Você sabia que o câncer de pele representa 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil? Esse dado de 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde pode parecer alarmante, mas reforça a importância de cuidar da pele diariamente e adotar hábitos simples que fazem toda a diferença na prevenção.
A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura ultrapassam 90%.
Neste conteúdo, você vai descobrir o que é o câncer de pele, seus principais sintomas, tipos, tratamentos e formas eficazes de prevenção. Para trazer informações confiáveis, conversamos com a Dra. Luciane Scattone, médica dermatologista credenciada Omint, que compartilhou orientações essenciais sobre o tema.
Boa leitura!
O que é o câncer de pele?
O câncer de pele ocorre quando as células das camadas da pele começam a se multiplicar de forma desordenada, dando origem a um tumor. Esse tumor pode ser classificado em três tipos principais, dependendo da camada onde se desenvolve: epiderme, derme ou hipoderme.

Causas do câncer de pele
Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que o Brasil é um país tropical, onde a incidência solar é intensa durante a maior parte do ano. Essa exposição constante exige cuidados redobrados, já que os raios UVA e UVB estão entre os principais responsáveis pelo câncer de pele, contribuindo diretamente para o desenvolvimento desse tipo de tumor.
Porém, normalmente, muitas pessoas deixam de usar filtro solar em dias nublados ou chuvosos. Mas acredite: mesmo nessas condições, ele continua sendo indispensável. Quer saber por quê?
“As nuvens filtram apenas 70% dos raios solares, os outros 30% passam normalmente. Além disso, temos dois tipos de raios sendo emitidos pelo sol: UVA e UVB. Enquanto o UVB nos passa aquela sensação quente do sol, o UVA não traz essa sensação de calor, porém ambos são prejudiciais para a nossa pele. Por isso, o filtro solar é indispensável no seu dia a dia”, afirma a Dra. Luciane Scattone.
Os raios UVA conseguem atingir as camadas mais profundas da pele, sendo ainda mais prejudiciais, pois contribuem para danos celulares e aceleram o envelhecimento precoce.
Vale lembrar que tomar sol não é totalmente ruim. Ele é essencial para diversos processos do nosso corpo, como a produção de vitamina D. Mas atenção: é preciso se expor com cuidado!
Quem tem maior risco de desenvolver câncer de pele?
Embora qualquer pessoa possa ser afetada, alguns perfis apresentam maior probabilidade devido a fatores como características genéticas, hábitos de exposição ao sol e condições de saúde. Confira a seguir quais são esses fatores e por que eles aumentam o risco:
- Indivíduos de pele clara, olhos claros, albinos ou com maior sensibilidade à radiação solar.
- Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.
- Indivíduos que já tiveram problemas dermatológicos prévios.
- Profissionais que atuam em atividades expostos diretamente ao sol.
- Exposição frequente e prolongada à luz solar.
- Uso de câmeras de bronzeamento artificial.
Neste vídeo a Dra. Luciane explica um pouco mais sobre o assunto:
Quais os tipos de câncer de pele?
Assim como qualquer outro câncer, existem muitas variações de uma mesma doença: tumores benignos, malignos, casos mais sérios, outros mais simples. Por isso, é necessário lembrar que cada indivíduo deve ser tratado de acordo com a sua condição.
Porém, os tipos de câncer de pele mais comuns são três: carcinoma basocelular (CBC), carcinoma espinocelular (CEC) e melanoma. Veja a seguir como se apresenta cada um deles.
Carcinoma basocelular (CBC): é o mais comum de todos os tipos e o mais fácil de tratar. Esse tipo de câncer surge logo na camada mais superficial da epiderme e pode ser curado caso seja descoberto precocemente.
É mais comum em áreas que estão mais expostas ao sol, como cabeça, pescoço, colo, orelhas, ombros e costas.
Nesse caso, os primeiros sinais geralmente são lesões avermelhadas, brilhosas e podem sangrar com facilidade e até mesmo coçar.
Esse tipo de câncer não costuma ser metastático, ou seja, não se espalham para outros lugares do corpo, sendo de fácil remoção e tratamento.
Carcinoma espinocelular (CEC): é o segundo tipo mais comum e, também, surge em áreas mais expostas ao sol, porém já atinge as camadas da pele um pouco mais profundamente, no qual há contato com a corrente sanguínea. Por isso, ele pode ser metastático.
Nesse tipo, as lesões são mais caracterizadas por queratoses actínicas. “O paciente pode chegar com uma queixa de uma área de ‘aspereza’ na pele, que, mesmo retirando, volta. Isso pode ser sinal de CEC. São mais comuns do lado do rosto e do nariz”, sinaliza a dermatologista.
Melanoma: é o mais raro entre eles e o mais grave, porém, se detectado logo no início, tem mais de 90% de chance de cura.
O melanoma é caracterizado por pintas de cor escura, com bordas irregulares, sendo alta ou não, e podem sangrar.
Essas já não são comuns apenas em áreas expostas e podem aparecer por toda a extensão do corpo, exigindo a autoanálise. Caso o indivíduo note alguma lesão parecida com essas características, deve procurar um dermatologista o quanto antes para que sejam feitos os exames necessários.
