Os 4 pilares da saúde e a importância de mantê-los em harmonia

Você pode achar que manter uma vida saudável tem sido cada vez mais difícil, e talvez realmente esteja certo. Com o avanço exponencial da tecnologia nos últimos anos, muitas situações quase não exigem esforço: comidas práticas e rápidas, acesso de carro para todos os lados, trabalho no escritório por pelo menos 8 horas por dia sem precisar se levantar.

Pode ser que estejamos falando exatamente da sua realidade, e o problema é que ela pode trazer consequências desagradáveis em curto, médio e longo prazo.

Quando falamos de saúde, precisamos entender que o termo abrange uma série de pilares da nossa vida, que precisam estar em equilíbrio para termos melhor qualidade de vida. Para falar mais sobre esse assunto e dar dicas práticas de como realmente colocá-las em prática, conversamos com o professor de Educação Física Márcio Atalla, especialista em Treinamento de Alto Rendimento e pós-graduado em Nutrição, e com o Dr. Nemi Sabeh Jr., coordenador médico da Seleção Brasileira Feminina de Futebol, cirurgião e médico credenciado Omint.

Neste artigo, vamos conferir:

O histórico tecnológico e as influências nos principais pilares da saúde

Se analisarmos a relação do homem com a atividade física da Pré-História até hoje, notamos que tudo que foi descoberto pelo homem surgiu da necessidade de favorecer algo. Isso pode parecer óbvio, mas possui relação direta com a realidade contemporânea.

A evolução da tecnologia nos trouxe para dias em que facilitamos tanto nosso cotidiano em alguns aspectos práticos que ficou difícil lembrar que o corpo necessita de movimento. Deixamos de subir escadas, andar longas distâncias, carregar peso, tudo isso porque temos meios que nos auxiliam com esse tipo de atividade e, sejamos sinceros, ninguém gosta de chegar suado aos lugares ou ter de fazer algum tipo de esforço muito puxado.

E, de fato, nosso cérebro foi programado para conseguir o máximo com o mínimo de esforço possível da forma mais confortável que estiver disponível. Com tudo isso, combinado com os recursos disponíveis hoje, já podemos identificar o primeiro problema: o sedentarismo.

Mas só a atividade física é responsável pela saúde? Não! Nossa saúde precisa ser entendida como um todo. Algumas outras necessidades do nosso corpo – chamadas de pilares – estão inteiramente interligadas e também necessitam de atenção para que a vida seja realmente saudável.

Dessa forma, podemos resumir os principais pilares da saúde em: exercícios físicos, alimentação, sono e saúde mental.

Você pode estar pensando que pelo menos um desses não está legal. Precisamos contar um segredo: é realmente difícil mantê-los em dia, mas não impossível!

A questão é que manter um estilo de vida mais saudável exige disciplina e esforço para que dê certo, e mudanças, principalmente drásticas, não podem ser feitas da noite para o dia. Falaremos mais sobre isso ao longo do texto.

Primeiramente, é importante que você entenda que saúde não é só sobre um desses pilares, e sim todos trabalhando em equilíbrio no seu ritmo.

 

A importância da atividade física como prevenção e bem-estar

Apesar de a prática regular de atividade física não ser a única responsável pela melhora da qualidade de vida, segundo o professor de Educação Física Márcio Atalla, ela é primordial para que as outras áreas também funcionem da forma correta. Vamos entender por quê.

Engana-se quem pensa que a prática da atividade física traz benefícios somente físicos. É claro que os benefícios de ganho de força, emagrecimento (se esse for o seu objetivo) e maior flexibilidade do corpo são realmente muito esperados e buscados, mas as vantagens vão muito além disso.

Quando praticamos exercício físico, a oxigenação no cérebro melhora consideravelmente e isso nos ajuda a pensar com mais clareza. Além disso, a liberação de hormônios que proporcionam prazer – como a endorfina e a serotonina – também são responsáveis por trazer bem-estar durante e após a atividade física.

Analisando isso em longo prazo e após conseguirmos com que isso vire uma rotina diária, podemos notar a melhora no humor e até mesmo mais facilidade para lidar com outras questões do cotidiano.

Se fosse fácil estabelecer em uma rotina diária de exercícios, todos faríamos sem maiores complicações. Porém, manter-se em movimento também implica esforço e dedicação.

