Saúde do coração: como cuidar e manter o bem-estar cardiovascular

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. E no Brasil não é diferente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, todos os anos mais de 400 mil pessoas perdem a vida por problemas relacionados ao coração e ao sistema circulatório.  

Apesar dos números, a Organização Mundial da Saúde aponta que até 80% desses casos poderiam ser evitados com hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular. 

O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, é parte da campanha global Setembro Vermelho, criada em 2000 pela Federação Mundial do Coração em parceria com a ONU. O objetivo é ampliar o acesso à informação, reforçar a importância da prevenção e incentivar pessoas de todas as idades a adotarem hábitos mais saudáveis. 

Neste artigo, você vai entender o que significa ter boa saúde cardiovascular, quais sinais merecem atenção, os principais fatores de risco e, sobretudo, como cuidar do coração no dia a dia. 

O que é saúde cardiovascular e por que ela importa? 

A expressão saúde cardiovascular se refere ao bom funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos, responsáveis por levar oxigênio e nutrientes a todo o corpo. 

Quando o coração está saudável: 

  • o sangue circula de forma eficiente; 
  • a pressão arterial se mantém estável; 
  • os níveis de colesterol e glicose ficam equilibrados. 

Quando há alterações nesse sistema, aumentam as chances de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto, AVC, insuficiência cardíaca e hipertensão. 

Por que importa? Porque o coração é o motor do corpo. Se ele falha, todas as funções vitais ficam comprometidas. 

Principais sinais de alerta do coração 

Antes de qualquer coisa, é fundamental reconhecer os sintomas que indicam risco à saúde cardiovascular. Fique atento a: 

  • dor ou pressão no peito (angina); 
  • falta de ar em repouso ou esforço leve; 
  • palpitações (batimentos acelerados ou irregulares); 
  • inchaço nos tornozelos, nos pés ou no abdômen; 
  • fadiga excessiva e indisposição; 
  • desmaios ou tontura frequente. 

Importante: dor no peito irradiada para braço, costas, mandíbula ou pescoço, acompanhada de suor frio e náuseas, pode ser sinal de infarto. Procure atendimento imediato. 

 Fatores de risco para doenças cardíacas 

As doenças cardiovasculares têm origem em múltiplos fatores. Alguns podem ser modificados com mudanças de hábitos, outros não. 

Alteráveis (controláveis) 

Sedentarismo: realizar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana diminui o risco de hipertensão e obesidade.  

Alimentação inadequada: dietas ricas em sal, açúcar, frituras e ultraprocessados favorecem colesterol alto, diabetes e pressão elevada. 

Tabagismo: fumar aumenta em até 70% o risco de infarto e acelera o envelhecimento das artérias. 

Consumo excessivo de álcool: pode elevar a pressão arterial, causar arritmias e comprometer o fígado. 

Obesidade: o excesso de gordura corporal sobrecarrega o coração e está associado à resistência à insulina. 

Diabetes mal controlada: níveis elevados de glicose danificam vasos sanguíneos e aumentam o risco de aterosclerose. 

Hipertensão arterial: pressão constantemente acima de 13/8 mmHg dobra o risco de AVC e infarto. 

Não alteráveis 

Idade: o risco cresce a partir dos 50 anos, especialmente após a menopausa nas mulheres. 

Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau com doença cardíaca precoce (antes dos 55 anos em homens ou 65 em mulheres) aumenta a predisposição. 

Genética: mutações hereditárias podem influenciar níveis de colesterol, pressão e funcionamento do coração. 

Ser mulher: novo fator de risco? 

Embora o infarto ainda seja associado principalmente aos homens, os números atualizados em posicionamento sobre a saúde do coração feminino – lançado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – mostram uma realidade preocupante para as mulheres, especialmente as mais jovens. Nas últimas décadas, a mortalidade por doenças cardiovasculares aumentou entre brasileiras de 15 a 49 anos, contrariando a tendência de queda observada em outros grupos. 

Esse cenário pode estar relacionado a uma combinação de fatores: sintomas menos típicos que dificultam o diagnóstico rápido, influência do estresse e de condições de saúde mental, além de aspectos sociais e biológicos que elevam o risco.  

Para completar, muitas mulheres recebem tratamento tardio ou insuficiente, o que aumenta as complicações e reduz as chances de recuperação plena. Esse dado reforça a necessidade de ampliar a atenção à saúde do coração feminino e incentivar consultas preventivas em todas as faixas etárias. 

Como fortalecer o coração com hábitos saudáveis 

Manter o coração saudável exige uma mistura de escolhas diárias. O segredo está em somar boa alimentação, exercícios, sono adequado e controle de fatores de risco.  

Alimentação equilibrada 

Entre os alimentos para saúde do coração, destacam-se: 

  • frutas (vermelhas, cítricas, abacate); 
  • verduras e legumes ricos em fibras; 
  • grãos integrais (aveia, quinoa, arroz integral); 
  • peixes ricos em ômega-3; 
  • azeite de oliva extravirgem; 
  • oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas). 

Um mito comum dentro do tema saúde do coração é sobre existir uma fruta que “limpa artérias”. Na realidade, nenhum alimento tem o poder de desobstruir vasos sanguíneos já comprometidos. Mas frutas antioxidantes, como uvas, maçã e laranja, ajudam a reduzir o colesterol ruim e proteger as artérias. 

Exercícios e atividade física 

  • Praticar ao menos 30 minutos de caminhada por dia melhora a circulação e fortalece o músculo cardíaco. 
  • Atividades aeróbicas, como corrida, natação ou ciclismo, reduzem pressão arterial e colesterol. 
  • Treinos de força ajudam no controle de peso e metabolismo. 

 

> Leia também sobre como os exercícios físicos contribuem para a saúde mental. 

 

Controle de peso, pressão, colesterol e glicose 

  • Pressão arterial ideal: 12/8 mmHg. 
  • Colesterol LDL: abaixo de 100 mg/dL. 
  • Glicemia em jejum: até 99 mg/dL. 

Redução do estresse e sono de qualidade 

O estresse crônico aumenta a inflamação do organismo. Aposte em hobbies, técnicas de relaxamento, lazer e noites de sono de 7 a 9 horas.

Neste vídeo, o médico do esporte credenciado Omint, Dr. Luiz Riani, explica como a corrida – com a estratégia certa – pode ser sua aliada na busca pela saúde integral:

Doenças cardiovasculares mais comuns 

As 5 doenças cardiovasculares mais frequentes são: 

  1. infarto agudo do miocárdio (IAM): bloqueio das artérias do coração; 
  2. acidente vascular cerebral (AVC): interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro; 
  3. hipertensão arterial: pressão alta crônica; 
  4. insuficiência cardíaca: coração não consegue bombear sangue de forma eficaz; 
  5. doença arterial coronariana: placas de gordura nas artérias coronárias. 

Como acompanhar a saúde do coração 

O acompanhamento preventivo é fundamental. Mesmo pessoas sem sintomas, histórico familiar ou fatores de risco devem buscar um médico a partir dos 40 anos para avaliação inicial. 

Exames recomendados (sob orientação médica) 

  • Pressão arterial: verificada em todas as consultas. 
  • Colesterol total e frações: a cada 1 a 3 anos, dependendo do risco. 
  • Glicemia de jejum: a cada 1 a 3 anos. 
  • Eletrocardiograma (ECG): indicado pelo médico para avaliar ritmo cardíaco. 
  • Ecocardiograma: quando há sintomas ou histórico familiar. 

Com fatores de risco (hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo), o check-up deve ser anual ou até semestral. 

Sem fatores de risco, a recomendação é de avaliação a cada 2 a 3 anos, sempre sob indicação médica. 

Vida após o infarto 

Após o infarto, o primeiro passo é restaurar rapidamente o fluxo sanguíneo para evitar danos maiores ao coração. Isso geralmente é feito por meio do cateterismo, no qual um stent é inserido na artéria para desobstruí-la e permitir a circulação. Em alguns casos, podem ser utilizados medicamentos anticoagulantes, mas o stent é considerado o tratamento mais eficaz e imediato.  

Após a alta hospitalar, o paciente costuma iniciar um tratamento contínuo com medicações, como a aspirina (para evitar novos coágulos) e as estatinas (para controlar o colesterol), além de outros fármacos conforme condições associadas, como hipertensão ou diabetes. 

A recuperação exige mudanças permanentes no estilo de vida. O coração que passou por um infarto dificilmente volta ao funcionamento pleno, e, dependendo da gravidade, pode evoluir para insuficiência cardíaca, condição em que o órgão perde parte da sua capacidade de bombear sangue.  

Por isso, o paciente precisa manter acompanhamento médico regular, aderir às medicações prescritas e adotar hábitos saudáveis que já citamos por aqui. O tratamento é para a vida toda e tem como objetivo não apenas evitar novos eventos, mas também garantir qualidade de vida e maior longevidade. 

Perguntas frequentes sobre saúde do coração 

O que fazer para melhorar a saúde do coração?

Praticar exercícios, ter alimentação saudável, controlar peso, pressão e glicose, além de manter sono adequado. 

Qual é o melhor alimento para o coração?

Peixes ricos em ômega-3, frutas vermelhas e nozes são grandes aliados. 

O que é saúde cardiovascular?

É o equilíbrio do coração e dos vasos sanguíneos, garantindo circulação adequada e prevenção de doenças. 

Quais os sinais de que o coração não está bem?

Dor no peito, palpitações, falta de ar, fadiga constante e inchaços. 

Qual fruta ajuda a limpar as artérias?

Não existe fruta que “limpe” artérias, mas uvas, maçã e laranja reduzem o risco de entupimentos. 

Como cuidar do coração para não ter infarto?

Adote hábitos saudáveis, faça check-ups regulares e nunca ignore sintomas suspeitos. 