Como você pode ver, os tipos de câncer existentes variam na sua gravidade, mas resumidamente são diferenciados pela camada da pele atingida, assim como na imagem a seguir:

Vale lembrar que o fator hereditário influencia no desenvolvimento da doença e a exposição solar também contribui para o desenvolvimento desses tumores.
No geral, os sintomas do câncer de pele são:
– manchas que coçam ou descamam;
– pintas que mudam de tamanho, cor ou sangram;
– feridas que não cicatrizam em 4 semanas.
Caso você note qualquer uma dessas características, procure por um dermatologista, pois somente um profissional poderá diagnosticá-lo. Caso não haja nenhuma lesão, pelo menos inclua na sua agenda um check-up anual, okay?
Como é feito o diagnóstico do câncer de pele
Identificar o câncer de pele precocemente é essencial para aumentar as chances de cura. O diagnóstico de câncer de pele é realizado exclusivamente por um dermatologista, que avaliará visualmente as lesões e poderá solicitar exames específicos. Veja como funciona:
Exame clínico
O dermatologista avalia a pele com lupa ou dermatoscópio, observando alterações de cor, formato, bordas e evolução de pintas e manchas.
Dermatoscopia digital
Recurso que permite registrar e acompanhar, de forma comparativa, o aspecto das lesões ao longo do tempo.
Biópsia
Quando há suspeita, o médico remove parte da lesão (ou toda ela) para análise laboratorial.
A biópsia é o principal exame para detectar câncer de pele, pois confirma o tipo de tumor.
Exames complementares
Em casos avançados, podem ser solicitados:
– ultrassom de pele
– tomografia
– ressonância magnética
– exames para avaliar possível metástase
Quais são os tratamentos para o câncer de pele
O câncer de pele tem tratamento e ele varia dependendo do tipo de câncer, tamanho da lesão, profundidade e localização.
Cirurgia
É o tratamento mais comum, especialmente para CBC e CEC. Pode envolver a remoção simples da lesão ou técnicas reconstrutivas.
Cirurgia micrográfica de Mohs
Muito utilizada em áreas delicadas, como rosto. Retira o câncer camada por camada, preservando tecidos saudáveis.
Crioterapia
Congelamento da lesão com nitrogênio líquido — indicado em casos iniciais, como queratoses actínicas.
Imunoterapia e terapia-alvo
Indicadas principalmente para melanoma avançado. Elas reforçam o sistema imunológico ou atacam células tumorais específicas.
Radioterapia
Pode ser usada quando a cirurgia não é recomendada.
Como prevenir o câncer de pele?
Antes de qualquer orientação, você já deve saber que o filtro solar é a primeira das recomendações para a prevenção do câncer de pele, mas você sabe as diferenças entre filtro solar, protetor solar e bloqueador solar? Vamos explicar!
Filtro e protetor solar são sinônimos, porém, o filtro solar é mais utilizado para se referir a produtos que são aplicados diretamente na pele para nos proteger dos raios solares. Já a palavra protetor pode ser mais utilizada para barreiras físicas contra o sol, como chapéu ou óculos. Porém, os dois termos são utilizados.
Já o bloqueador solar é um pouco mais completo do que o filtro solar. Ele possui a mesma função: proteger dos raios solares, porém, ele possui outros componentes em sua fórmula que bloqueiam completamente a ação do sol. Ou seja, é um produto mais completo e indicado para uma exposição solar mais severa, como por exemplo, na praia.
Agora que você já sabe as diferenças, vamos entender melhor o que pode causar esta doença.
Já vimos até aqui que a exposição solar e o fator da hereditariedade contribuem ativamente para o desenvolvimento do câncer de pele. Então, como é possível se cuidar frente a isso?
Use filtro solar: ele é seu melhor amigo sempre, acredite! No dia a dia, deve-se usá-lo pela manhã para que você possa ficar protegido – lembrando que não importa se está fazendo um dia de sol ou não, okay?
O filtro solar em áreas mais expostas como pescoço, colo, orelhas e ombros também se faz necessário.
Hoje, as composições dos filtros solares já acabam fazendo certo tratamento para pele, uma vez que podem conter calmantes, vitaminas, entre outros produtos que contribuem para a saúde da pele.
“No dia a dia, filtros com fator 30 já resolvem bem. Mas, se você estiver na praia ou piscina, é melhor usar um filtro solar de fator mais alto, como 60, 70 e até 90”, diz a Dra. Luciane Scattone.
O filtro solar também não deve ser utilizado antes de dormir, certo?
Visite regularmente o dermatologista: claro que sabemos que não é necessário que você fique investigando o tempo todo, mas as visitas ao dermatologista são essenciais para que haja uma avaliação.
Já pensou como pode ser difícil detectar sinais tão pequenos? Somente o profissional conseguirá perceber.
A recomendação de frequência ao dermatologista é a seguinte: caso um bebê nasça com alguma marca na pele, é necessário o acompanhamento desde o nascimento.
