento financeiro de todo mundo. Meu exemplo pessoal: tenho 31 anos, um filho de dois anos e meio. O que vai acontecer se, de repente, eu não estiver mais aqui? Será que minha esposa terá condições de tocar a educação do meu filho até ele se tornar financeiramente independente? Quanto vai me custar esses 20 anos dele, de escola, faculdade, intercâmbio… Talvez R$ 2 milhões. Eu tenho esses recursos hoje? Se eu tenho, ótimo. Se não, por meio de meu planejamento financeiro e sucessório, posso ter esse dinheiro numa apólice de seguro e minha família irá recebê-lo poucos dias depois de minha partida. Ou seja, antes mesmo de pensar em começar a acumular patrimônio, eu faço uma apólice de seguro, pagando um tanto por mês, e tenho um capital segurado de R$ 2 milhões por 20 anos.”

 

Investir em proteção

“Existe um tipo de seguro de vida que é o vitalício. É como se fosse um seguro de carro: você paga, paga, paga para nunca usar, não quer bater o carro e precisar do seguro. O que acontece? Você tem carro durante 80 anos, nunca usou o seguro, mas pagou a vida inteira. Já o seguro vitalício é diferente e muito legal. Você paga durante um período, durante 10, 20 ou 30 anos, e depois para de pagar e não tem mais qualquer desembolso. Assim, faço um seguro de vida vitalício de R$ 2 milhões, pago tudo em 10 anos, e ao terminar, não desembolso mais nada, sendo que meu seguro vale até eu morrer, corrigido pela inflação – e tudo bem, porque não é um investimento, é uma proteção! Quando eu partir, meus herdeiros vão receber o valor dessa apólice – que é minha, eu comprei. E quando meu filho fizer 25 anos, já estiver idependente financeiramente, eu julgar que não preciso mais me preocupar com ninguém, posso resgatar esse dinheiro, então não perco o que coloquei. Esse é um tipo de seguro que as pessoas ainda não conhecem muito por aqui, mas em outros países é o mais vendido. Obviamente, ele também é mais caro. Para alguém do meu perfil, com 30 anos, bem de saúde, que quer um capital segurado de R$ 1 milhão, isso deve custar cerca de R$ 400 mil. Vou pagar durante dez anos, o que dá R$ 40 mil por ano. Assim que pagar a primeira, pronto, já tenho R$ 1 milhão garantido. Se eu morrer amanhã, minha família o recebe integralmente.”

 

Garantindo o estudo dos filhos

“Por exemplo, R$ 40 mil por ano pode ser muito dinheiro para algumas pessoas. Mas há seguros diferentes, mais tradicionais e mais baratos. Você quer um seguro de vida para garantir a vida do seu filho? Acha que daqui 20 anos ele estará tranquilo? Então, vamos fazer um seguro por 20 anos que em você vai ter o mesmo R$ 1 milhão, vai pagar um prêmio ano a ano e, no final, quando acabar o período de cobertura do seguro, não terá seu dinheiro de volta. Mas, se acontecer alguma coisa com você nesses 20 anos, seu filho vai receber esse R$ 1 milhão. E aí o seguro que custava R$ 40 mil por ano vai custar R$ 5 mil por ano. Muita gente prefere esse, pois mesmo não reavendo o que foi investido, durante 20 anos o filho sempre estará garantido. Outro tipo de seguro é o que chamamos de decrescente. Por exemplo, se eu morrer hoje, meu filho precisará de R$ 2 milhões. Mas é claro que, ao longo do tempo ele precisará de menos dinheiro, porque cada vez estará mais perto de sua independência financeira. Então há um seguro que começa garantindo R$ 2 milhões, depois passa a garantir R$ 1.8 milhão, R$ 1.5 milhão, vai diminuindo… E, assim, acaba custando menos ainda.”

 

O seguro que fica

“Todos deveriam ter o seguro vitalício em seu planejamento financeiro, porque ele serve para isso, para garantir que nossa família vá ficar bem. E o seguro vitalício serve para a sucessão, também, porque quando eu for embora, preciso que minha esposa e meu fillho tenham dinheiro para pagar os 4% de imposto, mais os 6% de custos advocatícios… Nesse caso, um seguro que tem data de vencimento não funciona. Ora, quem disse que eu vou morrer em 20 anos? Ou em 25 anos? Por isso, nas soluções que oferecemos aos clientes, fazemos um pedacinho do investimento em seguro vitalício. Em geral, são 10% de seu patrimônio: se tiver R$ 1 milhão, coloca R$ 100 mil de cobertura no seguro vitalício. E o tempo passará, pode ser que todos os seguros que você fez tenham acabado, seu filho já cresceu, mas um pedacinho do patrimônio está ali, no seguro vitalício, resgatável, e quando eu morrer, seja lá quando for, sei que a família receberá esses recursos e terá acesso mais fácil ao restante que vou deixar. Como eu digo, isso deveria vir antes da acumulação do patrimônio, algo que os brasileiros estão começando a entender.”