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Setembro Amarelo: sinais e cuidados para ficar alerta à saúde mental

O mês de prevenção ao suicídio – Setembro Amarelo – é uma oportunidade de pensar em ações de acolhimento, reconhecimento e encaminhamento de problemas mentais.

24/09/2020

O Brasil é o país mais deprimido da América Latina, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No País, 5,8% da população sofre da doença, sendo 7,7% das mulheres e 3,6% dos homens. Esse é um dos pontos mais abordados também no Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, com comunicações que estimulam a promoção da saúde mental.

 

O tema ainda é considerado tabu em algumas sociedades, por isso deve ser tratado com responsabilidade e seriedade. O atual momento de pandemia pode agravar e confundir ainda mais as pessoas sobre questões relacionadas à psique. Afinal, para muita gente, a sensação de medo, insegurança, tristeza e ansiedade agora têm se manifestado com frequência.

 

Saiba como diferenciar esses momentos de tristeza de sentimentos e comportamentos que podem levar ao adoecimento.

 

Esteja atento aos sinais

setembro amarelo - rede de apoio

 

Como diferenciar se o medo e a tristeza estão se tornando permanentes e agravando a saúde? A psiquiatra credenciada Omint, Dra. Yara Azevedo Prandi, aponta a seguir alguns pontos importantes para observar.

 

1. Os sentimentos se agravam e vêm acompanhados de sintomas físicos como falta ar, dor no corpo, palpitação, alterações de apetite ou de sono.

 

2. As emoções – como tristeza, raiva, medo, irritação ou aparente frieza – ficam intensas e parecem insuportáveis.

 

3. Os sentimentos dão espaço para comportamentos atípicos, como se tornar irritadiço e agitado, ou leva ao uso abusivo de substâncias.

 

4. Sentimentos negativos podem vir acompanhados de sintomas cognitivos, como falha de memória, menos concentração, confusão mental, ser repetitivo.

 

Para chegar à ideação suicida, existem também fatores de risco como histórico de abuso emocional e físico, violência doméstica ou histórico familiar de tentativas de tirar a própria vida. A psiquiatra lembra que 90% das pessoas que cometem suicídio têm algum transtorno mental, como depressão, ansiedade, psicose e dependência química.

 

Portanto, uma pessoa com a saúde mental afetada vai emitir sinais de que precisa de ajuda. Quem está por perto pode observar e ajudar com o encaminhamento, mas apenas um profissional – como o psiquiatra – está capacitado para diagnosticar e tratar as questões.

 

A pandemia acende um novo alerta

 

O momento atual de estado de pandemia e isolamento social por conta da Covid-19 pode trazer um agravamento à saúde mental, seja pelo medo de ser contaminado, de perder familiares, seja por estar longe da convivência social.

 

De acordo com a Dra. Yara, desde 1918 há registros de aumento de casos psiquiátricos em epidemias. No entanto, na pandemia do novo coronavírus já existem pesquisas que determinam o momento atual como mais delicado para a saúde mental.

 

Um estudo divulgado na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA) mostra que os sintomas de depressão aumentaram mais do que três vezes durante a pandemia de Covid-19, nos Estados Unidos, em comparação com dados anteriores.

 

Se sempre existiu uma piora de depressão e ansiedade em momentos como esse, por que a atual pandemia tem um cenário mais agravado? Ainda não há explicações comprovadas, mas a psiquiatra aponta a seguir para alguns fatores.

 

Infecção: o controle de contágio é mais delicado, exige cuidado coletivo. Isso traz um nível maior de medo e insegurança em lugares que costumávamos ter tranquilidade para circular.

 

Quarentena: a necessidade de isolamento social e escassez pode levar à solidão. Com isso, aumentam casos de depressão, ansiedade e pensamentos negativos.

 

Desconhecimento: como é um vírus novo e sem muita literatura publicada, há o medo do desconhecido. Ainda não existem tratamentos com eficácia 100% comprovada, as testagens ainda geram dúvidas e a vacina está na fase de pesquisas.

 

Mortalidade: a doença oferece alto risco, especialmente em algumas populações. Isso causa apreensão de como o próprio organismo pode reagir em caso de ser infectado ou de perder aqueles que amamos.

 

Recessão: a crise econômica tem gerado perda de emprego ou de renda para grande parte da população, o que traz grande insegurança sobre o futuro.

 

Notícias falsas: o alto volume de informações divulgadas na mídia pode despertar ansiedade. Além disso, há alta circulação de fake news, o que provoca a sensação de insegurança com a de não sabermos em quem confiar.