Para os adultos, é recomendável que você faça esse acompanhamento principalmente após os 30 anos. E, caso você tenha parentes de primeiro grau com a doença, a partir dos 20 anos o acompanhamento também já pode ser feito.
E você, tem cuidado bem da sua pele? Já sabia dessas informações? Compartilhe e espalhe a importância da prevenção!
Dezembro Laranja: por que essa campanha é importante?
A campanha Dezembro Laranja foi criada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para conscientizar a população sobre prevenção e detecção precoce do câncer de pele.
Durante o mês, dermatologistas reforçam orientações, ações públicas são realizadas e há incentivo para que as pessoas façam o autoexame e procurem avaliação médica anual.
Como identificar o câncer de pele?
O câncer de pele pode se manifestar de diferentes formas, e reconhecer os primeiros sinais é essencial para aumentar as chances de diagnóstico precoce.
Manchas que coçam ou descamam, pintas que mudam de cor ou tamanho, feridas que não cicatrizam em até quatro semanas e lesões que sangram com facilidade merecem atenção.
Além de observar o corpo no dia a dia, é importante conhecer suas próprias pintas e marcas naturais para perceber quando algo muda. Caso note qualquer alteração persistente, procure um dermatologista para avaliação.
Conheça a seguir alguns métodos para identificação precoce do câncer de pele:
Teste ABCDE
A regra ABCDE é uma forma simples e prática de identificar características suspeitas em pintas e manchas. Ela ajuda a diferenciar sinais comuns de alterações que podem indicar melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.
A – Assimetria: as metades da pinta são diferentes.
B – Bordas: irregulares, serrilhadas ou mal definidas.
C – Cor: variação de tons na mesma lesão.
D – Diâmetro: geralmente maior que 6 mm.
E – Evolução: qualquer mudança recente no formato, tamanho, cor ou textura.

Autoexame
O autoexame da pele é uma forma prática para identificar alterações precocemente. Ele não substitui a consulta com o dermatologista, mas ajuda você a conhecer seu próprio corpo e perceber sinais novos.
A orientação é realizar o autoexame uma vez por mês, preferencialmente em um ambiente com boa iluminação.
- Observe o rosto e o couro cabeludo
Use um espelho e afaste o cabelo com um pente. Lesões nessa região são comuns por conta da exposição solar intensa.
- Examine tronco, peito, costas e barriga
Use dois espelhos (frontal e posterior) para ajudar a identificar pequenas pintas e manchas.
- Verifique braços, mãos e unhas
Incluindo palmas das mãos, espaços entre os dedos e as unhas, onde também podem surgir alterações.
- Observe pernas, pés e sola dos pés
O melanoma pode aparecer em áreas não expostas ao sol, então não ignore locais menos visíveis.
- Atenção às dobrinhas
Axilas, virilha e áreas íntimas também podem apresentar lesões, embora sejam menos comuns.
- Anote qualquer mudança
Crescimento, mudança de cor, bordas irregulares ou sangramento são sinais de alerta.
Confira abaixo a Dra. Maria Cristina Messina explicando como realizar o autoexame para detectar câncer de pele precocemente.
Câncer de pele tem cura?
Sim, câncer de pele tem cura. Quando descoberto no início, pode chegar a mais de 95% de chance de cura, especialmente nos casos de CBC e CEC.
Alguns fatores influenciam o prognóstico:
– tipo de câncer
– profundidade da lesão
– rapidez no início do tratamento
– condições gerais de saúde do paciente
O melanoma é o mais agressivo, mas também tem altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente.
FAQ – perguntas frequentes sobre câncer de pele
Como identificar um melanoma?
Observe pintas com assimetria, bordas irregulares, variação de cor, diâmetro maior que 6 mm ou evolução rápida. A regra ABCDE ajuda muito.
Quem tem câncer de pele sente dor?
Na maior parte das vezes, não. A ausência de dor não significa ausência de gravidade.
Câncer de pele passa para outras partes do corpo?
Sim. Melanomas e alguns CECs podem metastatizar.
Existe exame de sangue para detectar câncer de pele?
Não. Apenas exames clínicos e biópsias podem confirmar o diagnóstico.
Quanto tempo leva para um câncer de pele se desenvolver?
Depende. Pode surgir em meses (melanoma) ou evoluir lentamente por anos (CBC).
Pessoas jovens também podem ter câncer de pele?
Sim, especialmente em casos de exposição solar intensa e queimaduras repetidas na infância.
Referências:
- Ministério da Saúde. Câncer de pele. Saúde de A a Z. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-pele\
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA ONCOLÓGICA. Rafael responde: quais os fatores de risco do câncer de pele? Disponível em: https://sbco.org.br/dr-rafael-responde-quais-os-fatores-de-risco-do-cancer-de-pele/\
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Câncer da pele. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/doencas/cancer-da-pele/\
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Câncer da pele. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/doencas/cancer-da-pele/#:~:text=O%20c%C3%A2ncer%20da%20pele%20responde,seus%20n%C3%BAmeros%20s%C3%A3o%20muito%20altos.\>.