“A maioria das pessoas busca por motivações para fazer exercício. A questão é entender que se exercitar é uma necessidade, e que, muitas vezes, não vamos encontrar motivação nenhuma para fazê-lo. É natural do nosso cérebro querer se manter em repouso. É necessário termos a consciência de que isso precisa ser aplicado em nosso dia a dia com sabedoria. Não adianta querer mudar tudo da noite para o dia”, afirma Marcio.

Ainda temos a ideia falha de que exercício físico precisa ser intenso, só pode ser feito na academia, além do desejo irreal de resultados imediatos.

Acredite: todo exercício conta! Você não precisa ir necessariamente à academia nem fazer um treino de atleta para sentir que está fazendo a diferença. Todos nós necessitamos de um tempo de adaptação para qualquer atividade que iniciamos, e com o exercício não seria diferente.

“O movimento livre é importante e, às vezes, pode contar mais do que a ida a academia. A troca do elevador pelas escadas e descer um ponto antes do destino final são pequenas ações no dia a dia que contam e muito! É importante lembrar que é apenas um pouco por dia, todos os dias, até que você adquira mais condicionamento físico e possa passar para um próximo passo. Precisamos lembrar que começar a ter um estilo de vida mais saudável é um processo e acontece lentamente, cada um no seu ritmo”, reforça Marcio.

Até aqui você já deve ter entendido que praticar atividades físicas é importante, mas exige esforço e dedicação. Por isso, vamos levantar mais um benefício de se exercitar: o bem-estar geral e a prevenção de doenças futuras.

Quando você se mantém ativo, conserva os níveis de colesterol no sangue mais baixos e controla melhor o peso. Só com esses dois benefícios, fica bem mais fácil evitar doenças como diabetes e hipertensão.

Por isso é sempre importante reforçar: prevenir é sempre o melhor caminho.

 

Mantendo o equilíbrio: movimento e calmaria na mesma proporção

Como já vimos até aqui, sabemos que o exercício físico é primordial para a saúde e o bem-estar. Mas não dá pra se exercitar o tempo todo: o corpo também precisa de descanso.

Durante a atividade física, movimentamos o corpo, liberamos hormônios responsáveis pelo prazer e bem-estar, e colocamos nossas estruturas para funcionar. Do outro lado, temos o tempo de descanso, a calmaria, aquele momento para nos desconectarmos de tudo e colocar a cabeça no lugar. Dessa forma, encontramos o equilíbrio ideal.

Um fator importante e presente em ambos momentos é a respiração. Durante o exercício, oxigenamos o cérebro e durante o descanso, também! Por isso a prática da meditação pode auxiliar nesse momento.
“O oxigênio para o cérebro funciona como um alimento prazeroso. É ele o responsável por nos ajudar a pensar melhor, fazer com o que o nosso cérebro funcione, oxigenando nossos neurônios”, afirma Dr. Nemi.

Por isso, equilíbrio é tudo! Assim como o corpo, a mente também se cansa, e momentos de relaxamento são essenciais para combater a ansiedade e o estresse.

Quando falamos em descanso, não estamos nos referindo somente a grandes períodos de tempo. Durante o seu dia a dia, tire alguns minutos para respirar fundo, fechar os olhos, tentar apenas deixar os pensamentos passarem, focar apenas na respiração.

 

Como as empresas podem auxiliar na melhora da qualidade de vida no trabalho

Sabemos que a realidade da maioria das pessoas é não ter muito tempo além do trabalho. Por isso, as empresas têm de entender que o hábito de se movimentar e descansar também precisa ser adotado dentro das próprias organizações, motivando o funcionário de alguma forma.

A empresa pode propor alguns minutos durante o expediente para que o colaborador se levante para se alongar, troque apenas um lance de escadas uma vez ao dia, ou ainda propor programas para a prática de esportes.

Pode-se também sugerir pequenos minutos de meditação. E não pense que isso é algo muito mirabolante: estamos falando apenas de parar o que se está fazendo, fechar os olhos e focar na respiração. Isso pode ser feito em poucos minutos várias vezes ao dia.

Essas movimentações e paradas garantem mais bem-estar ao colaborador e torna o dia a dia mais prazeroso e produtivo.

 

Alimentação e sono em dia

Até aqui, falamos muito da importância do exercício físico e do descanso, mas, como citamos, existem outros pilares que também precisam de atenção. Até porque é impossível que você se exercite sem se alimentar ou dormir bem, não é mesmo?

Pois é, a alimentação tem o papel de nos dar energia para realizarmos todas as nossas outras atividades cotidianas. Ela é nosso combustível e deve ser prazerosa.