 

Portanto, os sentimentos normais desse atual contexto podem responder bem com o suporte de uma conversa com os amigos, buscando informação confiável (quando necessário) e mantendo uma rotina saudável.

 

“A pandemia pode ter corroído a saúde mental de algumas pessoas. Quando o medo e a tristeza são constantes, podem se tornar uma doença. Nesse caso, é necessário buscar ajuda profissional”, alerta a Dra. Yara Azevedo.

 

A médica reflete que agora temos a oportunidade para conscientizar que doença mental é uma patologia como outra qualquer, com diagnóstico e tratamento. “Se parte do medo que temos da Covid-19 é porque a ciência ainda não consegue diagnosticar nem tratar com excelência, depressão e ansiedade são doenças que psiquiatras e psicólogos sabem tratar e recuperar”, aponta.

 

Ela complementa com uma analogia para abrir os olhos das pessoas: “Quando encontramos uma mancha na pele, marcamos uma consulta no dermatologista imediatamente. Não demoramos quatro meses para pensar se é bom investigar ou não. Pode não ser nada, mas, se for algum problema, você deu a devida atenção para começar um tratamento quanto antes”.

 

>> Leia também: Saiba o que é labirintite emocional

 

O papel do RH no Setembro Amarelo

 

A OMS também já indicava, em 2017, que a depressão se tornaria a principal justificativa de afastamentos por doença do trabalho em 2020. Por isso, o entendimento dessa e de outras doenças mentais precisa ser difundido entre gestores de recursos humanos para que as empresas possam ajudar seus funcionários de forma efetiva.

 

No ambiente corporativo, há sinais que os colegas podem identificar para oferecer apoio ao indivíduo. O psiquiatra e psicanalista Dr. Mário Louzã, também credenciado Omint, lembra que é importante diferenciar distimia de um cenário de risco.

 

“Distimia é a depressão crônica que dificilmente culmina numa situação extrema. É a pessoa que está permanentemente apática, silenciosa, com um estado de espírito permanentemente triste. É diferente da pessoa que subitamente muda de humor e passa a apresentar pensamentos de pouca valia, com frases como ‘a vida não vale a pena’, ‘não tenho vontade de acordar no dia seguinte’.”

 

Com isso, é importante falar sobre transtornos mentais sem tabus para evitar que situações extremas. “Uma pessoa com ideação suicida, em geral, dá indícios que está com esse tipo de pensamento e, portanto, numa situação de risco. Se pudermos intervir a tempo, evitamos tentativas que culmine num resultado letal”, comenta.

 

A Dra. Yara Azevedo complementa que na prevenção ao suicídio precisamos abordar uma melhora da saúde mental como um todo. Quando sabemos quais são os fatores de risco, é possível agir rapidamente.

 

Além disso, a psiquiatra reforça que é necessário ter uma diminuição do preconceito com diagnóstico dentro do próprio ambiente de trabalho, com ações que minimizem o isolamento e a solidão de quem está em tratamento. Ter espaço para conversar abertamente sobre o tema e formar grupos que podem atuar de forma colaborativa também são dicas importantes.

 

Nesse contexto, Dr. Mário Louzã acrescenta que é fundamental que o RH apresente condutas claras de acolhimento a colaboradores com transtorno. Na maioria das vezes, o indivíduo que percebe em si mesmo alterações de humor e dificuldade em tocar tarefas do seu dia a dia tem vergonha e medo de encarar um diagnóstico de depressão.

 

“Existe o receio de sofrer represálias, preconceitos, julgamentos e, por isso, é primordial que ele tenha uma rede de apoio que dê suporte e o encoraje a buscar ajuda profissional”, aponta.

 

Para auxiliar as empresas a cuidar da saúde mental de seus colaboradores, desde 2015 a Omint disponibiliza o Programa de Saúde Emocional, voltado a apoiar os RHs de empresas parceiras na prevenção. As atividades auxiliam a fortalecer a saúde emocional e a conscientizar sobre os níveis de estresse na vida dos participantes.

 

Com isso, a companhia identifica casos que necessitam de acompanhamento específico e busca desmistificar a saúde mental para as pessoas nos ambientes de trabalho. Os profissionais da Omint garantem toda a estrutura e acolhimento necessários.

 

Ao longo dos anos, o Programa Saúde Emocional tem alcançado resultados positivos: no primeiro semestre de 2020, os encontros tiveram 90% de frequência, com redução de 47% do nível de estresse. Além disso, o Núcleo de Saúde e Prevenção da Omint (NUSP) disponibiliza às empresas clientes – no Setembro Amarelo e em todos os meses do ano – reuniões virtuais com dicas e ações preventivas às empresas e seus colaboradores.