 

Conclusão 

A saúde do coração depende de escolhas diárias. Alimentação equilibrada, prática de exercícios, controle do estresse e acompanhamento médico regular são passos simples, mas capazes de salvar vidas. 

Aproveite o Setembro Vermelho para refletir sobre sua rotina e colocar a saúde cardiovascular como prioridade. 

Na Omint, reforçamos nosso compromisso em oferecer uma rede credenciada de excelência, com especialistas preparados para cuidar do coração em todas as fases da vida. 

Transtorno de estresse pós-traumático: como lidar com traumas extremos?

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma condição de saúde mental que pode se desenvolver em pessoas que vivenciaram, testemunharam ou foram expostas a eventos traumáticos. Estes podem ter diferentes origens, como ameaças de morte, acidentes graves, desastres naturais, guerras, violência sexual, entre outros.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% da população mundial será exposta a alguma situação capaz de deixar traumas, mas apenas 5,6% desenvolverão TEPT, o que nos leva ao percentual estimado de 3,9% dos habitantes do Planeta vivendo com transtorno de estresse pós-traumático em algum momento da vida.

Esses números costumam aumentar em determinados recortes. Por exemplo, as taxas de transtorno de estresse pós-traumático são quase quatro vezes maiores (15,3%) em populações que vivem em meio a guerras ou conflitos violentos. Os números também são bastante altos entre vítimas de violência sexual.

Leia também: O que é ansiedade social?

Pela própria natureza, o transtorno de estresse pós-traumático representa um desafio significativo tanto para quem o vivencia quanto para os profissionais que acompanham esse paciente. O TEPT pode impactar profundamente a vida de uma pessoa, afetando emoções, pensamentos, relacionamentos e até mesmo sua capacidade de manter a rotina e a funcionalidade no dia a dia.

O caminho percorrido pela experiência traumática não é exatamente linear. Nem todas as pessoas que vivenciaram um evento traumático desenvolvem o TEPT. Diversos elementos podem ser cruciais para influenciar o quadro. Dentre eles, podemos destacar fatores genéticos, natureza e gravidade do trauma, resiliência individual e presença ou ausência de uma rede de apoio.

O que é e como se manifesta o TEPT?

O transtorno de estresse pós-traumático pertence à categoria dos transtornos de ansiedade. Sua principal característica é a persistência de sintomas após a exposição do indivíduo a um ou mais eventos traumáticos.

Esses sintomas são complexos e se dividem em quatro categorias principais, de acordo com diagnósticos como o do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e o Código Internacional de Doenças (CID-10). Veja a seguir.

Sintomas de intrusão: ocorrem quando o evento traumático invade a mente da pessoa de forma repetida e fora de controle. Podem vir na forma de memórias intrusivas, pensamentos assustadores, pesadelos recorrentes ou flashbacks, nos quais a pessoa sente como se revivesse o trauma, inclusive com reações físicas como suor excessivo e aumento da frequência cardíaca.

Comportamento evitativo: é quando há esforço deliberado para repelir e afastar tudo que possa trazer lembranças do trauma. Dentre os exemplos, estão evitar pessoas, lugares, ocupações, pensamentos ou conversas associadas ao evento traumático. Essas atitudes podem levar ao isolamento social e à perda de interesse em atividades que antes ofereciam sensações de prazer.

Alterações negativas na capacidade de cognição e no humor: o trauma pode distorcer a maneira como a pessoa percebe a si mesma, os outros e o mundo. Isso pode desencadear pensamentos negativos exagerados, como culpa ou vergonha persistentes, bem como a dificuldade de sentir emoções positivas. O indivíduo também pode manter-se distante ou alienado dos outros, além de apresentar dificuldade em recordar aspectos importantes do evento traumático.

Alterações no estado de alerta e reatividade: a pessoa com TEPT pode desenvolver o estado permanente de hipervigilância, como se estivesse sempre na expectativa de que algo ruim aconteça. Tal estado pode levar à dificuldade de concentração, irritabilidade, explosões de raiva, problemas de sono e reações exageradas a ruídos inesperados ou imprevistos em geral.

Leia também: Síndrome sensorial: sintomas, diagnóstico e tratamento

Mais do que incômodos, esses sintomas podem ser debilitantes e interferir de maneira significativa na vida pessoal, profissional e social. Estudo realizado em conjunto por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e da Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Espírito Santo constatou que 1,6% da população da Região Metropolitana de São Paulo sofreu de TEPT no período de janeiro a dezembro de 2022.

O mesmo levantamento apontou que exatamente o dobro desse percentual – ou seja, 3,2% dos entrevistados – corresponde a pessoas que afirmaram ter sofrido estresse pós-traumático ao longo da vida. O principal motivo foi a violência.

À primeira vista, os números podem parecer baixos em relação aos índices mundiais mostrados no início do texto. No entanto, os pesquisadores alertaram para o elevado volume dos chamados casos subsindrômicos, nos quais a pessoa fica no limiar do TEPT.

Apesar de não apresentarem todos os sintomas característicos do transtorno de estresse pós-traumático, elas estão vulneráveis a desenvolvê-lo mais tarde, além de sofrerem mais risco de serem afetadas por outros transtornos.

O impacto do trauma na mente e no corpo

Para entender como lidar com traumas extremos, é fundamental compreender como o trauma afeta o sistema nervoso. O cérebro tem como função primária nos manter seguros por meio do processamento de experiências e sua transformação em memórias.

No entanto, quando uma vivência provoca algum tipo de abalo, o mesmo cérebro pode ter dificuldades em processá-la da forma adequada. A amígdala, parte do cérebro responsável por detectar ameaças, e o hipocampo, ligado à memória, são duas áreas particularmente afetadas pelo trauma.

Pesquisa científica sobre o tema, publicada na Revista Eixo, em 2021, mostra que o TEPT pode causar alterações nas estruturas dessas áreas cerebrais, além de prejuízos em funções cognitivas como a memória e a atenção.

O estado de constante alerta do sistema nervoso simpático, que é a resposta de “luta ou fuga”, leva o corpo a liberar cortisol e outros hormônios do estresse de forma crônica, o que pode trazer consequências físicas no longo prazo, contribuindo para o desenvolvimento de doenças psicossomáticas e outros problemas de saúde.

Leia também: Doenças psicossomáticas: o que são e como posso me prevenir?

O corpo e a mente estão conectados de maneira inseparável, e a maneira como o trauma mostra isso é dramática e dolorosa. As memórias do acontecimento traumático não ficam restritas à mente: o corpo também as sente, provocando reações físicas intensas. Entender essa dimensão é fator decisivo para a eficácia do tratamento.

Estratégias para lidar e superar traumas extremos

O tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é contínuo e de múltiplas etapas, que exige acompanhamento especializado. Ele deve ser estruturado de forma integrada, utilizando desde técnicas baseadas em evidências da psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental focada no trauma e a dessensibilização e o reprocessamento por meio de movimentos oculares (EMDR), até suporte farmacológico quando indicado.

A rede de apoio social também desempenha papel crucial tanto na adesão ao tratamento como na redução do isolamento. Em paralelo, estratégias de autocuidado e regulação fisiológica do sono, da atividade física e do controle do estresse complementam o plano terapêutico.

Ajuda profissional é essencial

A primeira e mais importante etapa para tratar o TEPT é buscar ajuda de um profissional de saúde mental qualificado, como psicólogo ou psiquiatra. Eles podem oferecer diagnóstico preciso e plano de tratamento personalizado. É preciso entender que não se trata de fraqueza, mas de uma decisão inteligente e essencial para favorecer a recuperação.

Psicoterapia: é a principal forma de tratamento para o TEPT. Entre as abordagens mais eficazes, destacam-se:

 terapia cognitivo-comportamental (TCC): foca em identificar e modificar padrões de pensamento e comportamento disfuncionais. A terapia de processamento cognitivo (TPC), uma forma de TCC, ajuda o indivíduo a reavaliar pensamentos e crenças negativas relacionadas ao trauma, como culpa e medo;

terapia de exposição prolongada (PE): sob a orientação de um terapeuta, a pessoa confronta gradualmente as memórias e os gatilhos do trauma em um ambiente seguro e controlado. Isso ajuda a diminuir a intensidade das reações emocionais e físicas ao longo do tempo;

 dessensibilização e reprocessamento por meio de movimentos oculares (EMDR): utiliza movimentos oculares direcionados para ajudar a processar e a integrar memórias traumáticas. O EMDR tem se mostrado promissor na redução dos sintomas de TEPT;

 medicação: em alguns casos, o psiquiatra pode prescrever medicamentos, como antidepressivos (inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ISRS) para ajudar a controlar os sintomas de estresse pós-traumático, como depressão, ansiedade e problemas de sono. A medicação é geralmente usada em conjunto com a psicoterapia para obter melhores resultados.

Desenvolvimento da resiliência e do autocuidado

Enquanto a terapia é a pedra angular do tratamento do transtorno de estresse pós-traumático, o autocuidado e o desenvolvimento de resiliência são fundamentais para fortalecer a pessoa mental e fisicamente em seu processo de cura. Para isso, é necessário tomar as seguintes ações:

 criar uma rede de apoio sólida: o isolamento é um sintoma comum do TEPT e grande obstáculo para a recuperação. Conectar-se com amigos, familiares ou grupos de apoio pode oferecer senso de segurança e pertencimento. Compartilhar a experiência em um ambiente acolhedor e sem julgamentos também pode aliviar o peso emocional;

priorizar o autocuidado físico: a saúde mental e a física estão intrinsecamente ligadas. Atividades como exercícios físicos, alimentação nutritiva e rotina de sono consistente ajudam a regular o humor e a reduzir os níveis de estresse. O yoga e a meditação, por exemplo, têm se mostrado eficazes no tratamento dos sintomas de TEPT, conforme artigo da revista BMC Complementary Medicine and Therapies publicado em 2023;

praticar o mindfulness e técnicas de relaxamento: a prática da atenção plena (mindfulness) auxilia a pessoa a se reconectar com o presente e a acalmar o sistema nervoso hipervigilante. Técnicas de respiração profunda, como a respiração diafragmática, podem ser usadas para interromper a resposta de “luta ou fuga” e trazer o corpo de volta a um estado de calma;

estabelecer limites saudáveis: após um trauma, é essencial aprender a proteger a si mesmo. Isso pode significar afastar-se de pessoas ou situações tóxicas e dizer “não” a exigências que possam trazer sobrecarga emocional. Proteger o espaço e a paz de espírito é um ato de autocuidado;

grandes vitórias começam com pequenos passos: o processo de cura não acontece da noite para o dia. Celebrar as pequenas conquistas, como sair de casa por alguns minutos, retomar um hobby ou ter uma noite de sono tranquila também são importantes para a recuperação.

