O que é câncer de pele?

Você sabia que o câncer de pele representa 30% de todos os tumores malignos registrados no Brasil? Esse dado de 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde pode parecer alarmante, mas reforça a importância de cuidar da pele diariamente e adotar hábitos simples que fazem toda a diferença na prevenção.

A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura ultrapassam 90%.

Neste conteúdo, você vai descobrir o que é o câncer de pele, seus principais sintomas, tipos, tratamentos e formas eficazes de prevenção. Para trazer informações confiáveis, conversamos com a Dra. Luciane Scattone, médica dermatologista credenciada Omint, que compartilhou orientações essenciais sobre o tema.

Boa leitura!

O que é o câncer de pele?

câncer de pele ocorre quando as células das camadas da pele começam a se multiplicar de forma desordenada, dando origem a um tumor. Esse tumor pode ser classificado em três tipos principais, dependendo da camada onde se desenvolve: epiderme, derme ou hipoderme.

Causas do câncer de pele

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que o Brasil é um país tropical, onde a incidência solar é intensa durante a maior parte do ano. Essa exposição constante exige cuidados redobrados, já que os raios UVA e UVB estão entre os principais responsáveis pelo câncer de pele, contribuindo diretamente para o desenvolvimento desse tipo de tumor.

Porém, normalmente, muitas pessoas deixam de usar filtro solar em dias nublados ou chuvosos. Mas acredite: mesmo nessas condições, ele continua sendo indispensável. Quer saber por quê?

“As nuvens filtram apenas 70% dos raios solares, os outros 30% passam normalmente. Além disso, temos dois tipos de raios sendo emitidos pelo sol: UVA e UVB. Enquanto o UVB nos passa aquela sensação quente do sol, o UVA não traz essa sensação de calor, porém ambos são prejudiciais para a nossa pele. Por isso, o filtro solar é indispensável no seu dia a dia”, afirma a Dra. Luciane Scattone.

Os raios UVA conseguem atingir as camadas mais profundas da pele, sendo ainda mais prejudiciais, pois contribuem para danos celulares e aceleram o envelhecimento precoce.

Vale lembrar que tomar sol não é totalmente ruim. Ele é essencial para diversos processos do nosso corpo, como a produção de vitamina D. Mas atenção: é preciso se expor com cuidado!

Quem tem maior risco de desenvolver câncer de pele?

Embora qualquer pessoa possa ser afetada, alguns perfis apresentam maior probabilidade devido a fatores como características genéticas, hábitos de exposição ao sol e condições de saúde. Confira a seguir quais são esses fatores e por que eles aumentam o risco:

  • Indivíduos de pele clara, olhos claros, albinos ou com maior sensibilidade à radiação solar.
  • Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.
  • Indivíduos que já tiveram problemas dermatológicos prévios.
  • Profissionais que atuam em atividades expostos diretamente ao sol.
  • Exposição frequente e prolongada à luz solar.
  • Uso de câmeras de bronzeamento artificial.

Neste vídeo a Dra. Luciane explica um pouco mais sobre o assunto:

Quais os tipos de câncer de pele?

Assim como qualquer outro câncer, existem muitas variações de uma mesma doença: tumores benignos, malignos, casos mais sérios, outros mais simples. Por isso, é necessário lembrar que cada indivíduo deve ser tratado de acordo com a sua condição.

Porém, os tipos de câncer de pele mais comuns são três: carcinoma basocelular (CBC), carcinoma espinocelular (CEC) e melanoma. Veja a seguir como se apresenta cada um deles.

Carcinoma basocelular (CBC): é o mais comum de todos os tipos e o mais fácil de tratar. Esse tipo de câncer surge logo na camada mais superficial da epiderme e pode ser curado caso seja descoberto precocemente.

É mais comum em áreas que estão mais expostas ao sol, como cabeça, pescoço, colo, orelhas, ombros e costas.

Nesse caso, os primeiros sinais geralmente são lesões avermelhadas, brilhosas e podem sangrar com facilidade e até mesmo coçar.

