Mpox: o que é, sintomas, transmissão e cenário atual no Brasil

Entenda como a mpox se manifesta, como ocorre a transmissão, quais são os sinais de alerta e qual é a situação atual da doença no Brasil em 2026

Publicado por Juliana Brito

9 de abril de 2026

Nos últimos anos, algumas doenças passaram a ganhar mais espaço no noticiário e nas conversas do dia a dia, especialmente quando há aumento de casos em diferentes regiões. A mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é um desses exemplos.

Embora tenha ganhado maior visibilidade a partir de 2022, a doença não é recente. O vírus responsável pela infecção já era conhecido há décadas, mas o comportamento epidemiológico mudou nos últimos anos, com registros fora das regiões onde a circulação era mais comum.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou cerca de 12 mil casos de 2022 a 2024. Em 2026, os números permanecem mais baixos, com cerca de 140 confirmações até o momento, mas seguem sob monitoramento das autoridades de saúde.

Esse cenário reforça a importância de entender melhor a doença, seus sinais e formas de transmissão. Ao longo deste conteúdo, você vai descobrir o que é a mpox, como identificar os sintomas, quando procurar atendimento e quais medidas ajudam a reduzir o risco de infecção.

Navegue pelo texto:

1. O que é mpox?

A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus monkeypox (MPXV), que pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo da varíola humana.

A partir de 2022, a condição voltou a ter destaque por conta de casos identificados em diferentes países, inclusive fora das regiões onde a doença era considerada endêmica. Com essa mudança no padrão de ocorrência, o tema passou a fazer parte de forma mais frequente das discussões sobre saúde pública.

Nesse contexto, a própria nomenclatura foi revisada. O termo “varíola dos macacos” deixou de ser adotado como padrão por não representar corretamente a dinâmica de transmissão e por poder gerar interpretações equivocadas. A adoção do nome mpox busca tornar a comunicação mais precisa e alinhada às recomendações internacionais.

Do ponto de vista da transmissão, a mpox é classificada como uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida entre animais e seres humanos. Embora ainda não se saiba exatamente quais animais mantêm o vírus em circulação na natureza, a transmissão entre pessoas passou a ter papel relevante nos surtos mais recentes.

Esse fator ajuda a explicar a disseminação observada globalmente nos últimos anos e reforça a importância de compreender melhor como a doença se comporta.

2. Quais são os sintomas da mpox?

Os sintomas da mpox costumam seguir uma progressão característica, embora possam variar em intensidade e apresentação entre os pacientes. Essa variação é um dos fatores que tornam o reconhecimento da doença menos imediato em alguns casos.

De modo geral, o quadro clínico pode ser dividido em duas fases principais:

– um período inicial, com sintomas mais inespecíficos;
– uma fase posterior, marcada pelo aparecimento de lesões na pele.

Sintomas iniciais

Nos primeiros dias após a infecção, é comum que a mpox se manifeste com sinais que se confundem com outras doenças virais. Entre eles estão febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e sensação de cansaço.

Um dos pontos que ajudam a diferenciar a mpox de outras condições é o aumento dos linfonodos, conhecido como ínguas, que pode surgir ainda no início do quadro.

Além disso, alguns pacientes podem apresentar sintomas adicionais, como dor ao evacuar, inflamações na região genital ou desconfortos urinários. Em certos casos, também foram descritos quadros de faringite, conjuntivite e inflamações oculares, o que amplia o espectro de manifestações possíveis.

Essa diversidade de sintomas reforça a importância de uma avaliação cuidadosa, especialmente quando há histórico de contato próximo com pessoas infectadas.

Como são as lesões da mpox

Após essa fase inicial, começam a surgir as lesões cutâneas, que são consideradas o principal sinal da doença.

Essas lesões seguem uma evolução progressiva. Inicialmente, aparecem como manchas na pele, que se transformam em pequenas elevações. Em seguida, evoluem para bolhas com conteúdo líquido, que podem ser claras ou amareladas. Com o passar dos dias, essas lesões formam crostas que, ao se desprenderem, indicam o processo de cicatrização.

As lesões podem se concentrar em regiões como rosto, mãos e pés, mas também podem surgir em áreas genitais, na região anal e em mucosas. Essa distribuição varia de caso a caso.

Quanto tempo dura a doença

O tempo de incubação da mpox, que corresponde ao período entre o contato com o vírus e o início dos sintomas, costuma variar de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias.