A importância de quebrar o tabu e buscar ajuda

Apesar da seriedade do transtorno de estresse pós-traumático, a condição ainda é cercada por tabus e estigmas. Há quem sinta vergonha ou culpa, acreditando que a “superação” do trauma é um processo individual e solitário.

Em 2023, o Jornal da USP publicou os resultados de uma pesquisa apontando que o TEPT é subdiagnosticado, sobretudo em comunidades periféricas, onde a violência costuma ser mais presente no cotidiano.

O estresse pós-traumático não é falha de caráter, mas a resposta humana a uma experiência desumana. A busca por ajuda é sinal de força e coragem. A ciência já provou que o tratamento funciona e que a recuperação é possível.

Leia também: A importância do cuidado com a saúde mental dos colaboradores

O processo de recuperação de um trauma extremo é único para cada pessoa. É um caminho de autodescoberta que envolve a reorganização cognitiva e emocional, mesmo que as experiências traumáticas produzam alterações permanentes nos padrões de resposta ao estresse e na percepção de segurança.

Tratamentos adequados permitem elaborar mecanismos de enfrentamento mais adaptativos, maior regulação emocional e o fortalecimento das funções de resiliência psicológica. O acompanhamento terapêutico, o suporte social e o autocuidado tornam possível não apenas sobreviver ao trauma, mas também evoluir a partir dele, descobrindo novas forças e novos sentidos para a vida.

Confira, em vídeo, alguns sinais de estresse:

Alergias mais comuns: causas, sintomas e prevenção

As alergias mais comuns, como rinite, asma, dermatite atópica ou alergia alimentar, fazem parte da realidade de milhões de pessoas ao redor do mundo. No Brasil, a situação não é diferente.  

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cerca de 30% da população brasileira convive com algum tipo de doença alérgica. 

E o mais preocupante: esse número está crescendo, especialmente nas grandes cidades, onde fatores como poluição, mudanças nos hábitos alimentares e maior exposição a alérgenos favorecem o aumento dos casos de alergias. 

Neste artigo, vamos explicar o que são as alergias, quais são as mais comuns, como identificá-las, tratá-las e preveni-las. Boa leitura! 

O que são alergias? 

A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma substância que, na maioria das vezes, é inofensiva para a maior parte das pessoas.  

Essa substância é chamada de alérgeno e pode estar presente no ar, em alimentos, medicamentos, picadas de insetos ou até mesmo no contato com a pele. 

Quando o organismo entra em contato com esse alérgeno, o sistema imunológico libera substâncias como a histamina, que causam sintomas como coceira, espirros, inchaço, vermelhidão, falta de ar ou irritações cutâneas. 

A reação alérgica, costuma ocorrer em indivíduos que têm uma predisposição genética (ou seja, uma tendência herdada de familiares) e que já tiveram contato anterior com a substância causadora da alergia (alérgeno), ficando “sensibilizadas”. 

As alergias mais comuns 

As alergias mais comuns podem se manifestar de diferentes formas e intensidades, afetando a pele, o sistema respiratório, o trato digestivo ou até o organismo como um todo. Entre os tipos mais frequentes estão: 

  • Alergia na pele. 
  • Alergia alimentar. 
  • Alergia a medicamentos. 

Para facilitar a compreensão, preparamos um infográfico que explica de forma clara os sintomas de alergia, causas e tratamentos para os diferentes tipos de alergias. Confira: 

Diagnóstico 

O diagnóstico das alergias mais comuns – ou até as mais complexas – exige atenção do profissional de saúde, já que os sintomas podem variar bastante de pessoa para pessoa e, muitas vezes, se confundem com outras condições. 

É importante que seja considerado o histórico clínico do paciente, que deve informar ao especialista a frequência das reações, o ambiente e estrutura que vive, alimentos que consome, medicações que toma e antecedentes familiares.  

Essa anamnese é fundamental para direcionar os próximos passos. 

O médico pode solicitar testes específicos para confirmar a suspeita. Os mais utilizados são os testes cutâneos (prick test), que consistem na aplicação de pequenas quantidades de alérgenos na pele do antebraço e nas costas, observando se ocorre alguma reação local. 

Outro exame importante é a dosagem de IgE específica no sangue, que mede os níveis de anticorpos relacionados a respostas alérgicas. 

Em casos de alergia alimentar ou medicamentosa, pode-se recorrer também a testes de provocação controlada, realizados em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso, para observar a reação do organismo à substância suspeita. 

Já em alergias de pele, a inspeção direta das lesões, associada ao contexto em que surgem, muitas vezes é suficiente para estabelecer o diagnóstico. 

Tratamento 

O tratamento das alergias mais comuns começa com a identificação precisa dos fatores desencadeantes das crises. Para isso, o médico alergista pode solicitar diferentes exames e testes específicos — como testes cutâneos e de sangue — que ajudam a reconhecer quais alérgenos estão provocando as reações.  

Como vimos no tópico anterior, esse processo diagnóstico é considerado um dos pilares no manejo das doenças alérgicas, pois permite traçar uma conduta personalizada e mais eficaz. 

Com base nesses resultados, o tratamento pode envolver medidas combinadas, que incluem tanto o controle ambiental, que envolve mudanças simples no cotidiano, como reduzir a exposição a poeira, ácaros, mofo ou alimentos identificados como gatilhos, e uso de medicamentos voltados para o alívio dos sintomas. 

Vale reforçar que a automedicação não é recomendada. O tratamento deve ser sempre conduzido por um profissional habilitado, considerando as características individuais de cada pessoa, a gravidade da alergia e o histórico clínico. 

Prevenção 

A prevenção das alergias mais comuns começa pela observação atenta do ambiente em que a pessoa vive e trabalha, além da identificação de possíveis fatores desencadeadores dos sintomas. 

Elementos como poeira, pelos de animais, ácaros, mofo ou determinados alimentos devem ser monitorados com cuidado, especialmente se houver histórico familiar de doenças alérgicas. 

Evitar o contato frequente com os alérgenos conhecidos é, de modo geral, a maneira mais eficaz de prevenir as crises. 

Isso pode incluir medidas simples, como manter os ambientes bem ventilados, usar capas antialérgicas em travesseiros e colchões, evitar o acúmulo de objetos que retenham poeira e adotar uma alimentação mais controlada, nos casos de alergias alimentares. 

Quanto mais cedo reconhecer os gatilhos, maiores as chances de reduzir a frequência e a intensidade das reações alérgicas no dia a dia. 

Sinais de alerta 

Embora a maioria das alergias comuns cause sintomas leves ou moderados, em alguns casos elas podem provocar reações graves, como a anafilaxia, que é uma reação rápida do corpo inteiro e pode levar à morte. 

Esses são alguns sinais que você deve ficar atento: 

  • inchaço nos lábios, língua ou garganta; 
  • dificuldade para respirar ou sensação de sufocamento; 
  • queda da pressão arterial; 
  • urticária intensa pelo corpo; 
  • náuseas, vômitos ou dor abdominal logo após o contato com o alérgeno; 
  • confusão mental ou desmaio. 

Esses sintomas geralmente surgem poucos minutos após a exposição ao alérgeno. Nestes casos, o tratamento imediato com adrenalina intramuscular é fundamental para evitar complicações graves, como choque anafilático e até parada cardiorrespiratória. 

Principais dúvidas sobre alergias mais comuns: 

  1. Quais são as alergias mais comuns? 

  • Rinite alérgica 
  • Asma alérgica 
  • Dermatite atópica 
  • Urticária 
  • Alergia alimentar 
  • Alergia a medicamentos 
  • Alergia a picadas de insetos 
  1. Alergia na pele: como identificar e tratar? 

É possível identificar alergias na pele ao notar lesões avermelhas, coceira, descamação, bolhas ou inchaços. O tratamento inclui evitar o contato com o alérgeno, fazer o uso de cremes ou remédios indicados pelo médico e manter a hidratação tanto da pele quanto através da ingestão de líquidos.  

  1. Alergias alimentares: alimentos mais comuns e sinais de alerta. 

Os alimentos que mais causam alergias costumam ser leite, ovos, amendoim, soja e frutos do mar. Os sintomas podem incluir coceira na boca, inchaço, náuseas, vômitos e, em casos graves, dificuldade para respirar. 

  1. Alergia emocional existe? Como o estresse pode desencadear sintomas? 

Embora o estresse não cause alergia e o termo “alergia emocional” não exista na medicina, ele pode piorar sintomas e agravar crises alérgicas. O estresse intensifica a inflamação no corpo e pode piorar condições da pele como psoríase, dermatite atópica e algumas alergias, provocando coceira, vermelhidão e lesões. 

  1. Como saber que tipo de alergia você tem? Entenda os testes diagnósticos. 

Para compreender o tipo de alergia que você tem, é necessário que o médico especialista examine. Em alguns casos ele pode solicitar exames de sangue, testes de pele e provocação para identificar o alérgeno e orientar sobre o tratamento mais indicado. 