Esse tipo de câncer não costuma ser metastático, ou seja, não se espalham para outros lugares do corpo, sendo de fácil remoção e tratamento.

Carcinoma espinocelular (CEC): é o segundo tipo mais comum e, também, surge em áreas mais expostas ao sol, porém já atinge as camadas da pele um pouco mais profundamente, no qual há contato com a corrente sanguínea. Por isso, ele pode ser metastático.

Nesse tipo, as lesões são mais caracterizadas por queratoses actínicas. “O paciente pode chegar com uma queixa de uma área de ‘aspereza’ na pele, que, mesmo retirando, volta. Isso pode ser sinal de CEC. São mais comuns do lado do rosto e do nariz”, sinaliza a dermatologista.

Melanoma: é o mais raro entre eles e o mais grave, porém, se detectado logo no início, tem mais de 90% de chance de cura.

O melanoma é caracterizado por pintas de cor escura, com bordas irregulares, sendo alta ou não, e podem sangrar.

Essas já não são comuns apenas em áreas expostas e podem aparecer por toda a extensão do corpo, exigindo a autoanálise. Caso o indivíduo note alguma lesão parecida com essas características, deve procurar um dermatologista o quanto antes para que sejam feitos os exames necessários.

Como você pode ver, os tipos de câncer existentes variam na sua gravidade, mas resumidamente são diferenciados pela camada da pele atingida, assim como na imagem a seguir:

Vale lembrar que o fator hereditário influencia no desenvolvimento da doença e a exposição solar também contribui para o desenvolvimento desses tumores.

No geral, os sintomas do câncer de pele são:

– manchas que coçam ou descamam;
– pintas que mudam de tamanho, cor ou sangram;
– feridas que não cicatrizam em 4 semanas.

Caso você note qualquer uma dessas características, procure por um dermatologista, pois somente um profissional poderá diagnosticá-lo. Caso não haja nenhuma lesão, pelo menos inclua na sua agenda um check-up anual, okay?

Como é feito o diagnóstico do câncer de pele

Identificar o câncer de pele precocemente é essencial para aumentar as chances de cura. O diagnóstico de câncer de pele é realizado exclusivamente por um dermatologista, que avaliará visualmente as lesões e poderá solicitar exames específicos. Veja como funciona:

Exame clínico

O dermatologista avalia a pele com lupa ou dermatoscópio, observando alterações de cor, formato, bordas e evolução de pintas e manchas.

Dermatoscopia digital

Recurso que permite registrar e acompanhar, de forma comparativa, o aspecto das lesões ao longo do tempo.

Biópsia

Quando há suspeita, o médico remove parte da lesão (ou toda ela) para análise laboratorial.
A biópsia é o principal exame para detectar câncer de pele, pois confirma o tipo de tumor.

Exames complementares

Em casos avançados, podem ser solicitados:
– ultrassom de pele
– tomografia
– ressonância magnética
– exames para avaliar possível metástase

Quais são os tratamentos para o câncer de pele

O câncer de pele tem tratamento e ele varia dependendo do tipo de câncer, tamanho da lesão, profundidade e localização.

Cirurgia

É o tratamento mais comum, especialmente para CBC e CEC. Pode envolver a remoção simples da lesão ou técnicas reconstrutivas.

Cirurgia micrográfica de Mohs

Muito utilizada em áreas delicadas, como rosto. Retira o câncer camada por camada, preservando tecidos saudáveis.

Crioterapia

Congelamento da lesão com nitrogênio líquido — indicado em casos iniciais, como queratoses actínicas.

Imunoterapia e terapia-alvo

Indicadas principalmente para melanoma avançado. Elas reforçam o sistema imunológico ou atacam células tumorais específicas.

Radioterapia

Pode ser usada quando a cirurgia não é recomendada.

 

Como prevenir o câncer de pele?

Antes de qualquer orientação, você já deve saber que o filtro solar é a primeira das recomendações para a prevenção do câncer de pele, mas você sabe as diferenças entre filtro solar, protetor solar e bloqueador solar? Vamos explicar!