Já a duração da doença, na maioria dos casos, fica entre duas e quatro semanas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), grande parte dos quadros evolui de forma leve a moderada, com resolução espontânea ao longo desse período.

3. Como a mpox é transmitida?

A forma como a mpox é transmitida está relacionada ao contato próximo entre pessoas, principalmente quando há presença de lesões na pele.

Nos surtos mais recentes a partir de 2022, a transmissão entre humanos passou a ter um papel central, embora a doença tenha origem zoonótica, como já explicamos. Isso significa que, apesar de poder ser transmitida a partir de animais, o contato entre pessoas é hoje uma das principais vias de disseminação.

De maneira geral, o contágio ocorre quando há exposição direta ao vírus em situações como:

  • contato com lesões na pele ou crostas de uma pessoa infectada
  • contato com fluidos corporais
  • contato íntimo ou sexual
  • exposição prolongada a secreções respiratórias em interações próximas
  • compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas ou lençóis

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que ambientes com maior proximidade física favorecem a transmissão.

Além disso, a transmissão pode ocorrer mesmo antes do aparecimento das lesões visíveis, durante a fase inicial dos sintomas. Em alguns casos, também foram observadas infecções com manifestações leves ou pouco perceptíveis, o que pode dificultar a identificação precoce e contribuir para a circulação do vírus.

4. Quem tem maior risco de complicações?

Embora a mpox apresente, na maioria dos casos, evolução leve a moderada, esse padrão não se aplica a todos os perfis de pacientes. Algumas condições de saúde podem aumentar o risco de agravamento, exigindo atenção mais próxima desde os primeiros sinais.

Pessoas com o sistema imunológico comprometido tendem a ter maior vulnerabilidade a infecções virais. No caso da mpox, isso pode se refletir em quadros mais prolongados, maior número de lesões e risco ampliado de complicações.

Entre os grupos que merecem atenção, estão:

  • pessoas vivendo com HIV/aids, especialmente com imunossupressão
  • pacientes em tratamento oncológico
  • pessoas transplantadas
  • indivíduos com doenças que afetam a resposta imunológica

Além disso, outros grupos também podem apresentar maior risco de evolução desfavorável, como gestantes, crianças e idosos. Nessas situações, o acompanhamento médico desde o início dos sintomas é essencial para orientar o manejo adequado e reduzir possíveis desdobramentos.

5. Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da mpox envolve uma combinação entre avaliação clínica e confirmação laboratorial. Isso acontece porque, nas fases iniciais, os sintomas podem se confundir com outras infecções que também causam febre e lesões na pele.

Diante desse cenário, a análise das características das lesões e do histórico do paciente é um primeiro passo importante. No entanto, a confirmação do diagnóstico depende de exames específicos.

O principal método utilizado é o PCR em tempo real, realizado a partir de amostras coletadas das lesões, como crostas, secreções ou fragmentos da pele afetada. Esse exame permite identificar o material genético do vírus com precisão.

Ao mesmo tempo, é fundamental considerar o chamado diagnóstico diferencial. Ou seja, avaliar outras doenças que podem apresentar manifestações semelhantes.

Entre elas, estão:

  • herpes simples
  • varicela (catapora)
  • sífilis
  • molusco contagioso

Essa etapa é importante porque contribui para evitar diagnósticos equivocados e garantir que o paciente receba a orientação adequada desde o início.

Mpox x doenças que podem parecer mpox

Embora compartilhem algumas características, essas condições apresentam diferenças importantes na evolução das lesões, na distribuição pelo corpo e nos sintomas associados. Por isso, a avaliação médica é essencial para distinguir cada quadro.

6. Mpox tem cura? Qual é o tratamento?

A mpox é considerada uma doença autolimitada na maioria dos casos, o que significa que o próprio organismo tende a controlar a infecção ao longo do tempo.

Na prática, isso se traduz em quadros que evoluem de forma leve a moderada, com recuperação completa em algumas semanas. Ainda assim, o acompanhamento médico é importante para avaliar a evolução e orientar o cuidado adequado.

Atualmente, não existe um antiviral com eficácia comprovada estabelecido como tratamento padrão para a doença. O manejo é baseado no alívio dos sintomas, como dor, febre e desconforto nas lesões, além da prevenção de complicações.

