Os cuidados com a saúde do homem
Com o desenvolvimento da tecnologia e as campanhas de incentivo à saúde, a expectativa de vida tem aumentado com o passar do tempo. Ainda assim, há muito a ser feito, principalmente com relação aos homens e à saúde masculina.
Segundo dados de 2022 do IBGE, os homens chegam a viver sete anos a menos do que as mulheres, e isso se dá principalmente à falta de políticas voltadas especificamente para esse público.
Mas como essa realidade pode ser melhorada? O que os homens podem fazer para viver mais e com mais qualidade? É isso que veremos no artigo de hoje.
Você vai conferir:
O que é saúde masculina e por que ela importa?
A saúde masculina é um conjunto de cuidados integrados que envolve corpo, mente, bem-estar sexual e prevenção de doenças ao longo da vida. No entanto, fatores históricos e culturais fizeram com que os homens procurassem menos o sistema de saúde, criando um padrão de negligência que ainda impacta diretamente a expectativa de vida masculina. Hoje, pesquisadores apontam que fortalecer o cuidado preventivo é uma das estratégias mais eficazes para reduzir mortes evitáveis e melhorar o envelhecimento.
A realidade da saúde do homem
Fazer visitas regulares ao médico deveria ser uma realidade para qualquer pessoa. Porém, infelizmente essa ainda não é uma realidade, nem no mundo, nem no Brasil.
Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia mostra que houve o aumento de 49,96% da procura por médicos por parte do público masculino, entre os anos 2016 e 2020, mas as mulheres estão à frente nessa jornada.
No entanto, além das barreiras culturais, muitos homens não possuem um “médico de referência” ao longo da vida, o que dificulta o acompanhamento contínuo e o diagnóstico precoce de doenças silenciosas, como hipertensão, diabetes e distúrbios hormonais.
E por que será que essa procura ainda precisa de muito incentivo?
No decorrer da história, homens carregaram o estigma de “serem fortes”, ou de não precisarem de cuidados. Atualmente, porém, sofrem as consequências desse pensamento, pois buscam ajuda somente quando algum problema já está instalado, muitas vezes dificultando possibilidades de tratamentos ou cura para alguma questão.
Culturalmente, ir ao médico ou respeitar os cuidados básicos com a saúde poderia ser visto como fraqueza ou fragilidade, mas esse é um cuidado que homens também precisam ter. É por isso que a expectativa de vida do homem no Brasil hoje pode chegar a ser de sete anos a menos do que a das mulheres, conforme citamos anteriormente.
E fica fácil ilustrar esse problema: esse papel do cuidado masculino ainda precisa ser reforçado por mulheres mais próximas, como mães, esposas ou filhas, que têm de insistir para que eles procurem ajuda e coloquem os exames em dia. Será que você tem algum caso assim na família? Pois ainda é muito mais comum do que se espera.
Por isso, existe a necessidade de termos cada vez mais incentivo e campanhas para quebrar esse estigma, para que esse público busque ajuda para prevenir possíveis problemas, ao invés de apenas chegar ao médico quando é necessário tratá-lo de forma mais severa, com doenças já instaladas.
Quais as doenças que mais afetam os homens?
Confira os tipos de doenças mais comuns no público masculino.
1. Câncer de pele não melanoma
É o tipo mais comum de câncer entre os homens. Ele se dá por conta dos raios de sol, pois os homens também têm menor tendência a usar protetor solar.
2. Câncer de próstata
Depois do câncer de pele, o de próstata é o que mais atinge os homens. Pode se manifestar geralmente após os 45 anos, idade em que os exames para o rastreamento devem ser iniciados. É importante lembrar que homens com histórico de câncer de próstata na família devem ficar mais atentos e não negligenciar seus exames.
A boa notícia é que, quando os exames começam a ser feitos na idade indicada e o câncer é identificado, as chances de cura são de mais de 90%. Vale destacar que vários tipos de tratamento dessa condição já estão mais desenvolvidos devido ao desenvolvimento da ciência nessa área. Ou seja, cada paciente pode ter o tratamento especializado para o seu caso, por isso a necessidade da investigação logo após a idade recomendada.
Você pode conferir mais sobre o que é, quais os sintomas, tratamentos e outras informações sobre o câncer de próstata aqui.