  1. Quando a alergia é grave? Sinais de alerta para reação anafilática. 

Ao sentir dificuldade para respirar, inchaço no rosto e garganta, queda de pressão, confusão mental ou desmaio, procure socorro médico o quanto antes. 

  1. Dicas práticas para prevenir crises alérgicas no dia a dia. 

Se possível, evite contato com poeira, mofo e pelos de animais. Mantenha os ambientes limpos a arejados, cuide da alimentação e siga as orientações do seu médico. 

Conclusão 

Conviver com alergias traz um grande incômodo para o dia a dia. Mas com informação, atenção aos sinais e acompanhamento com especialista, é possível levar uma vida com mais conforto e qualidade. 

Compartilhe esse conteúdo para que mais pessoas fiquem bem-informadas! 

Cuidar da saúde é sempre o melhor caminho. Até a próxima! 

Colesterol alto: entenda os riscos e o que fazer para manter seus níveis sob controle

O colesterol alto é um problema silencioso que afeta cerca de 40% da população brasileira de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ele não apresenta sintomas, mas pode levar a doenças graves como infarto, AVC e até demência. Entender o que é, como ele se manifesta e principalmente como preveni-lo pode ser a chave para uma vida mais longa e saudável.

Segundo o estudo Percepções de Pacientes que Vivem com Colesterol Elevado, realizado em países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, a maioria dos brasileiros só descobre que tem colesterol alto após apresentar sintomas de complicações graves, como infarto, tontura ou dor no peito.

Isso reforça um cenário preocupante: o diagnóstico costuma ser tardio, muitas vezes após eventos cardiovasculares já instalados. Portanto, o colesterol alto deve ser prevenido e monitorado de forma regular, mesmo na ausência de sintomas aparentes.

É nesse contexto que o dia 8 de agosto, Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, ganha ainda mais relevância. A data convida à reflexão sobre a saúde cardiovascular e mobiliza ações de conscientização em todo o País, lembrando que cuidar dos níveis de colesterol é um passo essencial para evitar complicações sérias que, muitas vezes, poderiam ser prevenidas.

Neste artigo, você vai descobrir:

O que é colesterol?

O colesterol, gordura natural produzida pelo fígado e obtida por meio da alimentação, é essencial para funções como produção de hormônios, vitamina D e digestão de gorduras. Mas, em excesso, pode causar sérios problemas.

Tipos de colesterol

Tipo de colesterol Função Nível ideal
HDL (bom) Remove gordura das artérias Acima de 60 mg/dL
LDL (ruim) Leva gordura ao sangue e pode obstruir artérias Abaixo de 100 mg/dL (ou 70 mg/dL para grupos de risco)
VLDL Relacionado a triglicerídeos Até 30 mg/dL
Total Soma dos anteriores Abaixo de 190 mg/dL

 

Leia também sobre Hipertensão – como prevenir e controlar essa doença invisível

O que provoca o colesterol alto?

O colesterol alto pode ter origem genética, mas também está diretamente relacionado aos hábitos de vida. Confira a seguir os principais fatores.

Causas mais comuns

  • Alimentação rica em gorduras saturadas e trans
  • Consumo excessivo de ultraprocessados
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Obesidade e acúmulo de gordura abdominal
  • Diabetes ou hipotireoidismo
  • Uso de certos medicamentos (como corticoides)

Sintomas de colesterol alto: o que sentimos?

Na maioria dos casos, o colesterol alto não provoca sintomas evidentes e só pode ser detectado por meio de exames laboratoriais. No entanto, em estágios mais avançados ou em pessoas com níveis muito elevados, alguns sinais clínicos podem surgir, como fadiga frequente, dores de cabeça, palpitações, pressão arterial elevada e sensação de inchaço abdominal.

Outros sintomas possíveis:

  • xantelasma: pequenas bolsas de gordura amareladas ao redor dos olhos;
  • xantomas: acúmulo de gordura sob a pele, principalmente em cotovelos e joelhos;
  • arco senil: anel esbranquiçado ao redor da íris, em pessoas jovens.

É importante lembrar que, além dos fatores clássicos que já citamos — como má alimentação, sedentarismo, obesidade e tabagismo —, existem também formas genéticas, que podem afetar inclusive crianças e adolescentes.

Nesses casos, uma alteração nos genes leva à produção excessiva de colesterol desde cedo, exigindo diagnóstico e intervenção precoce para evitar complicações futuras. Por isso, mesmo na ausência de sintomas aparentes, o monitoramento periódico dos níveis de colesterol é essencial para uma detecção eficaz.

Quando o colesterol é considerado alto?

A avaliação é feita por meio de um exame de sangue chamado perfil lipídico. Os níveis ideais variam de acordo com idade, sexo e presença de fatores de risco (como histórico familiar ou doenças associadas).

Valores de referência para adultos saudáveis:

Tipo Valor desejável
Colesterol total Abaixo de 190 mg/dL
LDL (ruim) Abaixo de 100 mg/dL
HDL (bom) Acima de 60 mg/dL
Triglicerídeos Abaixo de 150 mg/dL

Para pessoas com diabetes, histórico familiar ou doença cardiovascular, os níveis de LDL devem ser ainda mais baixos.

Confira, em vídeo no Canal da Omint, o que é hipertensão:

Como prevenir e baixar o colesterol alto

A boa notícia é que o colesterol alto pode ser controlado e prevenido com mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, com medicamentos.

Alimentação equilibrada

  • Alimentos que ajudam a reduzir o colesterol: aveia, azeite de oliva, frutas ricas em fibras (maçã, pera), legumes, abacate, nozes, chia e peixes como salmão e sardinha.
  • Evite: carnes processadas, frituras, embutidos, manteiga, queijos amarelos, biscoitos recheados.
Alimentos “bons” Alimentos “ruins”
Abacate, chia, nozes Bacon, salsicha, margarina
Peixes ricos em ômega-3 Frituras, fast-food
Azeite de oliva Produtos industrializados

Atividade física

  • Frequência ideal: 150 minutos semanais (30 minutos por dia, 5x por semana)
  • Tipos indicados: caminhada, corrida, natação, bicicleta, musculação

Leia sobre envelhecimento saudável aqui no blog.

Estilo de vida saudável

Medicação e suplementos

  • Indicados quando dieta e exercícios não são suficientes
  • Mais comuns: estatinas, ezetimiba, fibratos, ômega-3, fitosteróis

Práticas corporais alternativas: entenda como exercitar corpo e mente

Colesterol por faixa etária: quando rastrear?

O rastreamento do colesterol deve começar na infância, especialmente em crianças com fatores de risco como obesidade, diabetes, histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o exame de perfil lipídico é recomendado entre 9 e 12 anos, antes da puberdade, mesmo em crianças aparentemente saudáveis.

Para aquelas com maior risco, a avaliação pode começar ainda mais cedo, entre 2 e 8 anos. Isso porque alterações no colesterol, quando identificadas precocemente, permitem a intervenção eficaz com mudanças no estilo de vida e, se necessário, tratamento médico, reduzindo consideravelmente as chances de complicações futuras como aterosclerose, infarto ou AVC.

Faixa etária Colesterol total desejável
Crianças (2 a 8 anos, com fatores de risco) Abaixo de 170 mg/dL
Pré-adolescentes (9–12 anos) Abaixo de 170 mg/dL
Adultos até 30 anos Abaixo de 190 mg/dL
A partir dos 40 anos Atenção redobrada: iniciar rastreio anual

A prevenção, quando iniciada desde a infância, contribui para o perfil cardiovascular mais saudável ao longo da vida.

Perguntas frequentes (FAQ) sobre colesterol alto

O que provoca o colesterol alto?

Genética, má alimentação, sedentarismo, tabagismo, doenças como diabetes ou hipotireoidismo.

Qual é o colesterol mais perigoso?

O LDL (colesterol ruim), pois se deposita nas artérias e pode causar obstruções.

Como baixar o colesterol rapidamente?

Mudança alimentar, exercícios e, se necessário, medicamentos. Consulte um médico.

Quais frutas ajudam a baixar o colesterol?

Maçã, pera, ameixa, abacate, uva (especialmente com casca).

Quais os sintomas do colesterol alto?

Geralmente não há sintomas. Sinais visuais como xantomas ou xantelasma podem surgir, mas o diagnóstico só é feito por exame.

Quando o colesterol é considerado perigoso?

LDL acima de 130 mg/dL, colesterol total acima de 190 mg/dL em adultos saudáveis e qualquer alteração em pessoas com histórico de doenças cardiovasculares.

Qual especialista avalia o colesterol e dá orientações de tratamento?

O médico mais indicado para avaliar os níveis de colesterol e orientar o tratamento é o clínico geral ou o cardiologista. Em casos específicos, endocrinologistas também podem ser envolvidos, especialmente quando há associação com doenças metabólicas, como diabetes. Esses profissionais solicitam os exames necessários, interpretam os resultados e indicam mudanças no estilo de vida ou, se necessário, o uso de medicamentos.

Conclusão

O colesterol alto pode parecer inofensivo por não causar dor ou incômodo no início. Mas é justamente por ser silencioso que ele se torna perigoso. Ao adotar hábitos saudáveis e realizar exames periódicos, é possível manter seus níveis sob controle e reduzir o risco de complicações graves.

Converse com seu médico e cuide do seu coração. A prevenção começa com a informação.

5 benefícios da caminhada para a sua saúde física e mental

A caminhada é uma das atividades físicas mais simples e acessíveis para quem deseja cuidar da saúde física e mental. Sem a necessidade de equipamentos ou acessórios caros, basta calçar um par de tênis confortáveis, vestir uma roupa leve e somar um pouco de ânimo com disposição para dar o primeiro passo.

Porém, o que poucos imaginam é que os benefícios da caminhada vão muito além da perda de peso. Esse exercício tem um impacto profundo no corpo e na mente.

