O que é o tabagismo?

Entenda um pouco mais sobre o que é a doença, seus sintomas e os tratamentos

Publicado por Juliana Brito

5 de maio de 2022

Com certeza você sabe que fumar faz mal. Porém, apesar do combate ao tabagismo ser amplamente proposto ao redor do mundo, a doença ainda mata 8 milhões de pessoas a cada ano. Por isso, a disseminação constante da informação ainda se faz muito necessária para que seja possível reduzir esse número tão alto. Para que você possa entender mais sobre como essa doença age no organismo, suas causas e sintomas, os melhores tratamentos e ainda ficar por dentro de alguns dados mundiais, conversamos com o Dr. Ricardo Henrique de Oliveira Braga Teixeira, pneumologista e credenciado Omint, e com o Dr. Carlos Alberto Pastore, cardiologista e também médico credenciado Omint, que explicaram melhor o assunto.

Neste artigo, vamos falar mais sobre:

História do tabagismo: o que é e como surgiu?
Quais são as causas?
Quais os riscos e consequências do tabagismo?
Quais são os tratamentos?
Cigarro eletrônico: é menos prejudicial?
Quais as melhores atitudes para parar de fumar?

 

História do tabagismo: o que é e como surgiu?

Hoje já se sabe que fumar não é um hábito saudável e traz diversas consequências, porém, não muito tempo atrás, fumar era um hábito considerado comum. Após a Revolução Industrial, o hábito passou a ser socialmente aceito, aumentando o número de pessoas fumantes pelo mundo, assim como a produção em larga escala.

Porém, foi só a partir da década de 1950 que os primeiros riscos relacionados ao ato de fumar começaram a aparecer. No Brasil, as ações começaram a ser tomadas apenas cerca de 20 anos depois: na década de 1970 surgem os primeiros movimentos contra o tabagismo e, apenas em 1986, o Programa Nacional de Combate ao Fumo, criado pelo INCA (Instituto Nacional do Câncer), que já visava propor ações para o combate à doença.

Anos depois, criou-se também, junto ao INCA, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Segundo o site do INCA, o programa tem como objetivo reduzir o consumo de tabaco através de ações educativas, de comunicação e de atenção à saúde com o auxílio de medidas legislativas e econômicas.

Segundo o INCA, o tabagismo é uma doença crônica derivada da dependência da nicotina, que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), ainda mata cerca de 8 milhões de pessoas ao ano. A doença também é classificada como transtorno mental e comportamental, em razão do uso de substância psicoativa, e está entre uma das maiores causas de mortes precoces no mundo.

Além disso, o tabagismo, segundo o Ministério da Saúde, é também considerado uma doença epidêmica, afetando um grande número de pessoas dentro de uma mesma região e responsável pelo surgimento de outras doenças fatais e/ou incapacitantes.

Todos os produtos como cigarro, fumo para cachimbo, cigarros de palha e até mesmo os cigarros eletrônicos assemelham-se pela presença da nicotina e por causarem dependência igualmente. No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar desde 2009.

A fumaça contida nesses produtos é altamente tóxica, e a nicotina presente tem alto poder de causar dependência.

As medidas de prevenção contra o hábito não poderiam ser menos rigorosas: o tabagismo contribui para o desenvolvimento de diversos tipos de cânceres e outras enfermidades, das quais falaremos mais aprofundadamente no decorrer do texto.

 

Quais são as causas?

O tabagismo está entre uma das maiores causas evitáveis de mortes precoces no mundo, isso porque o ato de fumar é uma escolha que poderia ser evitada.

Não há uma causa específica para que o tabagismo aconteça. Muitas vezes, pode surgir o interesse em experimentá-lo, principalmente na fase da adolescência, período em que ficamos mais suscetíveis a “experimentar coisas novas”.