3. Câncer de pulmão
Esse é o terceiro câncer mais comum entre os homens. Com esse dado, podemos reafirmar a questão dos cuidados mais negligenciados com a saúde do público masculino. Por exemplo, o câncer de pulmão é uma das principais causas de morte evitáveis, já que em 85% das suas incidências a doença está relacionada ao consumo de tabaco e derivados.
De acordo com informações disponibilizadas pelo INCA, em 2020, 22,3% da população mundial usou algum tipo de tabaco, sendo que 36,7% desse público é masculino. Ou seja, o estilo de vida prejudicial ainda prevalece entre os homens.
4. Doenças que afetam o fígado
Junto ao tabaco, muitas vezes pode estar associado o consumo de álcool. Quando ocorre o uso exacerbado, pode afetar o fígado, facilitando a presença de doenças como cirrose, hepatites e câncer de fígado.
Assim como o consumo de tabaco, o de álcool é maior entre os homens. Segundo dados da Opas (Organização Panamericana de Saúde), em 2010, o consumo total de álcool per capita, em litros de álcool puro, foi em média de 19,4 litros para os homens e 7 litros para as mulheres.
5. Diabetes e doenças cardiovasculares
A diabetes e as doenças cardiovasculares também têm mais incidência nos homens, pois por muitas vezes estão relacionadas ao estilo de vida. O sedentarismo, a falta de cuidado com a alimentação, o alto consumo de álcool e tabaco, e a falta de controle de peso podem fazer com esses tipos de doença apareçam mais facilmente.
Neste vídeo, o Dr. Davi Abem, urologista e médico credenciado da Omint, dá um recado sobre saúde do homem:
Quais são os principais cuidados com a saúde do homem?
Saúde física
A saúde física envolve hábitos diários como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono adequado e controle de fatores de risco (pressão, colesterol, glicemia). Pequenas mudanças de rotina podem reduzir drasticamente a incidência de doenças cardiovasculares, principal causa de morte entre homens no Brasil e no mundo.
Saúde mental masculina
Os homens ainda têm mais dificuldade de reconhecer sintomas de ansiedade, depressão ou estresse crônico. A saúde mental masculina também sofre influência da pressão social por desempenho, produtividade e autocontrole emocional. Criar espaços de diálogo e incentivar a busca por apoio psicológico é fundamental para quebrar o ciclo de silêncio.
Saúde íntima e prevenção
A saúde sexual e reprodutiva também merece atenção, incluindo: prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, avaliação hormonal, função erétil e libido. O acompanhamento com especialistas ajuda a identificar alterações hormonais, infertilidade, disfunção erétil e inflamações urológicas, muitas vezes negligenciadas por vergonha ou desinformação.
Qual médico cuida da saúde do homem?
Urologista, andrologista e outras especialidades
O urologista é o principal especialista responsável pela saúde do homem, desde a juventude até a terceira idade. Ele acompanha rins, próstata, bexiga, testículos e saúde sexual.
Já o andrologista é focado especificamente em questões hormonais e reprodutivas masculinas. Dependendo da fase da vida, outros profissionais também podem ser importantes: cardiologista, endocrinologista, nutrólogo, psiquiatra e psicólogo.
Quando procurar um especialista
O ideal é que todo homem tenha um médico de referência antes dos 40 anos, não apenas quando surge um sintoma. Consultas anuais, mesmo sem alterações, permitem identificar problemas silenciosos e personalizar orientações e tratamentos.
Qual o papel da campanha Novembro Azul nessa caminhada?
Até aqui, já vimos quão necessário é o incentivo para que os homens cuidem mais da sua saúde, não é mesmo?
E é por isso que a campanha Novembro Azul chega para contribuir ainda mais. Como vimos, o segundo câncer mais incidente nos homens é o câncer de próstata, que merece atenção redobrada para os seus cuidados.
A campanha Novembro Azul nasceu em 2011 com o objetivo da conscientização da doença e para reforçar a importância do rastreamento do câncer em sua fase inicial. Por isso, reforça que os exames devem começar a ser feitos aos 45 anos, para homens com histórico na família, e aos 50, para os que não tem.
Conforme citamos, o câncer de próstata tem alto índice de chances de cura se descoberto no início, assim como o câncer de mama para as mulheres.
Por isso, a campanha deve ser largamente divulgada para que possa auxiliar nessa jornada.