Neste artigo, você vai descobrir qual o benefício da caminhada para sua saúde e receber dicas práticas para incorporá-la na sua rotina. Continue a leitura e veja como apenas alguns minutos por dia podem transformar sua qualidade de vida!

Benefícios da caminhada para a saúde física e mental

Melhora da criatividade

O estudo “Give Your Ideas Some Legs: The Positive Effect of Walking on Creative Thinking”, da Universidade de Stanford, mostrou que caminhar aumenta a criatividade.

Durante o estudo, foram realizados quatro experimentos:

  • Experimento 1: participantes caminharam por 4 minutos em uma esteira enquanto completavam testes de criatividade.
  • Experimento 2: participantes caminharam por cerca de 4 minutos em uma esteira enquanto completavam o teste de criatividade. O estudo comparou três condições (sentado–sentado, sentado–caminhada e caminhada–sentado) e mostrou que a caminhada elevou a produção criativa mesmo com curta duração, com efeitos residuais observados após sentar.
  • Experimento 3: participantes caminharam ao ar livre por cerca de 4 minutos por sessão. Alguns fizeram duas sessões consecutivas com uma pequena pausa, totalizando aproximadamente 8 minutos, o que manteve os efeitos positivos na criatividade.
  • Experimento 4: participantes tiveram 5 minutos para gerar analogias criativas enquanto caminhavam, eram empurrados em cadeiras de rodas ou estavam sentados.

Como resultado, 81% dos participantes apresentaram melhor desempenho em tarefas criativas enquanto caminhavam, em comparação ao período sentados.

A melhora foi observada tanto em esteiras quanto em caminhadas ao ar livre e o efeito criativo se prolongou mesmo após os participantes voltarem a se sentar. Ou seja, a mente continuou produtiva e criativa.

O estudo ainda mostrou que, quem caminhou produziu 50% mais ideias em comparação aqueles que estavam sentados. E vale dizer que isso não se limitou apenas a quantidade.

Os pesquisadores observaram que, além de mais produtivos, os participantes em movimento apresentaram maior densidade de ideias verdadeiramente criativas — ou seja, ideias novas, relevantes e não repetitivas.

Isso indica que caminhar estimula o cérebro a gerar mais pensamentos e melhora a qualidade do que é produzido.

Melhora as noites de sono

Você tem dificuldades para dormir bem? Então a caminhada pode ser uma aliada no combate à insônia e na melhora da qualidade do sono.

O estudo “Walk to a Better Night of Sleep: Testing the Relationship Between Physical Activity and Sleep“, publicado na revista Sleep Health, mostrou que pessoas fisicamente ativas têm mais facilidade para dormir, menos episódios de insônia e melhor qualidade do sono.

A pesquisa também indica que fazer caminhada ajuda a regular o ritmo circadiano (o relógio biológico do corpo), facilitando a produção natural de melatonina, produzida naturalmente pelo corpo e conhecida como “o hormônio do sono”.

Alívio dos sintomas de depressão e ansiedade

Caminhar traz benefícios para além do sono e na melhoria da criatividade: é uma grande aliada para quem busca aliviar sintomas de estresse, depressão e ansiedade.

Entre os benefícios da caminhada para ansiedade, está o aumento na liberação de neurotransmissores como endorfina, dopamina e serotonina, que promovem sensação de bem-estar.

Além disso, o simples ato de se movimentar – seja ao ar livre, na academia ou até mesmo dentro de casa – e, especialmente, o contato com a luz solar podem ajudar a regular o humor e combater o isolamento. Esses fatores são fundamentais para manter o equilíbrio emocional.

Um estudo publicado no Journal of Psychiatric Research mostrou que adultos que caminham regularmente apresentam níveis mais baixos de sintomas de depressão e ansiedade.

A prática se mostra eficaz tanto para pessoas com diagnóstico quanto para aquelas sem histórico clínico, sugerindo seu potencial como estratégia preventiva e terapêutica.

Importante: caminhar não substitui tratamentos médicos ou acompanhamento com psicólogo, mas pode ser um excelente aliado complementar à saúde mental.

Redução do risco de doenças cardiovasculares

Uma das vantagens mais conhecidos da atividade, incluindo os benefícios da caminhada para idosos, é a proteção do coração. E não é à toa!

De acordo com a American Heart Association, caminhadas regulares de 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, reduzem significativamente o risco de doenças cardíacas. Isso acontece porque o hábito contribui para:

  • Prevenir a hipertensão.
  • Controlar os níveis de colesterol LDL (o “ruim”).
  • Aumentar o colesterol HDL (o “bom”).
  • Melhorar a circulação sanguínea.

Além disso, caminhar ajuda a controlar o açúcar no sangue, o que também reduz os riscos de desenvolver diabetes tipo 2, outro fator de risco para doenças cardíacas.

Regulação do apetite

Os benefícios da caminhada para o corpo são diversos e incluem a regulação do apetite. Isso ocorre porque, realizar caminhada moderada pode gerar déficit calórico temporário sem provocar aumento compensatório da fome.

Ou seja, mesmo gastando energia, muitas pessoas não sentem mais vontade de comer imediatamente depois da atividade. Esse efeito é conhecido como supressão do apetite induzida pelos exercícios físicos.

Além disso, há evidências de que o exercício regular pode modificar a forma como o corpo responde à ingestão de alimentos, aumentando a sensação de saciedade após as refeições. No entanto, essas respostas podem variar de pessoa para pessoa, pois consideram fatores como composição corporal, sexo e nível habitual de atividade física.

O estudo “Physical Exercise and Appetite Regulation: New Insights“, publicado pela revista científica Biomolecules, observou que após uma caminhada intensa, os níveis do hormônio grelina, responsável por regular o apetite e o metabolismo, tende a diminuir, enquanto os níveis de hormônios intestinais (PYY, GLP-1 e PP), que induzem a saciedade, aumentam.

Ainda, conforme consta, os hormônios como leptina e insulina, responsáveis por regular o estado nutricional do corpo, também respondem ao exercício.

Como incorporar a caminhada na rotina?

Agora que você sabe quais os benefícios da caminhada, precisa colocá-los em prática. E a boa notícia é que você não precisa mudar completamente sua rotina para isso. A seguir, confira dicas simples para começar a caminhar de forma consistente:

  1. Escolha um horário que funcione para você

Pode ser logo cedo, na hora do almoço ou no final do dia, compreender como funciona a sua rotina e o que melhor se adequa a ela é fundamental na hora de criar um hábito, como a caminhada.

  1. Comece com metas realistas

Sair caminhando por 1h como forma de compensar o tempo que você não se exercitou, não é a melhor alternativa para manter a constância da caminhada. Por isso, comece com 10 ou 15 minutos por dia e aumente o tempo e a intensidade gradativamente.

  1. Aproveite deslocamentos do dia a dia

Vai ao mercado ou precisa resolver algo perto de casa? Vá a pé. Sempre que possível, troque o carro ou o transporte público por alguns minutos de caminhada.

  1. Deixe a caminhada mais prazerosa

Ouça a sua playlist de músicas favorita, podcast ou faça a caminhada como um momento de auto conexão. Isso transforma o exercício em um tempo de qualidade com você mesmo.

  1. Convide alguém para caminhar com você

Caminhar em dupla ou grupo é ótimo para manter o hábito e ainda fortalece os laços. Pode ser um amigo, familiar ou até seu pet.

  1. Use apps ou relógios para se motivar

Aplicativos de saúde ou relógios inteligentes ajudam a monitorar os passos e manter o foco. Estabelecer metas diárias, como 6 a 10 mil passos, pode ser uma motivação a mais.

  1. O dia está corrido? Crie alternativas!

Nem sempre dá para sair de casa e está tudo bem! Por isso, tente caminhar dentro do prédio, no quintal, na garagem ou até no corredor de casa. O importante é manter o movimento.

Conclusão

Caminhar é simples, gratuito e oferece uma lista extensa de vantagens. Agora que você conhece os principais benefícios da caminhada, que tal incluir essa prática na sua rotina e colher todos esses resultados positivos? Compartilhe esse conteúdo!

 

Referências:

  1. AAALAB STANFORD. Give your ideas some legs: the positive effect of walking on creative thinking. 2014. Disponível em: https://aaalab.stanford.edu/assets/papers/2014/Give_your_ideas_some_legs.pdf.
  2. ALENIUS, K.; KANTOLA, I.; KAIPIAINEN, T. et al. Walk to a better night of sleep: testing the relationship between physical activity and sleep. Sleep Health, v. 6, n. 3, p. 248–255, 2020. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6801055/.
  3. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Why is walking the most popular form of exercise? Disponível em: https://www.heart.org/en/healthy-living/fitness/walking/why-is-walking-the-most-popular-form-of-exercise.
  4. MORAES, H. et al. Walking for mental health: a systematic review of how walking in different environments impacts mood and anxiety. Frontiers in Psychology, [S. l.], v. 14, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10452291/.

Câncer de cabeça e pescoço: entenda sintomas, causas, diagnóstico e prevenção

O câncer de cabeça e pescoço é o segundo tipo mais comum entre os homens no Brasil e tem apresentado crescimento também entre as mulheres. Embora afete principalmente pessoas acima dos 40 anos, estudos apontam que pacientes mais jovens têm sido diagnosticados com a doença já em estágio avançado.

Pesquisa inédita do Instituto Nacional de Câncer (INCA), publicada em uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, a The Lancet Regional Health Americas, e divulgada em janeiro de 2025, revelou um dado preocupante: 80% dos casos de câncer de cabeça e pescoço no País são diagnosticados em estágio avançado.

O estudo analisou mais de 145 mil casos registrados entre os anos de 2000 e 2017, e ajuda a reforçar a importância da campanha Julho Verde, que conscientiza sobre a importância do diagnóstico precoce. Aqui, no blog, também já abordamos 5 fatos sobre o câncer que você precisa saber.

