Monkeypox: o que se sabe sobre a doença até agora?

Reunimos as principais informações sobre a varíola dos macacos, que tem casos confirmados no Brasil.

Publicado por administrador

1 de julho de 2022

O crescente número de casos confirmados da Monkeypox – popularmente conhecida como varíola dos macacos – fora das regiões endêmicas tem sido uma preocupação mundial. Já são mais de 5.000 pessoas infectadas, distribuídas por mais de 50 países (Dados de 04/07/22 – Organização Mundial da Saúde).

A principal concentração de notificações está na Europa, principalmente no Reino Unido, na Espanha, na Alemanha, em Portugal e na França.

Apesar de o mundo estar registrando ocorrências desde maio de 2022, a varíola dos macacos não é uma doença nova. Os primeiros episódios foram descobertos entre primatas em 1958 e o primeiro caso de infecção humana foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo.

Desde então, a Monkeypox (varíola dos macacos) tem sido endêmica em países da África Central e Ocidental, com maior incidência nos últimos 5 a 10 anos, e inclusive levando a óbitos no continente.

Ao longo deste texto, você irá ter acesso às principais informações sobre a Monkeypox, como sintomas e impactos na saúde, período de incubação do vírus, formas de transmissão e prevenção, posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), tratamento e vacinação, e como é feito o monitoramento de casos no Brasil. Confira!

 

Quais os efeitos da doença na saúde do paciente?

A varíola dos macacos é uma doença rara causada pelo vírus Monkeypox, pertencente ao gênero Ortopoxvirus da família Proxviridae. São conhecidas duas cepas do vírus: a da África Ocidental, única identificada no surto recente fora do continente africano e que parece ser mais branda, com 1% a 3% de taxa de letalidade, e a da Bacia do Congo, que é mais perigosa e apresenta até 10% de taxa de letalidade.

O período de incubação do vírus é de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias. Os sintomas se assemelham, em menor grau, aos observados em pacientes com a varíola humana, doença erradicada em 1980, e se dividem em duas fases. Febre, dores de cabeça e no corpo, calafrios, linfonodos inchados e exaustão aparecem na primeira etapa, que tem duração de 3 a 5 dias.

Erupções cutâneas no rosto, na palma das mãos, na sola dos pés, nos olhos, na boca ou nos genitais – que apresentam cinco diferentes estágios (máculas, pápulas, vesículas, pústulas e, ao final, crostas) – surgem na segunda etapa a partir do 4º ou 5º dia. As lesões cutâneas podem ser desconfortáveis e pruriginosas, causando coceira e/ou dores. Assim é importante observar e tratar as lesões.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Monkeypox é muitas vezes autolimitada e seus sintomas tendem a desaparecer espontaneamente dentro de 14 a 21 dias. É também menos contagiosa e costuma apresentar quadros mais leves que a varíola humana (smallpox).

Pessoas imunossuprimidas, como pacientes com HIV/Aids, leucemia, linfomas e metástase, doenças autoimunes, transplantados, grávidas, lactantes e crianças, que já têm sistema imunológico debilitado ou não tão eficaz, são as que apresentam maior risco de agravamento dos quadros. Nesse caso, a varíola dos macacos pode levar a infecções secundárias e a complicações.

Em casos de sintomas ou contato próximo com algum infectado, deve-se procurar atendimento médico quanto antes. A confirmação ou descarte da doença se dá por exames laboratoriais utilizando o método PCR, que complementam a análise clínica e ajudam a diferenciar a infecção por Monkeypox de outras doenças que também apresentam erupção cutânea, como herpes zoster, sarampo, catapora e sífilis.

Para o teste, são utilizadas amostras de conteúdos extraídos das lesões cutâneas (bordas, crostas ou esfregaços da superfície).

 

Como se dá a transmissão da Monkeypox (varíola dos macacos)?

A Monkeypox é uma zoonose silvestre, ou seja, transmitida de animais para humanos. As infecções humanas incidentais ocorrem esporadicamente entre países da África Central e Ocidental. Porém, embora receba esse nome e tenha feito macacos como primeiras vítimas, o reservatório animal do vírus permanece desconhecido e há suspeita de que sejam roedores selvagens.