Exames de rotina e check-up masculino
Os exames preventivos devem ser realizados periodicamente e variam conforme a idade e o histórico familiar. Eles são fundamentais para identificar doenças de forma precoce, quando as chances de tratamento e cura são maiores.
De acordo com o médico Dr. Luís Fernando Penna, em entrevista ao VivaBem/UOL (2025), exames básicos como hemograma, glicemia e colesterol devem ser realizados regularmente para prevenir doenças.
Confira a seguir a lista de exames recomendados por faixa etária.
Exames por faixa etária
A partir dos 20 anos
- Hemograma, glicemia, colesterol e função renal
- Pressão arterial
- Avaliação dermatológica (controle de sinais e manchas)
- Avaliação cardíaca e perfil hormonal
- Rastreamento de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis)
A partir dos 40 anos
Todos os exames anteriores e mais:
- Avaliação prostática (PSA total e livre)
- Ultrassom pélvico conforme orientação
- Checagem aprofundada de risco cardiovascular
- Colonoscopia
A partir dos 60 anos
Todos os exames anteriores e mais:
- Avaliação completa de função renal, hepática, vitamina D e sódio/potássio
- Densitometria óssea para avaliação de osteoporose
- Avaliação de funções cognitivas
Principais exames hormonais e preventivos
- Testosterona total e livre
- TSH, T4 e perfil da tireoide
- Vitamina D
- Função renal: ureia e creatinina
- Função hepática: TGO, TGP, GGT
Como é possível melhorar os cuidados com a saúde do homem?
Essa situação, por mais que ainda não seja ideal, já vem caminhando para uma melhora. Conforme citamos no texto, os homens têm buscado mais por serviços de saúde, mas ainda há muito a ser feito. Veja!
- Ensino que vem de casa: uma das boas estratégias para que esse cenário mude a longo prazo é ensinar desde cedo que todos nós precisamos nos cuidar, independentemente do sexo. O incentivo pode vir desde criança, sempre reforçando como é possível ter esses cuidados, que pode ser principalmente colocado como ato de autocuidado e amor-próprio, algo que tem se tornado muito mais comum na sociedade atual.
- Incentivo da família e amigos: se o seu pai, avô, tio ou amigos não estão se cuidando como deveria, que tal apoiar esse cuidado? Relembrar a importância e mostrar que você se importa também é um ato de carinho!
- Políticas públicas mais frequentes, como foco no homem = mais informação: por meio de políticas públicas e mais campanhas de incentivo, é possível que cada vez mais pessoas sejam alcançadas. Muitas vezes, apenas a desinformação pode ser a causa da ausência de busca por ajuda.
Os cinco pilares da saúde do homem
- Físico: atividade física, alimentação e sono.
- Mental: equilíbrio emocional, manejo de estresse.
- Sexual: prevenção, função erétil, acompanhamento hormonal.
- Social: vínculos, apoio familiar, qualidade de vida.
- Preventivo: check-up, exames e visitas regulares ao médico.
Dúvidas frequentes sobre a saúde do homem (FAQ)
Quais são os cinco eixos da saúde do homem?
Físico, mental, sexual, social e preventivo.
Qual exame o homem deve fazer depois dos 40?
PSA, exames cardiológicos, perfil metabólico e avaliação hormonal.
Qual é o médico da saúde do homem?
Principalmente o urologista; andrologista e endocrinologista também complementam o cuidado.
Ginecologista atende homem?
Não; homens devem procurar urologistas ou andrologistas.
O que é saúde mental masculina?
É o cuidado emocional, comportamental e psicológico, influenciado por fatores culturais que dificultam o pedido de ajuda.
Conclusão
Além da informação, o incentivo passa pelo ambiente familiar, por campanhas educativas e por políticas públicas de prevenção contínua. Empresas, escolas e serviços de saúde também têm papel essencial em criar espaços que acolham os homens e facilitem o acesso ao cuidado.
Priorize sua saúde em todas as fases da vida. Faça seus exames regularmente, busque acompanhamento médico e incentive outros homens à sua volta a fazer o mesmo. A prevenção é o caminho mais seguro para uma vida longa e com qualidade.
Referência:
CARVALHO, Rone. Já fez o check-up do ano? Quais exames são indicados para cada faixa etária. VivaBem/UOL, 15 jul. 2025. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/07/15/check-up-quais-exames-fazer-de-acordo-com-sua-faixa-etaria.htm
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TDAH e dislexia: o que é cada um e como podem afetar as pessoas?