Neste conteúdo, você vai entender o que é esse tipo de câncer, seus principais sintomas, como detectá-lo, quais são os fatores de risco e como se prevenir.

Antes de começar, apresentamos a definição de alguns termos para facilitar a compreensão ao longo do artigo:

Câncer de cabeça e pescoço: entenda sintomas, causas, diagnóstico e prevenção

O que é o câncer de cabeça e pescoço?

O câncer de cabeça e pescoço engloba os tumores malignos que se desenvolvem em estruturas como:

  • boca e cavidade oral (lábios, gengiva, língua, céu da boca, soalho bucal);
  • faringe (nasofaringe, orofaringe e hipofaringe);
  • laringe;
  • fossas nasais e seios paranasais;
  • glândulas salivares;
  • glândula tireoide.

Câncer de cabeça e pescoço: entenda sintomas, causas, diagnóstico e prevenção

É importante lembrar que os tumores cerebrais não fazem parte desse grupo e são tratados na área de neuro-oncologia.

Quais são os principais tipos de câncer de cabeça e pescoço?

Os mais comuns incluem:

  • carcinoma de cavidade oral;
  • câncer de laringe;
  • câncer de faringe (nasofaringe, orofaringe e hipofaringe);
  • câncer de tireoide;
  • câncer de seios paranasais e fossas nasais;
  • tumores das glândulas salivares (menos comuns, maioria benignos).

Esclareça as principais dúvidas sobre o câncer de boca neste vídeo do Hospital Israelita Albert Einstein:

Causas e fatores de risco do câncer de cabeça e pescoço

Boa parte dos casos está relacionada a fatores comportamentais. Segundo o INCA, 80% dos pacientes diagnosticados são ou foram fumantes. Os fatores incluem:

  • tabagismo: risco 15 vezes maior do que em não fumantes;
  • consumo excessivo de álcool: presente em cerca de 50% dos casos;
  • infecção pelo HPV: associada principalmente ao câncer de orofaringe;
  • má higiene bucal;
  • exposição prolongada ao sol (no caso de câncer nos lábios);
  • baixo nível socioeconômico e de escolaridade.

Sintomas e sinais de alerta: quando procurar um médico

Os sintomas de câncer de cabeça e pescoço podem ser silenciosos no início. Procure um profissional se notar:

  • ferida na boca que não cicatriza em até 15 dias;
  • rouquidão persistente;
  • dor de garganta que não melhora;
  • dificuldade para engolir ou respirar;
  • manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na boca;
  • nódulo no pescoço;
  • sangramento nasal frequente;
  • dor de ouvido;
  • tosse crônica ou dor na mandíbula.

Se algum desses sintomas persistir por mais de 3 semanas, é fundamental buscar atendimento médico ou odontológico.

Como é feito o diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço?

O diagnóstico pode envolver:

  1. exame clínico por especialista;
  2. exames de imagem (tomografia, ressonância);
  3. biópsia da lesão suspeita.

É essencial que pessoas com fatores de risco façam acompanhamentos regulares. A detecção precoce aumenta significativamente as chances de cura.

Estágios do câncer: como interpretar e o que significam

Os tumores são classificados em estágios de I a IV, de acordo com seu tamanho e disseminação:

estágio I e II: localizados, maior chance de cura;

estágio III e IV: mais avançados, podem comprometer estruturas vizinhas ou se espalhar.

Lembramos o dado alarmante do início deste texto: segundo estudo recente do INCA, cerca de 80% dos casos no Brasil são diagnosticados em estágio III ou IV, o que compromete a eficácia do tratamento.

Tratamentos disponíveis para câncer de cabeça e pescoço

O tratamento depende do tipo e do estágio do tumor, podendo incluir:

  • cirurgia;
  • radioterapia;
  • quimioterapia;
  • imunoterapia;
  • acompanhamento psicológico e reabilitação funcional (fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição etc.).

O câncer de cabeça e pescoço tem cura? Prognóstico e chances

Sim, câncer no pescoço tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Em estágios iniciais, as chances de cura superam 90%. Já em fases avançadas, o prognóstico é mais reservado e requer tratamento multidisciplinar.

Como prevenir o câncer de cabeça e pescoço

A prevenção do câncer de cabeça e pescoço envolve mudanças nos hábitos de vida e atenção contínua à saúde. Veja algumas recomendações:

  • não fumar;
  • evitar consumo excessivo de álcool;
  • usar preservativo;
  • vacinar-se contra o HPV;
  • manter boa higiene bucal;
  • ter alimentação equilibrada;
  • praticar atividade física;
  • realizar check-ups regulares;
  • evitar exposição ao sol sem proteção.

Veja, em vídeo, 4 mitos sobre o câncer com o oncologista credenciado Omint, Dr. Rafael Kaliks:

Dúvidas frequentes sobre câncer de cabeça e pescoço (FAQ)

Câncer de cabeça e pescoço é contagioso?

Não. O câncer em si não é contagioso. Mas o HPV, fator de risco, é transmissível.

HPV sempre causa câncer de garganta?

Não. Apenas alguns casos evoluem para câncer, mas a infecção aumenta o risco.

É possível prevenir totalmente esse tipo de câncer?

Nem sempre, mas mudanças de hábitos e vacinação reduzem bastante o risco.

Dentistas podem ajudar no diagnóstico?

Sim. Em muitos casos, o câncer de boca é percebido primeiro por dentistas.

Qual especialista procurar?

Otorrinolaringologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço ou oncologistas.

Conclusão

O câncer de cabeça e pescoço é uma realidade que precisa ser enfrentada com informação, atenção aos sinais do corpo e acesso a cuidados médicos de qualidade. Por isso, combater o tabagismo, reforçar a importância da vacinação contra o HPV e compartilhar esse texto são passos concretos para mudar esse cenário.

Ecoansiedade: o impacto da crise climática na saúde mental

Nos últimos anos, a crise climática deixou de ser um risco distante. Enchentes, secas severas e ondas de calor se tornaram parte da rotina em várias regiões do mundo. 

Esses eventos extremos afetam não só o ambiente, mas também o bem-estar emocional das pessoas. É nesse contexto que surge a ecoansiedade: tipo de sofrimento psicológico relacionado ao futuro do Planeta. 

Neste conteúdo, vamos explorar o que é a ecoansiedade, quais são seus sintomas, por que ela está crescendo e como lidar com os efeitos desse fenômeno na saúde mental. 

O que é ecoansiedade?

A ecoansiedade é o nome dado ao sofrimento psicológico causado pelas mudanças ambientais que vivemos hoje. 

Embora ainda não seja classificada como transtorno mental, ela é reconhecida por especialistas como uma reação legítima à crise climática. E está se tornando cada vez mais comum. 

A Associação Americana de Psicologia descreve a ecoansiedade como o “medo crônico de um cataclismo ambiental”. Essa sensação surge diante das incertezas sobre o futuro do Planeta e da própria vida. 

Com o aumento de eventos extremos, como enchentes, ondas de calor e queimadas, esse tipo de angústia vem ganhando destaque. E não afeta apenas quem sofre diretamente os impactos dos desastres. 

Pessoas que acompanham essas situações pelas notícias, redes sociais ou mesmo por relatos de amigos e familiares também podem ser afetadas. 

É o que já acontece em diversos países, inclusive no Brasil, onde crianças, adolescentes e populações mais vulneráveis estão entre os grupos que mais sentem essa pressão emocional.  

Segundo relatório da UNICEF, mais de 40 milhões de crianças e adolescentes no País estão expostos a múltiplos riscos climáticos e ambientais, número que representa quase 60% dessa faixa etária. 

Como a ecoansiedade surgiu e por que está crescendo?

O sentimento de angústia relacionado ao futuro do Planeta começou a ganhar força nos últimos anos, mas os impactos emocionais que ele descreve não são novos. Desde a década de 1990, estudiosos já discutiam esse assunto 

Em 2017, a American Psychological Association definiu o conceito como “medo crônico de catástrofes ambientais”. 

A crescente frequência de desastres naturais e o aumento do acesso à informação ajudaram a ampliar a percepção coletiva sobre os efeitos da emergência climática. Não é mais possível ignorar o problema, e isso tem cobrado um preço emocional alto. 

Hoje, a ecoansiedade está entre os temas que mais mobilizam psicólogos, educadores e lideranças ambientais no mundo.  

Pesquisas recentes apontam que, quanto maior o nível de consciência ecológica e acesso à informação, maior é a tendência a desenvolver sentimentos de angústia, frustração ou impotência diante da crise climática. 

Você sabe quais mudanças no meio ambiente afetam a saúde? Confira a seguir!

Sintomas e impactos da ecoansiedade na saúde mental

A ecoansiedade pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa, mas há um padrão comum de sintomas físicos, emocionais e comportamentais. 

Os mais comuns incluem: 

  • sensação constante de angústia ou tristeza; 
  • irritabilidade e mudanças de humor; 
  • dificuldade de concentração; 
  • crises de ansiedade ou pânico; 
  • sensação de impotência diante da crise climática.

Em casos mais graves, a ecoansiedade pode desencadear transtornos como ansiedade generalizada, depressão ou estresse pós-traumático, especialmente quando associada à vivência de desastres ambientais. 

Segundo a Associação Americana de Psicologia, entre 25% e 50% das pessoas expostas a eventos climáticos extremos desenvolvem algum tipo de problema de saúde mental. 

Além disso, estudos apontam que jovens e pessoas com maior consciência ambiental tendem a sentir culpa ou desesperança com mais intensidade, o que pode agravar o sofrimento psíquico. 

A saúde mental comunitária também é impactada. Comportamentos como retração social, aumento de agressividade e desconfiança entre grupos sociais têm sido registrados em regiões atingidas por secas, enchentes e queimadas. 