Filtro e protetor solar são sinônimos, porém, o filtro solar é mais utilizado para se referir a produtos que são aplicados diretamente na pele para nos proteger dos raios solares. Já a palavra protetor pode ser mais utilizada para barreiras físicas contra o sol, como chapéu ou óculos. Porém, os dois termos são utilizados.

Já o bloqueador solar é um pouco mais completo do que o filtro solar. Ele possui a mesma função: proteger dos raios solares, porém, ele possui outros componentes em sua fórmula que bloqueiam completamente a ação do sol. Ou seja, é um produto mais completo e indicado para uma exposição solar mais severa, como por exemplo, na praia.

Agora que você já sabe as diferenças, vamos entender melhor o que pode causar esta doença.

Já vimos até aqui que a exposição solar e o fator da hereditariedade contribuem ativamente para o desenvolvimento do câncer de pele. Então, como é possível se cuidar frente a isso?

Use filtro solar: ele é seu melhor amigo sempre, acredite! No dia a dia, deve-se usá-lo pela manhã para que você possa ficar protegido – lembrando que não importa se está fazendo um dia de sol ou não, okay?

O filtro solar em áreas mais expostas como pescoço, colo, orelhas e ombros também se faz necessário.

Hoje, as composições dos filtros solares já acabam fazendo certo tratamento para pele, uma vez que podem conter calmantes, vitaminas, entre outros produtos que contribuem para a saúde da pele.

“No dia a dia, filtros com fator 30 já resolvem bem. Mas, se você estiver na praia ou piscina, é melhor usar um filtro solar de fator mais alto, como 60, 70 e até 90”, diz a Dra. Luciane Scattone.

O filtro solar também não deve ser utilizado antes de dormir, certo?

Visite regularmente o dermatologista: claro que sabemos que não é necessário que você fique investigando o tempo todo, mas as visitas ao dermatologista são essenciais para que haja uma avaliação.

Já pensou como pode ser difícil detectar sinais tão pequenos? Somente o profissional conseguirá perceber.

A recomendação de frequência ao dermatologista é a seguinte: caso um bebê nasça com alguma marca na pele, é necessário o acompanhamento desde o nascimento.

Para os adultos, é recomendável que você faça esse acompanhamento principalmente após os 30 anos. E, caso você tenha parentes de primeiro grau com a doença, a partir dos 20 anos o acompanhamento também já pode ser feito.

E você, tem cuidado bem da sua pele? Já sabia dessas informações? Compartilhe e espalhe a importância da prevenção!

Dezembro Laranja: por que essa campanha é importante?

A campanha Dezembro Laranja foi criada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para conscientizar a população sobre prevenção e detecção precoce do câncer de pele.

Durante o mês, dermatologistas reforçam orientações, ações públicas são realizadas e há incentivo para que as pessoas façam o autoexame e procurem avaliação médica anual.

Como identificar o câncer de pele?

O câncer de pele pode se manifestar de diferentes formas, e reconhecer os primeiros sinais é essencial para aumentar as chances de diagnóstico precoce.

Manchas que coçam ou descamam, pintas que mudam de cor ou tamanho, feridas que não cicatrizam em até quatro semanas e lesões que sangram com facilidade merecem atenção.

Além de observar o corpo no dia a dia, é importante conhecer suas próprias pintas e marcas naturais para perceber quando algo muda. Caso note qualquer alteração persistente, procure um dermatologista para avaliação.

Conheça a seguir alguns métodos para identificação precoce do câncer de pele:

Teste ABCDE

A regra ABCDE é uma forma simples e prática de identificar características suspeitas em pintas e manchas. Ela ajuda a diferenciar sinais comuns de alterações que podem indicar melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.

A – Assimetria: as metades da pinta são diferentes.

B – Bordas: irregulares, serrilhadas ou mal definidas.

C – Cor: variação de tons na mesma lesão.

D – Diâmetro: geralmente maior que 6 mm.

E – Evolução: qualquer mudança recente no formato, tamanho, cor ou textura.

Autoexame

O autoexame da pele é uma forma prática para identificar alterações precocemente. Ele não substitui a consulta com o dermatologista, mas ajuda você a conhecer seu próprio corpo e perceber sinais novos.