Você já deve ter ouvido por aí que o TDAH e a dislexia estão sempre interligados, mas, não é verdade. Os dois são transtornos de desenvolvimento e são confundidos com frequência. Para deixar claro: o TDAH afeta habilidades de atenção do indivíduo e a dislexia está ligada especificamente às habilidades de linguagem e escrita.
Ambos, quando não diagnosticados na infância, podem trazer dificuldades na idade adulta. Neste artigo, iremos abordar mais sobre cada condição, tipos, sintomas, diagnósticos e tratamentos. Vamos conferir?
Para começarmos, vamos entender primeiramente o que é cada um dos transtornos.
TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)
O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é um transtorno neurobiológico, com causas genéticas, caracterizado principalmente pela dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade. É um distúrbio mais predominante em meninos, afeta de 3% a 5% das crianças já na idade escolar e 4% da população adulta no Brasil, segundo dados coletados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA).
Segundo a Organização Mundial de Saúde, há cerca de 2 milhões de adultos com o transtorno no País. Quando não tratado na infância, os sintomas podem continuar ainda na idade adulta, mas abordaremos isso ao decorrer do texto.
Nesse transtorno, há grande dificuldade da criança manter o foco em alguma atividade, comprometendo o seu progresso, o que muitas vezes pode ser confundido com a dislexia. Porém, é só a dificuldade em prestar atenção que prejudica seu desenvolvimento.
Existem três tipos de TDAH listados. Confira.
– TDAH hiperativo ou impulsivo: as pessoas com esse tipo de TDAH movimentam-se constantemente e têm muita dificuldade em ficar paradas. Falam bastante e por diversas vezes podem acabar interrompendo a fala dos outros ou completando o raciocínio.
Em crianças, pode ser mais difícil notar, pois já são inquietas naturalmente. Mas, quando não conseguem permanecer sentadas, falam e correm excessivamente, não se mantêm em silêncio e sentem dificuldade em esperar a vez em filas, por exemplo, elas podem ter TDAH hiperativo.
– TDAH desatento: já no TDAH desatento, as pessoas que se distraem muito facilmente, têm dificuldade em se organizar e possuem memória fraca. Também podem perder coisas com frequência.
Eis alguns exemplos: não conseguem prestar atenção em uma aula ou palestra, não seguem instruções e sentem dificuldade para manter compromissos.
– TDAH misto ou combinado: é a combinação dos dois citados anteriormente. A pessoa pode apresentar tanto sintomas de hiperatividade quanto de desatenção.
Em alguns casos, o TDAH pode ser definido como DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção).
Devido aos sintomas desse transtorno, a criança pode apresentar mais dificuldade na alfabetização e memorização, trazendo até mesmo problemas de ansiedade por não conseguirem aprender ou acompanhar o desenvolvimento de sua turma.
O DSM-5 (Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais) apresenta nove sintomas para cada tipo de TDAH, e uma criança, para ser diagnosticada por um profissional, precisa apresentar pelo menos seis desses, em ambientes diferentes, como em casa e na escola. Já em adultos e adolescentes, podem apresentar apenas cinco.
É importante ressaltar que o TDAH pode causar outros transtornos, como ansiedade e depressão, por parecer que o indivíduo não consegue “se adequar” aos demais. Há também maior risco de consumo de álcool e drogas.
Neste vídeo, o neurocirurgião credenciado Omint Dr. Fernando Gomes fala um pouco mais sobre os sintomas do TDAH em adultos:
Dislexia
A dislexia é um distúrbio específico de linguagem, ou seja, afeta a capacidade de leitura e escrita do indivíduo. Dessa forma, ficam prejudicadas as habilidades de consciência fonológica e habilidades verbais. Assim como no TDAH, além de ter fatores genéticos, também costuma manifestar-se na infância e, se não tratada, pode perdurar para a idade adulta.
Entre os sintomas, estão a dispersão, a dificuldade na coordenação motora, na memorização, confusão entre letras e até mesmo a desorganização. Você já deve ter ouvido por aí que pessoas com dislexia podem trocar P por B, por exemplo, ou errar o som das palavras e pronunciá-las de forma incorreta, o que é bem comum para quem apresenta essa condição.
Quais as diferenças entre elas?
Agora que já sabemos melhor como as duas condições se comportam, podemos entender melhor a diferença entre elas e por que são tão confundidas ou atreladas uma à outra.
