Ergonomia: o que é, tipos, importância e como aplicar no dia a dia

Entenda como a ergonomia pode contribuir para o conforto, a saúde e a qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho

Publicado por Ana Luisa

10 de julho de 2026

Passar horas sentado em frente ao computador, utilizar o celular por longos períodos ou permanecer na mesma posição durante a jornada de trabalho faz parte da rotina de milhões de pessoas. Embora essas situações pareçam comuns, elas podem provocar desconfortos, dores e impactos na saúde quando acontecem de forma repetitiva e sem os cuidados adequados com a ergonomia. 

Nesse contexto, a ergonomia ganha cada vez mais relevância. Muito além da escolha de uma cadeira confortável ou da postura correta diante do computador, ela busca adaptar ambientes, equipamentos e atividades às características e necessidades das pessoas. 

A preocupação com a ergonomia também acompanha as mudanças na forma de trabalhar. O crescimento do home office, o aumento do tempo de tela e as transformações tecnológicas tornaram ainda mais importante a adoção de hábitos que favoreçam o conforto, a saúde e o bem-estar ao longo do dia. 

Neste conteúdo, você vai entender o que é ergonomia, quais são seus principais tipos, por que ela é importante para a saúde e como aplicar seus princípios de forma prática na rotina. 

1. O que é ergonomia e qual seu objetivo? 

1.1 O que significa ergonomia? 

A palavra ergonomia tem origem nos termos gregos ergon (trabalho) e nomos (regras ou leis). De forma simples, ela pode ser entendida como o conjunto de conhecimentos que busca adaptar as condições de trabalho às características humanas. 

Na prática, a ergonomia estuda a relação entre as pessoas e os elementos com os quais elas interagem diariamente, como mobiliário, equipamentos, ferramentas, ambientes e processos de trabalho. 

Seu objetivo não é fazer com que a pessoa se adapte ao ambiente, mas justamente o contrário: adequar o ambiente e as atividades às capacidades e limitações humanas.

1.2 Qual é o objetivo da ergonomia? 

O principal objetivo da ergonomia é promover conforto, segurança, saúde e eficiência durante a realização de atividades. 

Isso significa criar condições que reduzam esforços excessivos, minimizem riscos à saúde e permitam que as tarefas sejam realizadas de forma mais confortável. 

Ao mesmo tempo, a ergonomia busca melhorar a experiência das pessoas em diferentes contextos, desde escritórios e indústrias até escolas, hospitais e residências.

1.3 Ergonomia é apenas postura? 

Essa é uma das dúvidas mais comuns sobre o tema. Embora a postura seja um dos aspectos analisados pela ergonomia, ela representa apenas uma parte do conceito.  

A disciplina também considera fatores como iluminação, temperatura, ruídos, organização das atividades, pausas durante a jornada e até mesmo a forma como as informações são apresentadas e processadas. 

Por isso, falar em ergonomia é falar sobre a interação entre pessoas, ambientes e atividades de forma ampla. 

2. Ergonomia no trabalho: por que ela é importante?

2.1 Benefícios da ergonomia para a saúde 

Quando as condições de trabalho não são adequadas, o corpo costuma dar sinais. Dores nas costas, tensão no pescoço, desconforto nos ombros, cansaço excessivo e dores nos punhos são alguns exemplos. 

A ergonomia ajuda a reduzir esses problemas ao diminuir situações que geram sobrecarga física ou exigem esforço desnecessário. 

Além disso, ambientes ergonomicamente adequados contribuem para a prevenção de lesões musculoesqueléticas e outros problemas relacionados ao trabalho. 

2.2 Benefícios para o bem-estar e a qualidade de vida

Os impactos da ergonomia vão além da saúde física. 

Ambientes mais confortáveis favorecem a concentração, reduzem a sensação de fadiga e tornam a rotina mais agradável. Isso pode influenciar diretamente a disposição para realizar tarefas e até mesmo a percepção de bem-estar ao longo do dia. 

Pequenas mudanças, como ajustar a altura do monitor ou fazer pausas regulares, podem fazer diferença significativa quando incorporadas à rotina.