A orientação é realizar o autoexame uma vez por mês, preferencialmente em um ambiente com boa iluminação.

  1. Observe o rosto e o couro cabeludo

Use um espelho e afaste o cabelo com um pente. Lesões nessa região são comuns por conta da exposição solar intensa.

 

  1. Examine tronco, peito, costas e barriga

Use dois espelhos (frontal e posterior) para ajudar a identificar pequenas pintas e manchas.

 

  1. Verifique braços, mãos e unhas

Incluindo palmas das mãos, espaços entre os dedos e as unhas, onde também podem surgir alterações.

 

  1. Observe pernas, pés e sola dos pés

O melanoma pode aparecer em áreas não expostas ao sol, então não ignore locais menos visíveis.

 

  1. Atenção às dobrinhas

Axilas, virilha e áreas íntimas também podem apresentar lesões, embora sejam menos comuns.

 

  1. Anote qualquer mudança

Crescimento, mudança de cor, bordas irregulares ou sangramento são sinais de alerta.

Confira abaixo a Dra. Maria Cristina Messina explicando como realizar o autoexame para detectar câncer de pele precocemente.

 

Câncer de pele tem cura?

Sim, câncer de pele tem cura. Quando descoberto no início, pode chegar a mais de 95% de chance de cura, especialmente nos casos de CBC e CEC.

Alguns fatores influenciam o prognóstico:

– tipo de câncer
– profundidade da lesão
– rapidez no início do tratamento
– condições gerais de saúde do paciente

O melanoma é o mais agressivo, mas também tem altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente.

 

FAQ – perguntas frequentes sobre câncer de pele

Como identificar um melanoma?

Observe pintas com assimetria, bordas irregulares, variação de cor, diâmetro maior que 6 mm ou evolução rápida. A regra ABCDE ajuda muito.

Quem tem câncer de pele sente dor?

Na maior parte das vezes, não. A ausência de dor não significa ausência de gravidade.

Câncer de pele passa para outras partes do corpo?

Sim. Melanomas e alguns CECs podem metastatizar.

Existe exame de sangue para detectar câncer de pele?

Não. Apenas exames clínicos e biópsias podem confirmar o diagnóstico.

Quanto tempo leva para um câncer de pele se desenvolver?

Depende. Pode surgir em meses (melanoma) ou evoluir lentamente por anos (CBC).

Pessoas jovens também podem ter câncer de pele?

Sim, especialmente em casos de exposição solar intensa e queimaduras repetidas na infância.

 

Referências:

  1. Ministério da Saúde. Câncer de pele. Saúde de A a Z. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-pele\
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA ONCOLÓGICA. Rafael responde: quais os fatores de risco do câncer de pele? Disponível em: https://sbco.org.br/dr-rafael-responde-quais-os-fatores-de-risco-do-cancer-de-pele/\
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Câncer da pele. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/doencas/cancer-da-pele/\
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Câncer da pele. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/doencas/cancer-da-pele/#:~:text=O%20c%C3%A2ncer%20da%20pele%20responde,seus%20n%C3%BAmeros%20s%C3%A3o%20muito%20altos.\>.

Os cuidados com a saúde do homem

Com o desenvolvimento da tecnologia e as campanhas de incentivo à saúde, a expectativa de vida tem aumentado com o passar do tempo. Ainda assim, há muito a ser feito, principalmente com relação aos homens e à saúde masculina.

Segundo dados de 2022 do IBGE, os homens chegam a viver sete anos a menos do que as mulheres, e isso se dá principalmente à falta de políticas voltadas especificamente para esse público.

Mas como essa realidade pode ser melhorada? O que os homens podem fazer para viver mais e com mais qualidade? É isso que veremos no artigo de hoje.

Você vai conferir:

O que é saúde masculina e por que ela importa?