Nos últimos anos, o uso do antiviral tecovirimat passou a ser estudado em alguns contextos. No entanto, ainda não foram identificados benefícios significativos, o que reforça a necessidade de avaliação caso a caso.

Em situações mais graves, entre pacientes com maior risco de complicações, pode ser necessário acompanhamento hospitalar e suporte clínico mais próximo.

7. Existe vacina para mpox?

A vacinação contra a mpox existe, mas não está disponível de forma ampla para toda a população. Seu uso é direcionado a grupos específicos, definidos a partir do risco de exposição ou de evolução para formas mais graves da doença.

Essa estratégia segue a lógica adotada por autoridades de saúde, que priorizam a proteção de pessoas mais vulneráveis e de profissionais que possam ter contato direto com o vírus, como trabalhadores da área da saúde e de laboratórios.

Além disso, a vacinação pode ser indicada para pessoas que tiveram contato próximo com casos confirmados, como uma forma de reduzir o risco de desenvolvimento da doença ou de quadros mais intensos.

É importante destacar que a vacina não deve ser entendida como uma proteção absoluta. Seu principal benefício está na redução da gravidade dos sintomas, na diminuição do número de lesões e no menor risco de complicações.

Por isso, mesmo entre pessoas elegíveis para a vacinação, as medidas de prevenção continuam sendo fundamentais.

8. Mpox no Brasil: qual é o cenário atual?

Desde o início do surto global, em 2022, o Brasil registrou cerca de 12 mil casos até 2024, segundo dados do Ministério da Saúde, além de novas notificações nos anos seguintes, com maior concentração no primeiro momento de disseminação internacional.

Em março de 2025, por exemplo, foi identificado no Brasil o primeiro caso da cepa 1b do vírus. Porém, em janeiro de 2026, um segundo caso foi confirmado, o que mantém a atenção das autoridades de saúde sobre o comportamento dessa variante.

Dados atualizados indicam cerca de 47 casos confirmados até fevereiro de 2026, além de cerca de 140 registros ao longo do ano em diferentes estados. Esse cenário reforça que, embora a situação esteja mais controlada em comparação ao pico inicial, o acompanhamento epidemiológico segue ativo.

9. Como se prevenir contra a mpox?

As formas de prevenção da mpox estão relacionadas à redução do contato com o vírus, especialmente em situações de proximidade com pessoas infectadas.

Embora muitas dessas medidas sejam simples, elas desempenham um papel importante no controle da transmissão, principalmente em ambientes onde há circulação do vírus.

Entre as principais recomendações, estão:

  • evitar contato direto com lesões na pele
  • não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas, roupas ou lençóis
  • higienizar as mãos com frequência, utilizando água e sabão ou álcool em gel
  • manter as lesões cobertas sempre que possível
  • utilizar máscara em situações de contato próximo
  • permanecer em isolamento até a completa cicatrização das lesões
  • monitorar contatos próximos por até 21 dias após a exposição

Além disso, ao identificar sinais suspeitos, é importante procurar avaliação médica e evitar contato com outras pessoas até a confirmação do diagnóstico. Esse cuidado contribui para reduzir a disseminação e proteger outros indivíduos.

10. FAQ – Perguntas frequentes sobre monkeypox e mpox

Ao buscar informações sobre a doença, é comum que algumas dúvidas apareçam com mais frequência. A seguir, reunimos respostas para questões recorrentes, que ajudam a complementar o entendimento sobre a mpox.

A mpox é uma infecção sexualmente transmissível (IST)?

A mpox não é classificada como uma IST. No entanto, pode ser transmitida durante o contato íntimo, já que o vírus se espalha por meio do contato direto com lesões, fluidos corporais e secreções.

Quanto tempo dura a mpox?

Na maioria dos casos, a doença evolui ao longo de duas a quatro semanas, desde o início dos sintomas até a cicatrização completa das lesões.

Como são as feridas da mpox?

As lesões costumam passar por diferentes estágios, começando como manchas, evoluindo para bolhas com líquido e, posteriormente, formando crostas até a cicatrização.

Quem pode tomar a vacina contra mpox?

A vacinação é indicada para grupos específicos, definidos pelas autoridades de saúde, como pessoas com maior risco de exposição ou de evolução para formas graves da doença.

Ainda existem casos de mpox no Brasil?

Sim. Embora o número de casos tenha diminuído em relação ao pico inicial, o país ainda registra confirmações e mantém monitoramento ativo da doença.

 

Fontes

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