Nosso corpo tende a armazenar gordura e sabemos quanto é difícil resistir a comidas que não são tão saudáveis assim. Outras vezes reconhecermos que já estamos satisfeitos, mas parece que o corpo sempre quer mais.

Mas não queira mudar totalmente a alimentação da noite para o dia ou ficar restringindo alimentos. A chance de falha e frustração nesse cenário é muito grande.

“Não adianta você reduzir drasticamente o consumo de calorias ou começar a cortar alimentos do nada. É preciso um preparo e existe um processo. Tente reduzir as coisas aos poucos. Quando já estiver adaptado àquilo, mude mais um pouco. Sempre em pequenos passos para que você possa conseguir o mais importante: constância”, reforça Marcio.

Além disso, dietas da moda e chás emagrecedores são apenas uma distração. Você não precisa de nenhum alimento caro e muito diferente do que já está habituado a comer. “Arroz, feijão, proteína e salada funcionam muito bem. Não é preciso nada demais para uma alimentação saudável e engana-se quem pensa dessa forma. Coma o mais natural possível e respeite a sua saciedade”, orienta Márcio

Outro pilar importante para uma vida mais saudável é o sono. É durante uma noite bem dormida que fazemos a limpeza do que não nos serve mais e nos preparamos para viver o dia seguinte.

Sem um sono de qualidade, você vai se sentir cansado, indisposto, irritado e, em casos mais sérios, até mesmo mais angustiado.

Por isso, se você não tem dormido direito, procure identificar quais travas estão impedindo que tenha sono de qualidade. Tente sempre praticar a higienização do sono.

Por último e não menos importante: cuide da sua saúde mental. Sabemos que, se os outros pilares citados até estiverem em equilíbrio, certamente você poderá ter melhora efetiva na sua saúde mental porque tudo interligado.

Mas sabemos que pode não ser tão simples assim. Então fique atento aos sinais! Não se esqueça de que descanso e lazer também fazem parte de uma vida saudável, além de beneficiarem a saúde mental.

Aproveite os momentos em que você sente prazer e não se sinta culpado por relaxar quando se sentir cansado, okay? Quer apenas se deitar e não fazer nada? Está tudo certo! Afinal, você não precisa ser produtivo o tempo todo.

 

Quais as melhores dicas para manter uma vida mais saudável?

1. Entenda os pilares como benefícios para o seu corpo e não se cobre tanto. Comece devagar e entenda que a evolução vem com o tempo.

2. A criação de um hábito realmente demora. Por isso, inclua um pouquinho de melhora todos os dias até que você atinja seu objetivo.

3. Procure por profissionais sérios e capacitados para auxiliar você no processo: eles poderão ser guias para o seu processo. Dispense quem oferecer soluções fáceis e mágicas.

4. Hidrate-se! Nosso corpo é composto a maior parte por água e a hidratação é fundamental em todos os processos do seu organismo.

5. Inclua pelo menos uma fibra em todas as suas refeições. Elas auxiliam no funcionamento do seu intestino e fazem bem à saúde.

6. Acima de tudo, respeite seus limites! Cada um possui um ritmo e o desenvolvimento é individual.
Encontre aquilo que funciona melhor para você.

Você também pode conferir melhor qual a relação entre esses pilares neste vídeo:

E aí, está se sentindo mais animado para mudar seus hábitos? Comece hoje mesmo e orgulhe-se de você no futuro!

Janeiro Branco e a importância dos cuidados com a saúde mental

Durante o primeiro mês do ano, acontece a campanha Janeiro Branco, criada em 2014 com o objetivo de chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas.

Para que você entenda um pouco melhor sobre a campanha, suas motivações e cuidados com a saúde mental na vida pessoal e profissional, conversamos com a Dra. Yara Azevedo Prandi, psiquiatra e médica credenciada Omint, que explicou os principais pontos sobre o assunto.

Neste artigo você vai conferir:

O que é a campanha Janeiro Branco?

O Janeiro Branco é uma campanha brasileira criada em 2014 com o objetivo de ampliar o debate sobre a saúde mental e emocional na sociedade. A iniciativa parte da premissa de que cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo e busca estimular o autocuidado, a escuta e a procura por apoio profissional sempre que necessário.

A campanha mobiliza profissionais de saúde, empresas, escolas e a sociedade civil por meio de palestras, oficinas, rodas de conversa e conteúdos educativos, contribuindo para a redução do estigma em torno dos transtornos mentais e para a promoção de informação de qualidade.