A partir daí, o vício pode instalar-se muito facilmente: a nicotina age no cérebro causando sensação de prazer e gratificação, por aumentar os níveis de dopamina e, dessa forma, auxiliando para que o vício se instale. O ato de fumar muitas vezes está atrelado a momentos de prazer e relaxamento em hábitos diários, como na hora de tomar um café ou em um bar com os amigos, tornando ainda mais difícil que o hábito seja abandonado. Dessa forma, podemos considerar que o vício em nicotina é, além de psicológico, também físico, por estar sempre ligado a esses momentos.

Outro ponto importante é que os efeitos da nicotina passam muito rápido, por isso a necessidade do indivíduo de fumar constantemente, para que possa voltar a ter a mesma sensação.

 

Quais os riscos e as consequências do tabagismo?

Muitas pessoas acreditam que, para ser considerado tabagista, é necessário fumar maços e mais maços ao dia, o que não é uma verdade.

“Para o risco de o tabagismo ser considerado, é necessário que você tenha fumado 100 cigarros ao longo de toda a sua vida. Além disso, se você fuma apenas um cigarro ao dia, você já corre metade dos riscos que o tabagismo traz”, afirma Dr. Ricardo.

Ou seja, o ato de fumar é perigoso até mesmo quando o consumo é baixo. Outra forma de calcular o potencial de riscos causados pelo cigarro é a relação maços/ano.

“A partir de 10 maços/ano, o risco já é bem alto para neoplasias decorrentes do tabagismo. Quando esse número chega a 15, as chances de doenças causadas pelo cigarro são ainda mais altas, com dados muito relevantes de doenças decorrentes do hábito”, declara Dr. Ricardo.

As consequências do tabagismo começam a aparecer principalmente nas vias respiratórias. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma das principais condições que tabagistas costumam apresentar. Ela é uma junção das doenças enfisema e bronquite crônica, causando falta de ar, sibilos (os famosos “assobios” na respiração) e tosse, dificultando muito a respiração.

O paciente que já tem condições pulmonares prévias, como a asma, por exemplo, também possui um risco muito maior de desenvolver complicações.

 

Nem só o pulmão é afetado

Além das vias respiratórias, o coração também é diretamente afetado pelos anos de hábito tabagista.

“No geral, é importante lembrar que, além de afetar os pulmões e vias respiratórias, o tabagismo também é causador de doenças vasculares, como infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC)”, explica o pneumologista.

“Os pulmões são apenas uma parte afetada pela doença. O cigarro colabora ativamente para que o depósito de gordura nas artérias aconteça, por exemplo. Por isso é importante lembrar o quão agravante e agressivo é este hábito quando falamos em favorecimento de outras doenças”, afirma o Dr. Carlos.

Outra doença que aparece facilmente em tabagistas é o câncer em seus diversos tipos. Entre eles, os mais comuns são: câncer de pulmão, de boca, de língua, de laringe e de bexiga.

É válido lembrar que essas consequências do hábito começam a aparecer, muitas vezes, apenas 30 ou 40 anos após o início do tabagismo. Por isso o risco é ignorado pela maioria das pessoas e, quando o diagnóstico é feito, não é algo mais reversível.

 

A genética também influencia

Você sabia que a genética pode influenciar – e muito – as doenças cardiovasculares? Por isso é necessário investigar desde cedo. “Quando você já tem uma predisposição a doenças cardiovasculares, controlar apenas com alimentação não é suficiente. A alimentação é responsável por auxiliar em 20% no combate ao problema, por isso existe uma necessidade muito grande de se investigar desde cedo”, declara Dr. Carlos.

Principalmente com o tabagismo, é necessário lembrar que as doenças relacionadas ao pulmão aparecem lentamente. Já as doenças do coração, quando aparecem, já estão em um estágio irreversível, podendo muitas vezes levar à morte, que poderia ser evitada se tivesse sido tratada e investigada antes.

 

Quais são os tratamentos?

Sabemos que parar de fumar não é uma tarefa fácil, exige muita dedicação do indivíduo e não há como não afirmar isso. Porém, as campanhas antitabagistas já funcionam há muitos anos e visam cada vez mais dar suporte para que a pessoa consiga de fato concluir essa tarefa.