O vírus da varíola dos macacos é transmitido pelo contato direto e prolongado com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos contaminados de uma pessoa infectada. Esse contato pode ser por abraço, beijo, massagem e até mesmo relações sexuais, embora a Monkeypox não seja classificada como uma infecção sexualmente transmissível (IST).

Vale ressaltar que a transmissão se dá principalmente por pessoas sintomáticas e, com a queda da crosta da erupção cutânea, elas deixam de infectar outras.

A transmissão local tem avançado pelo mundo e muitos países que registram casos da infecção viral já identificaram casos autóctones (de transmissão local). A OMS reconhece que muitos aspectos do atual surto em vários países são incomuns, como a disseminação de casos além das regiões endêmicas, onde a Monkeypox não havia sido documentada anteriormente ou era registrada pontualmente em viajantes que retornaram do continente africano.

O Reino Unido foi o primeiro país a detectar a transmissão comunitária na população em maio de 2022, e desde então os Estados Unidos e o Brasil também já reconheceram a ocorrência de casos locais.

Para se prevenir contra a doença, é recomendado que residentes e viajantes de países endêmicos evitem contato com animais doentes (vivos ou mortos) que possam abrigar o vírus (roedores, primatas e marsupiais) e que se abstenham de comer ou manusear caça selvagem. Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel também ajudam a reprimir a exposição à Monkeypox.

Deve-se ainda não ter contato com pessoas infectadas nem compartilhar objetos (roupas, toalhas, roupa de cama) e superfícies usados por pessoas contaminadas e com lesões na pele.

É possível monitorar o número de pessoas infectadas no Brasil pela Sala de Situação de Monkeypox, que é atualizada diariamente com novas informações.

 

Tratamento e vacinação

Ainda não existe um tratamento específico para a Monkeypox. A infecção tende a ser leve, com sintomas desaparecendo em até quatro semanas, e o paciente pode se recuperar sem precisar de intervenções. Repouso e hidratação oral são recomendados durante o período de recuperação, e médicos podem prescrever remédios reguladores, que diminuam dor, prurido e febre, dependendo do quadro.

Estudos demonstraram que a vacinação contra a varíola comum (smallpox) é 85% eficaz na prevenção contra a varíola dos macacos. Assim, a vacinação prévia contra a varíola pode abrandar os efeitos da infecção viral causada pela Monkeypox. Porém a campanha foi descontinuada após a imunização global estimulada pela OMS e posterior erradicação da doença em 1980. Assim, populações abaixo de 40 e 50 anos não tomaram mais a vacina. No Brasil, a vacina deixou de ser aplicada no início dos anos 1980.

Desde o último 14 de junho, a OMS recomenda a vacinação de grupos prioritários, como profissionais de saúde em risco, equipes de laboratório que atuam com Ortopoxvirus, especialistas em análises clínicas que diagnosticam a doença, pessoas que tenham tido contato com pacientes diagnosticados com a Monkeypox e outros que possam estar em risco de acordo com as autoridades nacionais de saúde pública. Porém, no momento, a vacinação em massa ainda não é recomendada pela Organização.

 

Quais as pessoas mais expostas ao vírus Monkeypox?

Diferentes grupos populacionais estão sendo afetados pela circulação do vírus, independentemente de orientação ou prática sexual, como ressaltou Hans Henri P. Kluge, diretor regional da OMS para a Europa.

Profissionais de saúde que possam estar em contato com potenciais pacientes infectados também se incluem no grupo, e a OMS ressalta a importância de uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado como medida básica para que eles não sejam expostos.

 

A varíola dos macacos é classificada como “emergência sanitária global”?

Para a OMS, o estágio de expansão da varíola dos macacos ainda não é uma emergência sanitária global, conforme decretado no último 25 de junho, após análise de especialistas. Mas, ainda assim, a situação é preocupante. Tanto a ONU quanto os cientistas ressaltam a necessidade de os governos intensificarem as ações de monitoramento e vigilância, rastreamento de contatos e isolamento dos pacientes, numa tentativa de controlar o número de casos.

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