Origem e objetivos da campanha

 

Criado no Brasil, o Janeiro Branco nasceu com a proposta de convidar as pessoas a refletirem sobre suas emoções, relações e escolhas de vida, incentivando uma postura mais consciente em relação à saúde mental ao longo do ano.

Por que o mês de janeiro foi escolhido?

Janeiro carrega um forte simbolismo cultural. É o mês dos recomeços, das metas e das reflexões sobre o que ficou para trás e o que se deseja construir. Esse contexto favorece uma pausa para olhar para dentro, avaliar expectativas e repensar rotinas, tornando o período especialmente propício para falar sobre saúde mental.

Marco legal — Lei 14.556 e a oficialização da campanha

Em 2023, a campanha ganhou reconhecimento oficial com a sanção da Lei nº 14.556, que instituiu o Janeiro Branco no calendário nacional. A legislação reforça a importância de ações contínuas de conscientização, prevenção e promoção da saúde mental em todo o país.

Janeiro Branco 2026

Em 2026, o Janeiro Branco traz como eixo “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental”. Em um mundo cada vez mais marcado por pressões constantes, excesso de estímulos e falta de pausas, o convite é claro: desacelerar, olhar para dentro e reconstruir vínculos — consigo, com o outro e com a vida cotidiana.

Recuperar o equilíbrio emocional é fundamental não apenas para o bem-estar individual, mas também para a qualidade das relações sociais, dos ambientes de trabalho e das instituições que fazem parte da nossa rotina.

Com esse olhar, a campanha propõe uma reflexão sobre como temos lidado com as urgências do dia a dia e como podemos transformar sobrecarga em cuidado. O uso simbólico dos post-its – que pode ser visto no site da campanha – representa justamente esse movimento: organizar pensamentos, dar nome às emoções e criar espaços de escuta e atenção à saúde mental em meio à correria.

 

Psicofobia e o tabu dos tratamentos psiquiátricos

O cuidado com a saúde mental pode, muitas vezes, ser visto como “frescura” ou “coisa de gente louca”. Na verdade, cuidar da saúde mental e visitar um psiquiatra deveria ser considerado normal, assim como qualquer outra condição física, como dor de cabeça ou estômago. O preconceito com questões mentais também tem um nome: psicofobia.

O médico psiquiatra estuda e é formado exatamente para que ele possa dar um diagnóstico, de que a condição patológica está presente ou não. Somente ele consegue diferenciar se é apenas tristeza ou algum tipo de depressão, ou se a sua ansiedade é apenas um medo natural do corpo ou está prejudicando seu dia a dia.

Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores as chances de sucesso no tratamento. Por isso, não tenha medo de visitá-lo se começar a achar que há algo de errado.

O tratamento com um psiquiatra pode durar semanas, meses ou até anos, e você não deve se sentir aflito por achar que vai ficar “dopado” de remédios ou viciado em algum tipo de medicação. Quando o diagnóstico é feito, o objetivo do psiquiatra é que você tenha mais qualidade de vida, e não ao contrário.

Sempre pense que, quando você nota algo estranho na sua pele, por exemplo, você imediatamente procura um dermatologista. Então por que não procurar um psiquiatra quando sente algo incômodo com seus pensamentos?

Muitas vezes, a insônia, a falta de apetite e outras mudanças no comportamento podem estar ligadas a desequilíbrios químicos do cérebro, fatores que podem alterar a nossa rotina e a qualidade de vida. Essas questões muitas vezes podem ser diagnosticadas por um psiquiatra.

 

A quais sinais devo ficar atento?

Você pode estar se perguntando a quais sinais você tem de ficar atento caso a sua saúde mental esteja comprometida. Até porque os indícios podem ser facilmente confundidos.

É importante lembrar que o medo é um sentimento natural do ser humano e está presente no nosso dia a dia. O problema é quando ele aparece de forma exacerbada e começa a atrapalhar o cotidiano.

A preocupação normal do ser humano não interfere no dia a dia, é controlável, não causa sofrimento, é passageira e se limita a fatos realistas e a situações específicas.

Passa a ser um problema e sinalizar a ansiedade generalizada quando essas preocupações causam sofrimento de forma significativa, são intensas, perturbadoras e existem em tempo integral, interferindo na rotina.

Aqui podemos citar também as diferenças entre “medo” e “fobia”. Enquanto o medo é natural e nos protege de situações perigosas, a fobia é um medo exagerado e desproporcional ao perigo.

Quanto à tristeza e à depressão, ressaltamos que a primeira também é um sentimento normal do ser humano. Está ligada a um fato ocorrido, geralmente ligado a perdas, é passageira e limitada a situações específicas também.