2.3 Ergonomia e produtividade no dia a dia

Trabalhar com desconforto constante exige mais esforço físico e mental. 

Quando o ambiente oferece melhores condições, as pessoas tendem a realizar suas atividades com mais facilidade e menos desgaste. Consequentemente, tarefas que antes exigiam grande esforço podem ser executadas de forma mais eficiente. 

Por isso, a ergonomia é frequentemente associada à melhoria da qualidade de vida e ao aumento da produtividade. 

3. Quais são os tipos de ergonomia?

A ergonomia pode ser dividida em diferentes áreas de atuação, cada uma voltada para aspectos específicos da relação entre as pessoas e suas atividades.

3.1. Ergonomia física

A ergonomia física está relacionada às características do corpo humano. Ela envolve fatores como postura, movimentos repetitivos, levantamento de cargas, disposição do mobiliário e adequação dos equipamentos utilizados no dia a dia. 

Quando uma cadeira oferece apoio inadequado para a coluna ou quando um monitor está posicionado em altura incorreta, por exemplo, estamos diante de questões relacionadas à ergonomia física. 

3.2. Ergonomia cognitiva 

A ergonomia cognitiva analisa os processos mentais envolvidos na realização das atividades. 

Aspectos como atenção, memória, tomada de decisão, concentração e processamento de informações fazem parte desse campo. 

Ambientes que geram excesso de estímulos, interrupções constantes ou sobrecarga mental podem prejudicar o desempenho e aumentar o desgaste psicológico.

3.3. Ergonomia organizacional

A ergonomia organizacional está relacionada à forma como o trabalho é estruturado. 

Ela considera fatores como distribuição de tarefas, comunicação, horários, pausas e organização das atividades. 

Seu objetivo é criar condições que favoreçam o equilíbrio entre as demandas do trabalho e as necessidades das pessoas.

4. O que é risco ergonômico?

Risco ergonômico é qualquer situação que possa causar desconforto, sobrecarga física ou mental e aumentar a probabilidade de problemas relacionados à saúde. 

Esses riscos podem estar presentes em diferentes atividades e nem sempre são percebidos imediatamente. 

4.1 Exemplos de riscos ergonômicos

Entre os exemplos mais comuns estão: 

  • Posturas inadequadas: permanecer muito tempo sentado ou em posições desconfortáveis pode gerar dores e sobrecarga muscular. 
  • Movimentos repetitivos: atividades realizadas repetidamente ao longo do dia podem aumentar o risco de lesões
  • Esforço físico excessivo: levantar ou transportar peso sem orientação adequada pode sobrecarregar músculos e articulações. 
  • Jornadas prolongadas sem pausas: permanecer muito tempo realizando a mesma atividade favorece o aparecimento de fadiga.  

4.2 Quais problemas podem surgir?

Quando os riscos ergonômicos permanecem por longos períodos, podem surgir dores musculares, desconfortos articulares, fadiga física e mental, além de diferentes tipos de lesões relacionadas ao trabalho. 

Por isso, identificar esses fatores precocemente é uma etapa importante para a prevenção. 

 

5. Ergonomia e NR-17: o que diz a norma?

5.1. O que é a NR-17?

A NR-17 é uma Norma Regulamentadora brasileira que estabelece parâmetros para a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. 

Seu objetivo é promover conforto, segurança e desempenho adequado durante a realização das atividades. 

A norma aborda temas como mobiliário, equipamentos, organização do trabalho e condições ambientais. 

Embora seja voltada principalmente para os ambientes profissionais, seus princípios também ajudam a compreender a importância da ergonomia na rotina. 

6. Como aplicar ergonomia no dia a dia?

Adotar práticas ergonômicas não exige mudanças complexas. Muitas vezes, pequenos ajustes já podem trazer benefícios. 

6.1. Ajuste cadeira, mesa e monitor

Sempre que possível, a cadeira deve permitir apoio adequado para a região lombar e manter os pés apoiados no chão ou em um suporte. 