A saúde masculina é um conjunto de cuidados integrados que envolve corpo, mente, bem-estar sexual e prevenção de doenças ao longo da vida. No entanto, fatores históricos e culturais fizeram com que os homens procurassem menos o sistema de saúde, criando um padrão de negligência que ainda impacta diretamente a expectativa de vida masculina. Hoje, pesquisadores apontam que fortalecer o cuidado preventivo é uma das estratégias mais eficazes para reduzir mortes evitáveis e melhorar o envelhecimento.

A realidade da saúde do homem

Fazer visitas regulares ao médico deveria ser uma realidade para qualquer pessoa. Porém, infelizmente essa ainda não é uma realidade, nem no mundo, nem no Brasil.

Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia mostra que houve o aumento de 49,96% da procura por médicos por parte do público masculino, entre os anos 2016 e 2020, mas as mulheres estão à frente nessa jornada.

No entanto, além das barreiras culturais, muitos homens não possuem um “médico de referência” ao longo da vida, o que dificulta o acompanhamento contínuo e o diagnóstico precoce de doenças silenciosas, como hipertensão, diabetes e distúrbios hormonais.

E por que será que essa procura ainda precisa de muito incentivo?

No decorrer da história, homens carregaram o estigma de “serem fortes”, ou de não precisarem de cuidados. Atualmente, porém, sofrem as consequências desse pensamento, pois buscam ajuda somente quando algum problema já está instalado, muitas vezes dificultando possibilidades de tratamentos ou cura para alguma questão.

Culturalmente, ir ao médico ou respeitar os cuidados básicos com a saúde poderia ser visto como fraqueza ou fragilidade, mas esse é um cuidado que homens também precisam ter. É por isso que a expectativa de vida do homem no Brasil hoje pode chegar a ser de sete anos a menos do que a das mulheres, conforme citamos anteriormente.

E fica fácil ilustrar esse problema: esse papel do cuidado masculino ainda precisa ser reforçado por mulheres mais próximas, como mães, esposas ou filhas, que têm de insistir para que eles procurem ajuda e coloquem os exames em dia. Será que você tem algum caso assim na família? Pois ainda é muito mais comum do que se espera.

Por isso, existe a necessidade de termos cada vez mais incentivo e campanhas para quebrar esse estigma, para que esse público busque ajuda para prevenir possíveis problemas, ao invés de apenas chegar ao médico quando é necessário tratá-lo de forma mais severa, com doenças já instaladas.

Quais as doenças que mais afetam os homens?

Confira os tipos de doenças mais comuns no público masculino.

1. Câncer de pele não melanoma

É o tipo mais comum de câncer entre os homens. Ele se dá por conta dos raios de sol, pois os homens também têm menor tendência a usar protetor solar.

2. Câncer de próstata

Depois do câncer de pele, o de próstata é o que mais atinge os homens. Pode se manifestar geralmente após os 45 anos, idade em que os exames para o rastreamento devem ser iniciados. É importante lembrar que homens com histórico de câncer de próstata na família devem ficar mais atentos e não negligenciar seus exames.

A boa notícia é que, quando os exames começam a ser feitos na idade indicada e o câncer é identificado, as chances de cura são de mais de 90%. Vale destacar que vários tipos de tratamento dessa condição já estão mais desenvolvidos devido ao desenvolvimento da ciência nessa área. Ou seja, cada paciente pode ter o tratamento especializado para o seu caso, por isso a necessidade da investigação logo após a idade recomendada.

Você pode conferir mais sobre o que é, quais os sintomas, tratamentos e outras informações sobre o câncer de próstata aqui.

3. Câncer de pulmão

Esse é o terceiro câncer mais comum entre os homens. Com esse dado, podemos reafirmar a questão dos cuidados mais negligenciados com a saúde do público masculino. Por exemplo, o câncer de pulmão é uma das principais causas de morte evitáveis, já que em 85% das suas incidências a doença está relacionada ao consumo de tabaco e derivados.

De acordo com informações disponibilizadas pelo INCA, em 2020, 22,3% da população mundial usou algum tipo de tabaco, sendo que 36,7% desse público é masculino. Ou seja, o estilo de vida prejudicial ainda prevalece entre os homens.