Já quando falamos dos primeiros sinais de uma depressão, a tristeza se estende por várias semanas, tomando conta de toda a realidade do indivíduo. Caracteriza-se ainda por pensamentos invasivos, perda de interesse e principalmente alteração de sono, fome e libido.

Somente um profissional qualificado pode diagnosticar de fato se há a presença de uma doença ou não, mas é importante saber quais os primeiros sinais podem indicar um possível problema. Dessa forma, fica mais fácil saber quando procurar ajuda ou até mesmo aconselhar alguém próximo a procurar um profissional.

Como as empresas devem lidar com a saúde mental?

Nomeações como Síndrome de Burnout e Boreout surgiram no decorrer dos anos, mas é necessário ficar atento para que novos nomes não sejam dados para condições já antes existentes.

“O paciente procura um psiquiatra achando que está com uma dessas duas condições, quando na verdade isso é apenas decorrente de um transtorno de ansiedade ou depressão. Por isso, precisa ser avaliado”, reforça Dra. Yara.

As organizações devem, acima de tudo, se mostrar abertas para acolher pessoas com transtornos mentais, para que elas se sintam confortáveis para falar a verdade.

Quando há acolhimento e o colaborador se sente seguro, a tendência é que ele seja mais produtivo e criativo, trazendo benefícios não só para o contratante, mas também para o funcionário, que sente que não é só apenas um número e que seu trabalho realmente importa e faz a diferença.

As empresas precisam fortemente trabalhar para diminuir o estigma em torno das doenças mentais, incentivar que os problemas sejam compartilhados, promover o bem-estar do funcionário, assim como a diminuição do estresse.

Iniciativas para a redução do preconceito com medicações psiquiátricas também devem ser promovidas, assim como avaliações psiquiátricas periódicas devem ser realizadas.

Manter os canais abertos para que esse tipo de diálogo aconteça dentro da empresa é benéfico para ambos os lados. As empresas do futuro precisam começar a colocar isso em prática, caso ainda não tenha sido feito.

Além do olhar proativo sobre a necessidade cada vez mais latente dos colaboradores em receberem esse tipo de apoio, é importante que as empresas acompanhem as mudanças e obrigatoriedades da legislação. Desde 2025, a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) traz novas regras para as empresas na questão da saúde mental.

Com a atualização, o capítulo 1.5 da Norma passou a exigir que o gerenciamento de riscos ocupacionais inclua também os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, como estresse, assédio e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional

Em vídeo, confira mais informações detalhadas pela Drª. Anai Auada, psicóloga credenciada Omint.

Como posso me cuidar melhor?

Acima de qualquer coisa, o autoconhecimento é indispensável para que saibamos cuidar da nossa saúde mental. Aprender a reconhecer medos, virtudes, limites e angústias é o primeiro passo.

Falar sobre essas situações pode ser difícil, mas nos auxilia a lidar melhor com todos elas. Por isso, é tão necessário falar sobre o assunto e ressaltar a importância do cuidado com a saúde mental. Afinal, o cérebro é um órgão como qualquer outro.

A meditação, os exercícios físicos e o descanso são tão essenciais quanto procurar ajuda psicológica para checar se está tudo bem com você.

Estabelecer uma rotina de trabalho, fazer pausas e descansar acordado são ações necessárias para que seu cérebro se organize e seja produtivo na medida certa. Além disso, não se esqueça de reservar os momentos de lazer.

Não tenha medo de procurar um psiquiatra ou de uma possível medicação: ela foi feita apenas para auxiliar ainda mais na sua qualidade de vida.

Agora que você já sabe de tudo isso, que tal cuidar mais da sua saúde emocional e psicológica? Afinal, é ela que determina que todas as outras áreas da sua vida corram bem como deve ser. A Omint conta com profissionais especializados para ajudar você nessa jornada. Vamos juntos?

 

FAQ

O que é a campanha Janeiro Branco?

É uma campanha nacional de conscientização sobre saúde mental e emocional.

Por que janeiro é o mês da saúde mental?

Porque simboliza recomeços, reflexões e planejamento para o novo ano.

Qual o tema do Janeiro Branco 2026?

O tema pode variar a cada ano, mas mantém o foco no cuidado emocional e na prevenção. Em 2026, o tema é Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.

Quais são os pilares da saúde mental?

Autoconhecimento, equilíbrio emocional, relações saudáveis e apoio profissional.

O que a CLT diz sobre saúde mental no trabalho?