O monitor deve ficar posicionado de forma que o topo da tela esteja próximo à linha dos olhos, evitando inclinações excessivas da cabeça. 

6.2. Faça pausas ao longo do dia

Permanecer muito tempo na mesma posição não é recomendado. 

Uma estratégia simples é levantar-se regularmente para caminhar, alongar o corpo, beber água ou realizar pequenas movimentações. 

6.3. Atenção ao uso de notebooks e celulares

O uso prolongado desses dispositivos costuma favorecer posições inadequadas para o pescoço e para os ombros. 

Quando possível, vale utilizar suportes para elevar a tela e acessórios externos, como teclado e mouse. 

6.4. Cuide da iluminação

Ambientes muito escuros ou excessivamente iluminados podem causar desconforto visual e fadiga. 

A iluminação deve permitir a realização das atividades sem esforço excessivo dos olhos. 

6.5. Pratique atividade física regularmente

A ergonomia não substitui a atividade física. 

Manter o corpo em movimento ajuda a fortalecer músculos, melhorar a mobilidade e reduzir os efeitos do tempo prolongado em posições estáticas. 

7. Postura e ergonomia: qual é a relação?

Durante muito tempo, a ergonomia foi associada apenas à ideia de “sentar corretamente”. Embora a postura seja importante, a realidade é mais complexa. 

Não existe uma única posição capaz de eliminar completamente o desconforto. O corpo humano foi feito para se movimentar. 

Por isso, além de buscar uma postura confortável, é fundamental variar posições ao longo do dia, levantar-se periodicamente e evitar longos períodos de imobilidade. 

A combinação entre postura adequada, pausas regulares e movimentação frequente costuma trazer resultados mais positivos do que a tentativa de permanecer imóvel em uma única posição considerada ideal.

8. Como criar hábitos mais ergonômicos no dia a dia?

8.1. Pequenas mudanças fazem diferença 

Muitas vezes, a ergonomia está relacionada a hábitos simples. 

Ajustar a altura da cadeira, reposicionar o monitor ou utilizar um apoio para os pés são exemplos de mudanças que podem ser implementadas rapidamente. 

8.2. Movimente-se sempre que possível 

Subir escadas, caminhar pequenas distâncias, levantar-se durante ligações telefônicas e alternar períodos sentado e em pé são formas de incorporar mais movimento à rotina.

8.3. Observe os sinais do corpo

Dores frequentes, desconforto persistente e sensação constante de cansaço merecem atenção. 

Esses sinais podem indicar que algo precisa ser ajustado no ambiente ou na forma como as atividades estão sendo realizadas.

9. FAQ – Perguntas frequentes sobre ergonomia

Ergonomia é importante apenas para quem trabalha em escritório? 

Não. Os princípios da ergonomia podem ser aplicados em diferentes contextos, incluindo atividades domésticas, industriais, comerciais e até mesmo durante momentos de lazer. 

Ergonomia elimina completamente as dores? 

A ergonomia contribui para reduzir fatores que favorecem desconfortos e sobrecargas. No entanto, dores podem ter diferentes causas e, em alguns casos, exigem avaliação profissional. 

Quem trabalha em home office também deve se preocupar com ergonomia? 

Sim. A organização adequada do espaço de trabalho em casa é importante para reduzir desconfortos e promover mais bem-estar durante a jornada. 

Atividade física substitui a ergonomia? 

Não. Ambas são complementares. Enquanto a atividade física contribui para a saúde e o condicionamento do corpo, a ergonomia busca tornar as atividades do dia a dia mais seguras e confortáveis. 

 

Referências

  1. Ministério da Saúde. Cartilha Ergonomia. Norma Regulamentadora No. 17 (NR-17) — Ministério do Trabalho e Emprego
  2. Ministério da Saúde. NR-17. https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-17-atualizada-2022.pdf 
  3. International Ergonomics Association (IEA).  International Ergonomics Association | Global federation of human factors/ergonomics societies.
  4. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ergonomia. __ergonomia.indb
  5. Vidal, Mario Cesar. Introdução à Ergonomia.

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