4. Doenças que afetam o fígado

Junto ao tabaco, muitas vezes pode estar associado o consumo de álcool. Quando ocorre o uso exacerbado, pode afetar o fígado, facilitando a presença de doenças como cirrose, hepatites e câncer de fígado.

Assim como o consumo de tabaco, o de álcool é maior entre os homens. Segundo dados da Opas (Organização Panamericana de Saúde), em 2010, o consumo total de álcool per capita, em litros de álcool puro, foi em média de 19,4 litros para os homens e 7 litros para as mulheres.

5. Diabetes e doenças cardiovasculares

A diabetes e as doenças cardiovasculares também têm mais incidência nos homens, pois por muitas vezes estão relacionadas ao estilo de vida. O sedentarismo, a falta de cuidado com a alimentação, o alto consumo de álcool e tabaco, e a falta de controle de peso podem fazer com esses tipos de doença apareçam mais facilmente.

Neste vídeo, o Dr. Davi Abem, urologista e médico credenciado da Omint, dá um recado sobre saúde do homem:

Quais são os principais cuidados com a saúde do homem?

Saúde física

A saúde física envolve hábitos diários como alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono adequado e controle de fatores de risco (pressão, colesterol, glicemia). Pequenas mudanças de rotina podem reduzir drasticamente a incidência de doenças cardiovasculares, principal causa de morte entre homens no Brasil e no mundo.

Saúde mental masculina

Os homens ainda têm mais dificuldade de reconhecer sintomas de ansiedade, depressão ou estresse crônico. A saúde mental masculina também sofre influência da pressão social por desempenho, produtividade e autocontrole emocional. Criar espaços de diálogo e incentivar a busca por apoio psicológico é fundamental para quebrar o ciclo de silêncio.

Saúde íntima e prevenção

A saúde sexual e reprodutiva também merece atenção, incluindo: prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, avaliação hormonal, função erétil e libido. O acompanhamento com especialistas ajuda a identificar alterações hormonais, infertilidade, disfunção erétil e inflamações urológicas, muitas vezes negligenciadas por vergonha ou desinformação.

 

Qual médico cuida da saúde do homem?

Urologista, andrologista e outras especialidades

O urologista é o principal especialista responsável pela saúde do homem, desde a juventude até a terceira idade. Ele acompanha rins, próstata, bexiga, testículos e saúde sexual.

Já o andrologista é focado especificamente em questões hormonais e reprodutivas masculinas. Dependendo da fase da vida, outros profissionais também podem ser importantes: cardiologista, endocrinologista, nutrólogo, psiquiatra e psicólogo.

Quando procurar um especialista

O ideal é que todo homem tenha um médico de referência antes dos 40 anos, não apenas quando surge um sintoma. Consultas anuais, mesmo sem alterações, permitem identificar problemas silenciosos e personalizar orientações e tratamentos.

Qual o papel da campanha Novembro Azul nessa caminhada?

Até aqui, já vimos quão necessário é o incentivo para que os homens cuidem mais da sua saúde, não é mesmo?

E é por isso que a campanha Novembro Azul chega para contribuir ainda mais. Como vimos, o segundo câncer mais incidente nos homens é o câncer de próstata, que merece atenção redobrada para os seus cuidados.

A campanha Novembro Azul nasceu em 2011 com o objetivo da conscientização da doença e para reforçar a importância do rastreamento do câncer em sua fase inicial. Por isso, reforça que os exames devem começar a ser feitos aos 45 anos, para homens com histórico na família, e aos 50, para os que não tem.

Conforme citamos, o câncer de próstata tem alto índice de chances de cura se descoberto no início, assim como o câncer de mama para as mulheres.

Por isso, a campanha deve ser largamente divulgada para que possa auxiliar nessa jornada.

Exames de rotina e check-up masculino

Os exames preventivos devem ser realizados periodicamente e variam conforme a idade e o histórico familiar. Eles são fundamentais para identificar doenças de forma precoce, quando as chances de tratamento e cura são maiores.

De acordo com o médico Dr. Luís Fernando Penna, em entrevista ao VivaBem/UOL (2025), exames básicos como hemograma, glicemia e colesterol devem ser realizados regularmente para prevenir doenças.