A legislação prevê ambientes de trabalho seguros e a prevenção de riscos psicossociais.

O que é a NR-1?

A NR-1 é a Norma Regulamentadora que estabelece diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho. Ela orienta as empresas sobre a identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais, incluindo os riscos psicossociais, reforçando a responsabilidade das organizações na promoção do bem-estar físico e mental dos trabalhadores.

Como posso melhorar minha saúde mental e emocional?

Com hábitos saudáveis, diálogo aberto, equilíbrio de rotina e acompanhamento profissional quando necessário.

Qual a diferença entre psicólogo e psiquiatra?

O psicólogo é o profissional que atua principalmente por meio da psicoterapia, ajudando a compreender emoções, comportamentos e padrões de pensamento. Já o psiquiatra é médico, capacitado para diagnosticar transtornos mentais, solicitar exames e prescrever medicamentos quando indicado. Em muitos casos, o acompanhamento conjunto desses profissionais traz melhores resultados.

 

Dezembro Vermelho e o incentivo à prevenção ao HIV/Aids

Durante o mês de dezembro, acontece a campanha Dezembro Vermelho, que tem como objetivo reforçar a prevenção do HIV, da Aids e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

A iniciativa busca ampliar o acesso à informação, incentivar a testagem, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, além de combater o preconceito que ainda envolve o tema.

Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que é o HIV, qual a diferença entre HIV e Aids, como ocorre a transmissão, quais são os sintomas, métodos de prevenção, formas de diagnóstico e tratamento, além da importância da conscientização para a promoção da saúde.

Neste artigo você vai conferir:

 

O que é o HIV e qual a diferença entre HIV e Aids?

Muitas pessoas não sabem a diferença entre HIV e Aids. Mas agora vamos explicar de maneira clara. O vírus HIV é um retrovírus (vírus de RNA) que ataca o sistema imunológico, responsável por defender nosso organismo de agentes externos. Quando instalado no corpo, o HIV atinge principalmente os linfócitos, um tipo específico de célula desse sistema defensivo.

Uma vez dentro dessas células, ele altera o DNA e começa a se multiplicar, fazendo com que esse sistema fique danificado, e não consiga mais funcionar corretamente.

Explicando dessa forma até dá a sensação de que é algo que ocorre tão rápido que é facilmente identificado. Mas o problema é que, muitas vezes, acontece exatamente o contrário.

Esse processo de destruição dos linfócitos pode demorar anos, fazendo com que a pessoa tenha o vírus do HIV (portador), mas nunca manifeste a doença Aids. Esse portador do vírus não apresenta nenhum sinal e sintoma de imunidade baixa, e segue sua vida normalmente, o que pode colocar outras pessoas em risco.

A Aids doença só é caracterizada quando o sistema imunológico já está tomado pelas ações do vírus, fazendo com que qualquer agente infeccioso externo possa afetar muito gravemente o indivíduo. Nesse caso, é muito comum que uma gripe ou pneumonia se complique muito, por não haver mais um sistema de defesa capaz de combater a doença.

Dessa forma, pacientes com a doença em estágio avançado não acabam morrendo pela condição em si, mas por não haver mais defesa contra outros agentes infecciosos.

Entretanto, grandes esforços foram promovidos pela ciência para que hoje tenhamos tratamentos bem-sucedidos de altíssimo nível, fazendo com que pessoas portadoras do HIV nunca desenvolvam a Aids. Basta que sigam o tratamento medicamentoso, que será abordado mais à frente.

Como ocorre a transmissão do HIV?

Como qualquer outra doença transmissível, muitos estudos foram desenvolvidos até que se chegasse a uma lista de formas de transmissão, extremamente necessária para que a sociedade se informe. Vamos a elas!

Sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha. O sexo desprotegido pode trazer diversas infecções sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV.

Uso de seringas contaminadas pelo vírus por mais de uma pessoa. Por isso a importância de sempre utilizar materiais descartáveis para cada paciente.

Transfusão de sangue contaminado. Hoje, o processo de análise para os bancos de sangue é altamente rigoroso para que situações como essa não aconteçam, pois outras doenças também podem ser transmitidas por essa via.

Da mãe infectada para o seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação. É chamada de transmissão vertical. Por isso é tão importante garantir acesso ao pré-natal, com tratamento e acompanhamento adequados e as boas práticas na assistência ao parto das mulheres vivendo com HIV/Aids.

Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados e contaminados pelo virus. Qualquer utilização desse tipo de instrumento necessita de um processo de esterilização para que os micro-organismos presentes não passem de uma pessoa para a outra.

Mais importante que saber os meios de transmissão do HIV, é saber os que NÃO transmitem a doença. Essas informações são extremamente necessárias para que o convívio em sociedade seja mais saudável e com menos preconceito. Doenças transmissíveis geralmente são um tabu e muita desinformação ainda circula, fazendo com que algumas pessoas pensem que podem se contaminar de maneiras pelas quais a transmissão não acontece. Confira!

– Sexo com proteção, ou seja, com a utilização correta da camisinha

– Masturbação a dois

– Beijo no rosto ou na boca

– Suor e lágrima

– Picada de inseto

– Aperto de mão ou abraço

– Produtos de higiene, como sabonete, toalha e lençóis

– Talheres ou copos

– Assentos de ônibus ou avião

– Piscinas

– Banheiros

– Doação de sangue

– Pelo ar

Confira, em vídeo, 3 fatos sobre HIV e Aids com a Dra. Mirian Dal Ben Corradi, infectologista do Hospital Sírio Libanês e médica credenciada Omint.

https://www.youtube.com/watch?v=7PRsIFiQrn8

 

Quais são os sintomas?

Como já citado, os sintomas para essa condição podem demorar muito a aparecer. Para que o comportamento do vírus seja mais fácil de ser entendido, a condição foi separada em fases. Confira!

Primeira fase: é chamada de infecção aguda, na qual ocorre a incubação do HIV. Essa etapa corresponde ao tempo de exposição até os primeiros sinais aparecerem, período que pode variar de 3 a 6 semanas. Nosso organismo leva até 60 dias para produzir os anticorpos contra o HIV, e os primeiros sintomas podem ser muito parecidos com os de uma gripe comum, como mal-estar e febre. Por isso, acaba passando despercebido muitas vezes.

Segunda fase: chamada de fase assintomática, é caracterizada pela forte e constante interação entre as células de defesa do corpo e o vírus com suas diversas mutações. Porém, isso ainda não enfraquece o sistema de forma suficiente para permitir que infecções oportunistas se desenvolvam. O corpo pode permanecer nessa fase por muitos anos. Por isso, acaba se tornando uma doença silenciosa por não manifestar nenhum sintoma durante muito tempo, mesmo com o vírus presente.

Terceira fase: chamada de fase sintomática, acontece quando esse processo de interação entre as células de defesa e o vírus já está ocorrendo há muito tempo. Nesse momento, as células do nosso sistema imunológico começam a ser destruídas de fato, abrindo as portas para o que chamamos de doenças oportunistas, na qual uma simples gripe pode ter diversas complicações devido à baixíssima imunidade.

As taxas de linfócitos T CD4+ (glóbulos brancos do sistema imunológico) chegam a ficar abaixo de 200 unidades por mm³ de sangue, sendo que, em indivíduos adultos, o valor considerado normal é de 800 a 1.200 unidades. Aqui, os sintomas mais comuns podem incluir febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento severo.

Quando a terceira fase já está instalada, atinge-se o início do estágio mais avançado da doença, a chamada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – Aids.

É nessa fase que o paciente, por não saber da infecção ou por não seguir o tratamento corretamente, acaba desenvolvendo diversas outras doenças, como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. Muitas vezes, essas doenças acabam levando à morte, uma vez que o organismo não tem mais como se defender, devido à destruição dos linfócitos.

Métodos de prevenção do HIV

A prevenção do HIV é baseada em um conjunto de estratégias conhecido como prevenção combinada, que reúne diferentes métodos de proteção de acordo com o perfil e a realidade de cada pessoa. Essa abordagem amplia as chances de evitar a transmissão do vírus e contribui para a redução de novos casos.

Principais formas de prevenção do HIV:

  • Uso correto e consistente do preservativo
  • Testagem regular para HIV e outras ISTs
  • Profilaxia Pós-Exposição (PEP)
  • Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)
  • Tratamento adequado de pessoas vivendo com HIV
  • Redução de danos em situações de maior vulnerabilidade

Como funciona o diagnóstico?

Assim como algumas outras doenças, saber o seu diagnóstico em relação ao HIV é de extrema importância. Quanto antes ter o conhecimento sobre o fato, mais chances de a pessoa levar uma vida saudável, graças aos tratamentos hoje disponíveis para a população.

