Janeiro Branco e a importância dos cuidados com a saúde mental

A conscientização sobre um recomeço mais gentil consigo mesmo.

Publicado por Juliana Brito

4 de janeiro de 2022

Durante o primeiro mês do ano, acontece a campanha Janeiro Branco, criada em 2014 com o objetivo de chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas.

Para que você entenda um pouco melhor sobre a campanha, suas motivações e cuidados com a saúde mental na vida pessoal e profissional, conversamos com a Dra. Yara Azevedo Prandi, psiquiatra e médica credenciada Omint, que explicou os principais pontos sobre o assunto.

Neste artigo você vai conferir:

O que é a campanha Janeiro Branco?

O Janeiro Branco é uma campanha brasileira criada em 2014 com o objetivo de ampliar o debate sobre a saúde mental e emocional na sociedade. A iniciativa parte da premissa de que cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo e busca estimular o autocuidado, a escuta e a procura por apoio profissional sempre que necessário.

A campanha mobiliza profissionais de saúde, empresas, escolas e a sociedade civil por meio de palestras, oficinas, rodas de conversa e conteúdos educativos, contribuindo para a redução do estigma em torno dos transtornos mentais e para a promoção de informação de qualidade.

Origem e objetivos da campanha

 

Criado no Brasil, o Janeiro Branco nasceu com a proposta de convidar as pessoas a refletirem sobre suas emoções, relações e escolhas de vida, incentivando uma postura mais consciente em relação à saúde mental ao longo do ano.

Por que o mês de janeiro foi escolhido?

Janeiro carrega um forte simbolismo cultural. É o mês dos recomeços, das metas e das reflexões sobre o que ficou para trás e o que se deseja construir. Esse contexto favorece uma pausa para olhar para dentro, avaliar expectativas e repensar rotinas, tornando o período especialmente propício para falar sobre saúde mental.

Marco legal — Lei 14.556 e a oficialização da campanha

Em 2023, a campanha ganhou reconhecimento oficial com a sanção da Lei nº 14.556, que instituiu o Janeiro Branco no calendário nacional. A legislação reforça a importância de ações contínuas de conscientização, prevenção e promoção da saúde mental em todo o país.

Janeiro Branco 2026

Em 2026, o Janeiro Branco traz como eixo “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”. Em um mundo cada vez mais marcado por pressões constantes, excesso de estímulos e falta de pausas, o convite é claro: desacelerar, olhar para dentro e reconstruir vínculos — consigo, com o outro e com a vida cotidiana.

Recuperar o equilíbrio emocional é fundamental não apenas para o bem-estar individual, mas também para a qualidade das relações sociais, dos ambientes de trabalho e das instituições que fazem parte da nossa rotina.

Com esse olhar, a campanha propõe uma reflexão sobre como temos lidado com as urgências do dia a dia e como podemos transformar sobrecarga em cuidado. O uso simbólico dos post-its – que pode ser visto no site da campanha – representa justamente esse movimento: organizar pensamentos, dar nome às emoções e criar espaços de escuta e atenção à saúde mental em meio à correria.

 

Psicofobia e o tabu dos tratamentos psiquiátricos

O cuidado com a saúde mental pode, muitas vezes, ser visto como “frescura” ou “coisa de gente louca”. Na verdade, cuidar da saúde mental e visitar um psiquiatra deveria ser considerado normal, assim como qualquer outra condição física, como dor de cabeça ou estômago. O preconceito com questões mentais também tem um nome: psicofobia.

O médico psiquiatra estuda e é formado exatamente para que ele possa dar um diagnóstico, de que a condição patológica está presente ou não. Somente ele consegue diferenciar se é apenas tristeza ou algum tipo de depressão, ou se a sua ansiedade é apenas um medo natural do corpo ou está prejudicando seu dia a dia.

Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores as chances de sucesso no tratamento. Por isso, não tenha medo de visitá-lo se começar a achar que há algo de errado.

O tratamento com um psiquiatra pode durar semanas, meses ou até anos, e você não deve se sentir aflito por achar que vai ficar “dopado” de remédios ou viciado em algum tipo de medicação. Quando o diagnóstico é feito, o objetivo do psiquiatra é que você tenha mais qualidade de vida, e não ao contrário.

Sempre pense que, quando você nota algo estranho na sua pele, por exemplo, você imediatamente procura um dermatologista. Então por que não procurar um psiquiatra quando sente algo incômodo com seus pensamentos?

Muitas vezes, a insônia, a falta de apetite e outras mudanças no comportamento podem estar ligadas a desequilíbrios químicos do cérebro, fatores que podem alterar a nossa rotina e a qualidade de vida. Essas questões muitas vezes podem ser diagnosticadas por um psiquiatra.

 

A quais sinais devo ficar atento?

Você pode estar se perguntando a quais sinais você tem de ficar atento caso a sua saúde mental esteja comprometida. Até porque os indícios podem ser facilmente confundidos.

É importante lembrar que o medo é um sentimento natural do ser humano e está presente no nosso dia a dia. O problema é quando ele aparece de forma exacerbada e começa a atrapalhar o cotidiano.

A preocupação normal do ser humano não interfere no dia a dia, é controlável, não causa sofrimento, é passageira e se limita a fatos realistas e a situações específicas.

Passa a ser um problema e sinalizar a ansiedade generalizada quando essas preocupações causam sofrimento de forma significativa, são intensas, perturbadoras e existem em tempo integral, interferindo na rotina.

Aqui podemos citar também as diferenças entre “medo” e “fobia”. Enquanto o medo é natural e nos protege de situações perigosas, a fobia é um medo exagerado e desproporcional ao perigo.