Confira a seguir a lista de exames recomendados por faixa etária.

Exames por faixa etária

A partir dos 20 anos

  • Hemograma, glicemia, colesterol e função renal
  • Pressão arterial
  • Avaliação dermatológica (controle de sinais e manchas)
  • Avaliação cardíaca e perfil hormonal
  • Rastreamento de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis)

A partir dos 40 anos

Todos os exames anteriores e mais:

  • Avaliação prostática (PSA total e livre)
  • Ultrassom pélvico conforme orientação
  • Checagem aprofundada de risco cardiovascular
  • Colonoscopia

A partir dos 60 anos

Todos os exames anteriores e mais:

  • Avaliação completa de função renal, hepática, vitamina D e sódio/potássio
  • Densitometria óssea para avaliação de osteoporose
  • Avaliação de funções cognitivas

Principais exames hormonais e preventivos

  • Testosterona total e livre
  • TSH, T4 e perfil da tireoide
  • Vitamina D
  • Função renal: ureia e creatinina
  • Função hepática: TGO, TGP, GGT

 

Como é possível melhorar os cuidados com a saúde do homem?

Essa situação, por mais que ainda não seja ideal, já vem caminhando para uma melhora. Conforme citamos no texto, os homens têm buscado mais por serviços de saúde, mas ainda há muito a ser feito. Veja!

  1. Ensino que vem de casa: uma das boas estratégias para que esse cenário mude a longo prazo é ensinar desde cedo que todos nós precisamos nos cuidar, independentemente do sexo. O incentivo pode vir desde criança, sempre reforçando como é possível ter esses cuidados, que pode ser principalmente colocado como ato de autocuidado e amor-próprio, algo que tem se tornado muito mais comum na sociedade atual.
  2. Incentivo da família e amigos: se o seu pai, avô, tio ou amigos não estão se cuidando como deveria, que tal apoiar esse cuidado? Relembrar a importância e mostrar que você se importa também é um ato de carinho!
  3. Políticas públicas mais frequentes, como foco no homem = mais informação: por meio de políticas públicas e mais campanhas de incentivo, é possível que cada vez mais pessoas sejam alcançadas. Muitas vezes, apenas a desinformação pode ser a causa da ausência de busca por ajuda.

Os cinco pilares da saúde do homem

  1. Físico: atividade física, alimentação e sono.
  2. Mental: equilíbrio emocional, manejo de estresse.
  3. Sexual: prevenção, função erétil, acompanhamento hormonal.
  4. Social: vínculos, apoio familiar, qualidade de vida.
  5. Preventivo: check-up, exames e visitas regulares ao médico.

 

Dúvidas frequentes sobre a saúde do homem (FAQ)

Quais são os cinco eixos da saúde do homem?

Físico, mental, sexual, social e preventivo.

Qual exame o homem deve fazer depois dos 40?

PSA, exames cardiológicos, perfil metabólico e avaliação hormonal.

Qual é o médico da saúde do homem?

Principalmente o urologista; andrologista e endocrinologista também complementam o cuidado.

Ginecologista atende homem?

Não; homens devem procurar urologistas ou andrologistas.

O que é saúde mental masculina?

É o cuidado emocional, comportamental e psicológico, influenciado por fatores culturais que dificultam o pedido de ajuda.

 

Conclusão

Além da informação, o incentivo passa pelo ambiente familiar, por campanhas educativas e por políticas públicas de prevenção contínua. Empresas, escolas e serviços de saúde também têm papel essencial em criar espaços que acolham os homens e facilitem o acesso ao cuidado.

Priorize sua saúde em todas as fases da vida. Faça seus exames regularmente, busque acompanhamento médico e incentive outros homens à sua volta a fazer o mesmo. A prevenção é o caminho mais seguro para uma vida longa e com qualidade.

Referência:

CARVALHO, Rone. Já fez o check-up do ano? Quais exames são indicados para cada faixa etária. VivaBem/UOL, 15 jul. 2025. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2025/07/15/check-up-quais-exames-fazer-de-acordo-com-sua-faixa-etaria.htm