O diagnóstico da infecção por HIV é feito a partir da análise de sangue ou fluido oral. Aqui no Brasil, esse diagnóstico pode ser feito por exames laboratoriais ou testes rápidos, que detectam a presença do vírus em 30 minutos, realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde – SUS, ou nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).

É primordial reforçar também que esses exames podem ser feitos de forma anônima, caso a pessoa não queira se identificar. Nos CTAs, além dos exames disponíveis, ainda existe todo um processo de aconselhamento, que auxilia o indivíduo a entender e interpretar o resultado dos testes.

A detecção do vírus pode acontecer depois dos primeiros 30 dias após a exposição à situação de risco.

 

Quais são os tratamentos disponíveis?

O tratamento para o HIV é feito com medicamentos, que impedem a multiplicação do vírus no organismo e, dessa forma, conseguem fazer com que o sistema imunológico não seja tão afetado, apesar de não conseguirem eliminar o vírus do corpo.

Os primeiros medicamentos já surgiram logo na década de 1980 e foram aprimorados com o tempo. Hoje, é possível conviver com o vírus sem que existam maiores consequências para o sistema imunológico, caso o tratamento seja feito rigorosamente.

Essas medicações são conhecidas como antirretrovirais (ARV) e estão disponíveis para a população pelo Sistema Único de Saúde – SUS, sem restrição, sendo necessária apenas a retirada com prescrição médica.

Com o uso correto das medicações, é possível que, após um período de 6 meses, o vírus se torne indetectável. Isso significa que, mesmo sendo portador do vírus, seguindo o tratamento à risca por um período contínuo, nem mesmo um exame de sangue consegue detectar o HIV.

Estudos mostram que, quando o indivíduo chega a esse estágio, o vírus também se torna intransmissível, graças à adesão correta da terapia antiviral (TARV).

Nessa fase, é extremamente necessário que a terapia continue sendo feita corretamente. Qualquer pausa pode “reativar” o vírus, fazendo com que ele se torne novamente detectável, aumente a carga viral e ainda pode existir até o desenvolvimento de uma resistência aos medicamentos.

Os exames devem ser feitos regularmente para que a carga viral seja identificada e, dessa forma, controlada por meio da medicação. Você pode conferir mais informações sobre isso aqui.

Há também a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), medida de prevenção utilizada quando o indivíduo é exposto à uma situação de risco, como profissionais de saúde, ou mesmo em casos de exposição sexual, na qual seja necessário um tratamento de emergência. A PEP consiste em um coquetel de remédios que deve ser usado por 28 dias contínuos, evitando que a infecção aconteça.

Para casos de profissionais expostos a objetos contaminados, vítimas de violência sexual ou rompimento de camisinha, é o primeiro passo a ser dado. Esse tipo de tratamento deve ter início de 2 até 72 horas após a exposição. Quanto mais tempo passa, a eficácia da PEP pode diminuir.

Mitos e verdades sobre o HIV

  • O HIV é transmitido pela saliva?
    Não. Beijos, saliva e contato casual não transmitem o vírus.
  • O HIV pode ser transmitido por abraço ou aperto de mão?
    Não. O convívio social não oferece risco de transmissão.
  • Pessoas vivendo com HIV podem ter qualidade de vida?
    Com tratamento adequado, é possível viver com saúde e bem-estar.
  • Quem está indetectável transmite o HIV?
    Não. Pessoas com carga viral indetectável não transmitem o vírus.

A importância do combate ao preconceito

Desde os primeiros casos nos anos 1980, o HIV/Aids sempre foi um tabu na sociedade. Antes, acreditava-se que a doença poderia estar relacionada à sexualidade das pessoas, o que acabou gerando diversas reações.

Hoje, sabemos que o HIV é um vírus transmitido principalmente por via sexual, independentemente de gênero, por objetos cortantes contaminados, transfusão de sangue contaminado e da mãe para o feto, em alguns casos.

A disseminação de informações verdadeiras é muito essencial, pois evita que atos preconceituosos aconteçam: as pessoas soropositivas já enfrentaram muita discriminação na sociedade.

Conclusão

A prevenção do HIV é um compromisso com a própria saúde e com a saúde coletiva. Informar-se, realizar testes regularmente, adotar práticas seguras e buscar acompanhamento médico são atitudes fundamentais para evitar a transmissão do vírus e garantir qualidade de vida.

Durante o Dezembro Vermelho — e ao longo de todo o ano — cuidar da saúde é um ato de responsabilidade, respeito e valorização da vida.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o assunto, que tal compartilhar essas informações com as pessoas que você ama? A informação é primordial no combate à Aids. Vamos juntos?