 

Mais do que um vício físico

O vício em nicotina torna-se difícil de ser abandonado por ser psicológico e físico. Está muito presente na rotina do fumante, e sempre associado a momentos de prazer e relaxamento.

Por isso o tratamento para parar de fumar é sempre multidisciplinar e exige algumas mudanças no dia a dia. Hoje existem medicamentos disponíveis no mercado e até mesmo no SUS – terapia de reposição de nicotina, adesivo transdérmico, goma de mascar e o cloridrato de bupropiona – para auxiliar ainda mais nessa batalha.

 

Terapia multidisciplinar

Somente a terapia medicamentosa não é capaz de sanar completamente o problema. O acompanhamento psicológico também se faz necessário, uma vez que os primeiros dias sem tabaco podem se tornar bastante desagradáveis, com sintomas como dor de cabeça e irritabilidade, causados pela abstinência.

 

Cigarro eletrônico: é menos prejudicial?

Como já vimos acima, qualquer tipo de fumo em que a nicotina esteja presente é prejudicial e tem alto potencial de causar vício. E com o cigarro eletrônico não é diferente, com o agravante de ser algo novo, ainda sem muitos estudos.

O problema é que o ar quente, também liberado pelos cigarros eletrônicos, é muito prejudicial às vias respiratórias, esôfago e estômago. Alguns pacientes já apresentaram complicações decorrentes do uso dos famosos “pods”, por isso, devem ser evitados como qualquer outro cigarro.

Você pode conferir mais sobre o assunto aqui:

 

 

Quais as melhores atitudes para parar de fumar?

Como você já sabe, parar de fumar pode não ser fácil, mas mais importante do que isso é saber que não é impossível.

É claro que o passo inicial precisa vir do indivíduo, mas é necessário que ele saiba que existe toda uma rede de apoio até mesmo na Saúde Pública do Brasil, ou seja, você não está sozinho!

Para te ajudar com essa tarefa, trouxemos algumas dicas que podem ser válidas para que você possa iniciar o processo ou compartilhar com alguma pessoa próxima:

 

1. Mude os hábitos aliados ao cigarro: troque aquele café no meio da tarde para outro horário caso não queira estar com outras pessoas fumando no mesmo ambiente. Prefira até mesmo uma bebida gelada! Isso pode ajudar a amenizar a vontade.

2. Inclua atividades para aliviar os sintomas da abstinência: nos primeiros dias, é realmente difícil passar por toda a irritabilidade, dores de cabeça e tonturas que ela pode causar. Tente incluir na sua rotina atividades ao ar livre. Exercite-se. Assim é possível que seu corpo libere hormônios de prazer e satisfação por outros meios, que podem ajudar você a se sentir mais aliviado.

3. Tome a medicação corretamente: as medicações disponíveis estão aí para auxiliar você. Conte com elas para auxiliar nesse processo e faça o tratamento corretamente.

4. Esteja perto de quem apoia você: uma rede de apoio acolhedora é sempre muito importante em momentos difíceis, por isso esteja perto de pessoas que apoiam a sua decisão e te ajudam com incentivo!

5. Preze por uma boa noite de sono: o sono é importante para todos os processos do nosso corpo. Sem ele, é impossível renovar as energias para o dia seguinte. Por isso, preze por uma boa noite de sono e busque meios para que isso possa acontecer sempre.

6. Exercite-se: exercitar-se está entre uma das coisas mais importantes para a saúde do ser humano. Independentemente de qual seja a sua fase nesse processo de parar com o hábito de fumar, inclua uma rotina de exercícios no seu dia a dia. A dica é achar algo de que você goste e sinta prazer, sem enxergar o exercício como punição, e sim como um momento de cuidado com o seu corpo.

Você também pode conferir algumas dicas por este vídeo:

 

 

E aí, sente-se mais disposto a parar de fumar ou acha que alguém deve saber dessas informações? Compartilhe! Parar de fumar salva vidas!

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