Como vimos, o TDAH é um transtorno caracterizado principalmente pela dificuldade de concentração e falta de atenção do indivíduo. Apesar de outros sintomas contemplarem essa lista, esses são os motivos principais.
Logo, é possível imaginar como isso pode ser confundido com a dislexia. Uma vez que a criança não consegue prestar atenção nas aulas, se distrai muito facilmente ou até mesmo não consegue ficar parado, isso claramente afetará o seu desenvolvimento escolar, fazendo com que a alfabetização seja mais difícil. Dessa forma, a suspeita de dislexia pode aparecer. Porém, são coisas diferentes.
É comum que essa confusão exista, uma vez que 70% das pessoas com TDAH têm dificuldade na leitura e escrita. É claro que crianças com diagnóstico de TDAH também PODEM ter dislexia, mas não é uma regra. Por isso, cada caso deve ser avaliado de forma multidisciplinar.
A dislexia pode ser identificada mais por dificuldades em memorizar música, trocar letras e palavras, por exemplo, uma vez que é uma disfunção puramente de linguagem, enquanto o TDAH abrange muitos outros fatores, conforme citamos.
Apesar da maior dificuldade, é possível, sim, que a criança possa aprender a ler e escrever da forma adequada nesses casos, mas é importante que o diagnóstico seja o mais precoce possível, uma vez que o tratamento pode ajudar a sanar os sintomas e permitir que a criança se desenvolva mais facilmente.
Apesar das diversas semelhanças, como a dificuldade de atenção e memorização, afetarem a interação social e o desenvolvimento escolar, é preciso investigar com profissionais como neurologistas e fonoaudiólogos para descobrir do que se trata cada caso, individualmente.
Como o TDAH se manifesta na idade adulta?
Conforme citamos, o TDAH é um transtorno neurobiológico que costuma aparecer logo na infância, quando a criança já está em idade escolar. Porém, quando essa condição não é detectada e tratada desde cedo, pode acabar persistindo pela idade adulta. Esse é um assunto que tem sido muito comentado nos últimos tempos, para que diagnósticos tardios possam perder o seu estigma.
Para entender um pouco melhor como o TDAH se comporta na idade adulta, vamos conferir alguns sintomas:
– falta de foco e atenção;
– dificuldade em seguir uma rotina;
– instabilidade profissional;
– relacionamentos instáveis;
– dificuldade maior para colocar em prática suas ideias;
– tédio frente a situações que não são estimulantes para o indivíduo.
É importante ressaltar também que, segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção, 75% dos adultos que apresentam TDAH também terão outras comorbidades, como depressão, ansiedade, compulsão alimentar, distúrbios de sono e, inclusive, dislexia.
Confira, em vídeo, como o seu cérebro regula a atenção, na explicação do Dr. Fernando Gomes:
Como lidar?
Com tantos pontos desafiadores, é fato que a rotina para essa pessoa precisa ser adaptada para que tenha mais qualidade de vida. Antes de qualquer ação, é imprescindível que a condição seja investigada por uma equipe multidisciplinar capacitada, para que possa se chegar ao diagnóstico e, então, iniciar o tratamento medicamentoso assim como as terapias auxiliares necessárias.
Como o TDAH tem um perfil mais “acelerado” do que o normal e tudo pode funcionar de maneira muito rápida, os hábitos alimentares e de sono podem acentuar ainda mais os sintomas. Por isso, para esses casos, praticar exercícios que gastem energia ajuda a melhorar o humor, a relaxar e a melhorar a qualidade de vida. É essencial também adotar uma alimentação equilibrada e bons hábitos de sono.
Outras práticas que podem ajudar o TDAH na vida adulta são dispositivos ou meios para auxiliar na organização, por exemplo:
– fazer listas;
– usar uma agenda ou planner que funcione melhor para você;
– realizar pequenas tarefas, sem se sobrecarregar, uma de cada vez.
É claro que todas essas tarefas são um processo, uma vez que a dificuldade de organização é muito presente nesse transtorno. Por isso, a ajuda profissional é indispensável, além da persistência e da paciência para lidar com o TDAH.
O mais importante é saber que tem tratamento e que isso não precisa ser um motivo de vergonha. Procure um profissional da sua confiança, tenha paciência com você mesmo e seja constante no tratamento! Dessa forma, é possível conquistar mais qualidade de vida.