Por isso, entender a ecoansiedade como resposta real e legítima ao contexto ambiental é essencial para prevenir agravamentos e orientar ações de cuidado psicológico. 

Grupos mais afetados pela ecoansiedade

Crianças e adolescentes estão entre os mais impactados emocionalmente pelas mudanças climáticas. Ainda em fase de desenvolvimento, podem ter mais dificuldade para processar sentimentos como medo, insegurança e desesperança em relação ao futuro. 

Estudo internacional coordenado pela Universidade de Yale revelou que jovens brasileiros relataram sintomas como pânico, insônia e tristeza profunda ao falar sobre o estado do Planeta. 

Idosos também podem ser afetados, especialmente aqueles que enfrentam desastres ambientais ou têm a saúde já fragilizada.  

A sensação de impotência diante das transformações e a preocupação com o bem-estar das próximas gerações podem desencadear quadros de ansiedade ou depressão. 

Além da idade, fatores como histórico de saúde mental, grau de exposição a eventos climáticos e acesso limitado a serviços de saúde contribuem para maior vulnerabilidade.  

Entender quem mais sente os efeitos da ecoansiedade é fundamental para oferecer acolhimento adequado e evitar agravamentos. 

Diferença entre ecoansiedade e outras formas de ansiedade

Apesar de compartilhar sintomas com outros tipos de ansiedade, como preocupação excessiva, insônia e alterações de humor, a ecoansiedade tem origem específica: a crise ambiental. 

Enquanto a ansiedade tradicional muitas vezes está ligada a questões individuais, como trabalho, relacionamentos ou saúde, a ecoansiedade nasce da percepção coletiva de ameaça, ligada ao futuro do Planeta e à sobrevivência das próximas gerações. Ela também pode vir acompanhada de sentimentos de culpa ou frustração.  

Outro termo relacionado é a solastalgia, definida como a sensação de sofrimento causada por mudanças ambientais no local onde a pessoa vive. É uma espécie de desconforto emocional diante da degradação do território conhecido, como o bairro, a cidade ou a paisagem natural ao redor. 

Por isso, profissionais de saúde mental apontam que a abordagem terapêutica pode precisar ser diferente.  

Em vez de apenas aliviar os sintomas, o cuidado com a ecoansiedade passa também por criar espaços seguros para falar sobre o tema, acolher emoções legítimas e transformar o sofrimento em ação consciente e engajada. 

Como lidar com a ecoansiedade: estratégias e cuidados

Diante de um problema tão amplo quanto a crise climática, é comum sentir-se paralisado ou sobrecarregado. Mas existem formas saudáveis de acolher e lidar com a ecoansiedade no dia a dia. 

O primeiro passo é reconhecer esse sentimento como legítimo. Negar ou minimizar o sofrimento pode aumentar o impacto emocional. Falar sobre o tema com pessoas de confiança ou buscar apoio profissional também ajuda a elaborar as emoções de forma mais equilibrada. 

Além disso, algumas estratégias podem aliviar os sintomas. Confira! 

  • Participar de ações coletivas: envolver-se em iniciativas ambientais, como hortas urbanas, reciclagem ou mutirões de limpeza, pode transformar a angústia em ação positiva. 
  • Consumir informações com equilíbrio: manter-se informado é importante, mas o excesso de notícias negativas pode gerar sobrecarga. Vale a pena dosar o tempo de exposição e buscar fontes confiáveis. 
  • Cuidar do corpo e da mente: hábitos como boa alimentação, sono regular, atividade física e técnicas de respiração auxiliam no controle da ansiedade. 

Em casos mais intensos, a ajuda de profissionais de saúde mental é fundamental. Psicoterapia e grupos de apoio são caminhos possíveis para quem precisa de suporte mais estruturado. 

Por que reconhecer e enfrentar a ecoansiedade importa

A ecoansiedade é um reflexo legítimo do tempo em que vivemos. Não se trata de exagero ou sensibilidade em excesso, mas de uma resposta emocional diante de ameaças reais e cada vez mais presentes. 

Reconhecer esse sofrimento é o primeiro passo para lidar com ele de forma saudável. Isso vale tanto para quem vive situações extremas quanto para quem sente, de longe, o peso das mudanças no Planeta. 

É fundamental criar espaços de acolhimento, fortalecer vínculos comunitários e investir em ações que ajudem a transformar a angústia em participação. 

Falar sobre ecoansiedade também é uma forma de cuidar da saúde mental coletiva. Porque só conseguimos enfrentar os desafios do clima se estivermos emocionalmente preparados para agir juntos. 

Uso racional de medicamentos: o que é, por que importa e como colocá-lo em prática

É comum que, diante de sintomas como dor de cabeça, febre ou insônia, muitas pessoas recorram a medicamentos por conta própria, sem orientação médica. Afinal, na correria do dia a dia, buscar uma solução rápida parece a alternativa mais conveniente. O problema é que esse hábito, tão enraizado na cultura brasileira, pode trazer sérios riscos à saúde. 

O uso de medicamentos, quando feito sem acompanhamento ou de forma inadequada, pode resultar em efeitos adversos, intoxicações, agravamento de doenças e até resistência a tratamentos. Por isso, falar sobre o uso racional de medicamentos é uma pauta essencial de saúde pública. 

Neste conteúdo, vamos explicar o que é o uso racional de medicamentos, por que ele deve ser prioridade dentro e fora das instituições de saúde e quais os riscos da automedicação.

1. O que é o uso racional de medicamentos?

O uso racional de medicamentos é uma diretriz estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1985. Segundo a entidade, essa prática acontece quando “os pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade”. 

Ou seja: trata-se de garantir que cada paciente receba o medicamento certo, na dose certa, pelo tempo certo e apenas quando necessário. Isso vale tanto para a prescrição médica quanto para o comportamento do paciente no uso diário. 

A Política Nacional de Medicamentos reforça essa abordagem ao prever que o uso racional contribui para o cuidado integral em saúde e para a sustentabilidade do sistema público. Ela também reconhece que a orientação adequada ao paciente é parte essencial do processo terapêutico.

2. Por que o uso racional de medicamentos é tão importante?

Em um cenário onde o uso de medicamentos se tornou quase automático, refletir sobre o consumo consciente é urgente. 

Segundo a revista Ciência & Saúde Coletiva, cerca de 35% dos medicamentos adquiridos no Brasil são resultados de automedicação. O problema vai além da compra sem receita. A OMS estima que até 50% dos medicamentos no mundo são usados de forma inadequada, seja pela prescrição errada, pela interrupção precoce, seja por falhas no armazenamento. 

Esse comportamento afeta diretamente a saúde das pessoas e o sistema público. Segundo a Fiocruz, os medicamentos são responsáveis por 27% das intoxicações no País e 16% das mortes por esse motivo. 

Além disso, quando um medicamento é usado sem necessidade, ele pode mascarar sintomas, atrasar diagnósticos e agravar doenças. No caso dos antibióticos, o uso incorreto contribui para a resistência bacteriana, ameaça crescente que dificulta o tratamento de infecções comuns. 

Entenda o que acontece quando não seguimos a prescrição médica:

3. Consequências do uso incorreto de medicamentos

O uso irracional de medicamentos está associado a uma série de consequências graves. Entre as principais, destacam-se: 

  • reações alérgicas e adversas: o uso sem acompanhamento pode desencadear reações imprevistas, como náuseas, tontura, erupções cutâneas ou até quadros graves de anafilaxia; 
  • intoxicações: segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), analgésicos e anti-inflamatórios são os principais responsáveis por intoxicações medicamentosas no País; 
  • interações perigosas: a combinação de diferentes fármacos, ou mesmo com bebidas e alimentos, pode reduzir a eficácia ou potencializar efeitos colaterais; 
  • dependência e abuso: o uso sem controle de ansiolíticos, antidepressivos ou analgésicos pode levar à dependência química; 
  • resistência microbiana: quando usados sem necessidade ou interrompidos antes do tempo, os antibióticos favorecem o fortalecimento de bactérias resistentes, tornando tratamentos futuros menos eficazes. 

Essas consequências impactam diretamente o bem-estar individual e geram custos elevados ao sistema de saúde com internações e tratamentos prolongados.

4. O papel do farmacêutico na promoção do uso racional

O farmacêutico é uma peça-chave na promoção do uso racional de medicamentos. Além de distribuir os medicamentos conforme a orientação dos profissionais de saúde, ele também desempenha um papel educativo.

Uso racional de medicamentos: o que é, por que importa e como colocá-lo em prática

Segundo o Ministério da Saúde, o farmacêutico deve garantir que o paciente compreenda como usar o medicamento, conheça possíveis efeitos colaterais e saiba como armazená-lo corretamente. 

Além disso, o farmacêutico: 

  • identifica erros de prescrição; 
  • orienta sobre interações medicamentosas; 
  • esclarece dúvidas frequentes sobre o uso; 
  • incentiva o retorno ao médico quando necessário. 

Esse profissional também contribui para o combate à automedicação ao orientar o paciente no ponto de venda e ao recusar a venda de medicamentos controlados sem receita.

5. Boas práticas para o uso consciente de remédios no dia a dia

Adotar práticas conscientes no uso de medicamentos é uma forma de cuidado com a própria saúde e com a coletividade. Algumas orientações essenciais incluem: 

  • tomar medicamentos apenas com prescrição ou orientação profissional; 
  • respeitar horários, doses e duração do tratamento; 
  • evitar reutilizar medicamentos antigos ou de outras pessoas; 
  • não interromper o tratamento sem conversar com o profissional de saúde; 
  • armazenar corretamente, longe da umidade e da luz intensa; 
  • descartar medicamentos vencidos em pontos de coleta adequados — nunca no lixo comum ou no vaso sanitário. 