Quanto à tristeza e à depressão, ressaltamos que a primeira também é um sentimento normal do ser humano. Está ligada a um fato ocorrido, geralmente ligado a perdas, é passageira e limitada a situações específicas também.

Já quando falamos dos primeiros sinais de uma depressão, a tristeza se estende por várias semanas, tomando conta de toda a realidade do indivíduo. Caracteriza-se ainda por pensamentos invasivos, perda de interesse e principalmente alteração de sono, fome e libido.

Somente um profissional qualificado pode diagnosticar de fato se há a presença de uma doença ou não, mas é importante saber quais os primeiros sinais podem indicar um possível problema. Dessa forma, fica mais fácil saber quando procurar ajuda ou até mesmo aconselhar alguém próximo a procurar um profissional.

Como as empresas devem lidar com a saúde mental?

Nomeações como Síndrome de Burnout e Boreout surgiram no decorrer dos anos, mas é necessário ficar atento para que novos nomes não sejam dados para condições já antes existentes.

“O paciente procura um psiquiatra achando que está com uma dessas duas condições, quando na verdade isso é apenas decorrente de um transtorno de ansiedade ou depressão. Por isso, precisa ser avaliado”, reforça Dra. Yara.

As organizações devem, acima de tudo, se mostrar abertas para acolher pessoas com transtornos mentais, para que elas se sintam confortáveis para falar a verdade.

Quando há acolhimento e o colaborador se sente seguro, a tendência é que ele seja mais produtivo e criativo, trazendo benefícios não só para o contratante, mas também para o funcionário, que sente que não é só apenas um número e que seu trabalho realmente importa e faz a diferença.

As empresas precisam fortemente trabalhar para diminuir o estigma em torno das doenças mentais, incentivar que os problemas sejam compartilhados, promover o bem-estar do funcionário, assim como a diminuição do estresse.

Iniciativas para a redução do preconceito com medicações psiquiátricas também devem ser promovidas, assim como avaliações psiquiátricas periódicas devem ser realizadas.

Manter os canais abertos para que esse tipo de diálogo aconteça dentro da empresa é benéfico para ambos os lados. As empresas do futuro precisam começar a colocar isso em prática, caso ainda não tenha sido feito.

Além do olhar proativo sobre a necessidade cada vez mais latente dos colaboradores em receberem esse tipo de apoio, é importante que as empresas acompanhem as mudanças e obrigatoriedades da legislação. Desde 2025, a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) traz novas regras para as empresas na questão da saúde mental.

Com a atualização, o capítulo 1.5 da Norma passou a exigir que o gerenciamento de riscos ocupacionais inclua também os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, como estresse, assédio e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional

Em vídeo, confira mais informações detalhadas pela Drª. Anai Auada, psicóloga credenciada Omint.

Como posso me cuidar melhor?

Acima de qualquer coisa, o autoconhecimento é indispensável para que saibamos cuidar da nossa saúde mental. Aprender a reconhecer medos, virtudes, limites e angústias é o primeiro passo.

Falar sobre essas situações pode ser difícil, mas nos auxilia a lidar melhor com todos elas. Por isso, é tão necessário falar sobre o assunto e ressaltar a importância do cuidado com a saúde mental. Afinal, o cérebro é um órgão como qualquer outro.

A meditação, os exercícios físicos e o descanso são tão essenciais quanto procurar ajuda psicológica para checar se está tudo bem com você.

Estabelecer uma rotina de trabalho, fazer pausas e descansar acordado são ações necessárias para que seu cérebro se organize e seja produtivo na medida certa. Além disso, não se esqueça de reservar os momentos de lazer.

Não tenha medo de procurar um psiquiatra ou de uma possível medicação: ela foi feita apenas para auxiliar ainda mais na sua qualidade de vida.

Agora que você já sabe de tudo isso, que tal cuidar mais da sua saúde emocional e psicológica? Afinal, é ela que determina que todas as outras áreas da sua vida corram bem como deve ser. A Omint conta com profissionais especializados para ajudar você nessa jornada. Vamos juntos?

 

FAQ

O que é a campanha Janeiro Branco?

É uma campanha nacional de conscientização sobre saúde mental e emocional.

Por que janeiro é o mês da saúde mental?

Porque simboliza recomeços, reflexões e planejamento para o novo ano.

Qual o tema do Janeiro Branco 2026?

O tema pode variar a cada ano, mas mantém o foco no cuidado emocional e na prevenção. Em 2026, o tema é Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.

Quais são os pilares da saúde mental?

Autoconhecimento, equilíbrio emocional, relações saudáveis e apoio profissional.

O que a CLT diz sobre saúde mental no trabalho?

A legislação prevê ambientes de trabalho seguros e a prevenção de riscos psicossociais.

O que é a NR-1?

A NR-1 é a Norma Regulamentadora que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Ela orienta as empresas sobre a identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais, incluindo os riscos psicossociais, reforçando a responsabilidade das organizações na promoção do bem-estar físico e mental dos trabalhadores.

Como posso melhorar minha saúde mental e emocional?

Com hábitos saudáveis, diálogo aberto, equilíbrio de rotina e acompanhamento profissional quando necessário.

Qual a diferença entre psicólogo e psiquiatra?

O psicólogo é o profissional que atua principalmente por meio da psicoterapia, ajudando a compreender emoções, comportamentos e padrões de pensamento. Já o psiquiatra é médico, capacitado para diagnosticar transtornos mentais, solicitar exames e prescrever medicamentos quando indicado. Em muitos casos, o acompanhamento conjunto desses profissionais traz melhores resultados.

 

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