Essas atitudes simples fazem parte do que a OMS chama de utilização racional dos medicamentos e ajudam a reduzir riscos, evitar desperdícios e preservar a eficácia dos tratamentos.

6. O que dizem as políticas públicas sobre o tema?

O uso racional de medicamentos é reconhecido como diretriz fundamental das políticas públicas de saúde no Brasil. A Política Nacional de Medicamentos, de 1998, já estabelecia entre seus objetivos a promoção do uso racional de medicamentos em todos os níveis do SUS.

Em 2007, o Ministério da Saúde criou o Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM) para articular estratégias e ações entre governo, academia, profissionais de saúde e sociedade civil. 

Além disso, a Anvisa atua com campanhas de farmacovigilância, incentivando a notificação de efeitos adversos e a fiscalização do comércio irregular. 

Essas iniciativas buscam garantir que o acesso à medicação seja ampliado com qualidade e segurança, e não se transforme em mais um fator de risco à saúde da população.

7. Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos: qual o objetivo?

Comemorado em 5 de maio, o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos foi criado para conscientizar a população sobre os perigos da automedicação e os benefícios do uso responsável. 

A data é marcada por campanhas em farmácias, escolas e unidades de saúde, com foco na educação para o consumo consciente. É também a oportunidade de ampliar o diálogo entre profissionais da saúde e usuários, incentivando o autocuidado com responsabilidade. 

Segundo a Anvisa, o objetivo da data é lembrar que o medicamento certo, usado do jeito errado, pode fazer mal.

8. Como conscientizar a população sobre o tema?

Promover o uso racional exige estratégia de comunicação ampla, acessível e contínua. Isso passa por: 

  • campanhas educativas em larga escala, com linguagem simples e visual; 
  • capacitação dos profissionais de saúde para promover orientações mais efetivas; 
  • inserção do tema nas escolas para formar uma nova geração mais consciente; 
  • apoio das mídias tradicionais e digitais; 
  • parcerias com farmácias e drogarias, que são pontos de contato direto com a população. 

A educação em saúde é a principal ferramenta para transformar o comportamento da população e combater práticas de risco, como o uso excessivo ou desnecessário de medicamentos.

9. Dúvidas frequentes sobre o uso racional de medicamentos

É seguro tomar o mesmo medicamento que outra pessoa usou para sintomas semelhantes?
Não. Cada organismo responde de forma diferente. O que é seguro para um pode ser prejudicial para outro.
 

Posso parar de tomar o remédio quando os sintomas melhorarem?
Apenas se o profissional responsável autorizar. Em muitos casos, como antibióticos, o tratamento precisa ser seguido até o fim para ser eficaz.
 

Qual é o risco de guardar e reutilizar medicamentos antigos?
O medicamento pode estar vencido ou inadequado para o quadro atual, além de haver risco de interação medicamentosa.

10. Como você pode contribuir para o uso racional de medicamentos

Promover o uso racional de medicamentos é um compromisso coletivo. Começa com pequenas atitudes no cotidiano e se estende à atuação dos profissionais de saúde, instituições e políticas públicas. 

Você pode contribuir: 

  1. evitando a automedicação; 
  2. buscando sempre orientação profissional; 
  3. compartilhando informações confiáveis com outras pessoas; 
  4. participando de campanhas de conscientização. 

Um medicamento pode salvar vidas, mas, quando mal utilizado, também pode colocar a saúde em risco. Por isso, o uso racional é mais do que uma escolha: é uma responsabilidade. 

Hipertensão: como prevenir e controlar essa doença invisível

A hipertensão é conhecida como uma doença silenciosa, muitas vezes presente por anos sem apresentar sintomas evidentes, enquanto afeta lentamente órgãos vitais como o coração, o cérebro e os rins. Por ser difícil de perceber, ela se torna um risco significativo para a saúde da população.

No Brasil, o cenário da hipertensão é ainda mais crítico do que em muitas outras nações, conforme aponta o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os efeitos globais da doença, lançado durante sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Enquanto, na média global, 33% dos adultos entre 30 e 79 anos são afetados pela doença, no Brasil, estima-se que o índice alcance 45%, ou seja, 50,7 milhões de pessoas. Desse total, 62% possuem o diagnóstico, mas apenas 33% estão com a pressão controlada.

Continue lendo para entender melhor o que é a hipertensão, suas causas, sintomas, tratamentos disponíveis e como prevenir essa condição que afeta milhões de brasileiros.

O que é hipertensão?

A hipertensão, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição crônica caracterizada por níveis elevados da pressão arterial, acima dos padrões considerados normais.

De acordo com as novas diretrizes europeias, a pressão arterial superior a 140/90 mmHg já configura hipertensão. Até há pouco tempo, o senso comum dizia que a pressão 12 por 8 era “normal” e os médicos classificavam como “ótima”. No entanto, agora essa medição passa a ser considerada alta.

A pressão arterial é composta por duas medições. São elas:

  1. pressão arterial sistólica: é a pressão exercida pelo sangue nas artérias quando o coração se contrai (bate), bombeando sangue para o corpo. Representa o valor mais alto na medição da pressão arterial;
  2. pressão arterial diastólica: é a pressão exercida pelo sangue nas artérias quando o coração está relaxado entre as batidas, ou seja, na fase de repouso cardíaco. Corresponde ao valor mais baixo na medição da pressão arterial.

Com esses conceitos em mente, é fundamental considerar as novas diretrizes para a classificação da pressão arterial (PA):

  • pressão arterial não elevada: abaixo de 120 por 70 milímetros de mercúrio (mmHg) — o popular “12 por 7”;
  • pressão arterial elevada: entre 120 por 70 mmHg e 139 por 89 mmHg (de 12 por 7 a “quase” 14 por 9);
  • hipertensão arterial: maior que 140 por 90 mmHg (acima de 14 por 9).

Quais são as causas da hipertensão?

As causas da hipertensão são múltiplas e frequentemente envolvem a combinação de fatores genéticos, estilo de vida, dieta rica em sódio, sedentarismo, obesidade, tabagismo, alto consumo de álcool e estresse crônico.

O componente genético indica que é maior a probabilidade de desenvolvimento precoce da doença. Essa predisposição genética é associada a variações específicas (polimorfismos) em genes que participam do controle da pressão arterial, resultando em diferentes níveis de suscetibilidade entre indivíduos.

No entanto, apesar da relevância dessa herança, especialistas afirmam que são os comportamentos e hábitos de vida que têm maior influência no desenvolvimento da hipertensão.

Ou seja, a genética funciona como  fator predisponente, aumentando a suscetibilidade à hipertensão, mas são os hábitos e comportamentos cotidianos, como sedentarismo, dieta inadequada, sobrepeso e tabagismo, que de fato determinam o surgimento da doença. Por isso, a melhor estratégia preventiva continua sendo adotar um estilo de vida saudável.

 

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Principais sintomas da hipertensão

Muitas vezes silenciosa, a hipertensão pode passar despercebida. Entretanto, alguns sintomas podem surgir como:

  • dor de cabeça forte e constante;
  • tontura e/ou náusea;
  • visão turva;
  • zumbido no ouvido;
  • palpitações cardíacas.

Nem sempre presentes, outros sintomas são:

  • sangramento pelo nariz;
  • dificuldade para respirar;
  • cansaço excessivo;
  • visão embaçada;
  • dor no peito;
  • perda da consciência;
  • ansiedade excessiva.

Portanto, esses são os principais sintomas que as pessoas devem observar e indicam a necessidade de procurar um médico para avaliação.

Fatores de risco para hipertensão

Entre os principais fatores de risco, estão histórico familiar de hipertensão, obesidade, estilo de vida sedentário, tabagismo, consumo excessivo de álcool e dietas ricas em sal e pobres em potássio.

Além desses fatores, de acordo com o portal do Ministério da Saúde, o número de casos aumenta com a idade, sendo mais comum entre homens com até 50 anos, mulheres acima de 50 anos e pessoas com diabetes. O sobrepeso e a obesidade podem antecipar o aparecimento da doença em até 10 anos.

Como é feito o diagnóstico da hipertensão?

O diagnóstico da hipertensão deve ser feito em mais de uma consulta médica, realizada por um cardiologista ou clínico geral, que avaliará o histórico clínico do paciente.

Podem ser necessárias de 2 a 3 visitas com intervalos de 1 a 4 semanas. O Ministério da Saúde destaca que diagnósticos feitos em uma única consulta só são válidos se a pressão arterial (PA) do paciente estiver igual ou superior a 180/110 mmHg e houver evidência de doença cardiovascular.

Além da medição em consultório, práticas como Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e Medição Residencial da Pressão Arterial (MRPA) são recomendadas para a avaliação mais precisa.

Muitas vezes, pacientes que estão em fase de diagnóstico passam por fenômenos como “hipertensão do jaleco branco” ou a hipertensão mascarada.

A “hipertensão do jaleco branco” acontece quando a pressão arterial aumenta significativamente durante a consulta médica devido à ansiedade ou ao nervosismo na presença do profissional de saúde, mas se mantém normal fora desse ambiente.

Já a hipertensão mascarada acontece quando a pressão arterial está normal durante a consulta, mas fica elevada em outros momentos do dia. Por isso, o diagnóstico geralmente é associado a exames que mostram um panorama mais geral de aferições, em diferentes momentos da rotina.

Tratamento da hipertensão

O tratamento envolve duas grandes abordagens: mudanças no estilo de vida e medicamentos, dependendo do estágio e do risco associado à doença. É importante lembrar que a hipertensão não possui cura definitiva, mas pode ser controlada com tratamento adequado, permitindo uma vida saudável e normal.

Medicamentos: medicamentos anti-hipertensivos geralmente contêm diuréticos, bloqueadores dos canais de cálcio, inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA), entre outros.

Mudanças no estilo de vida: incluem redução de sal, dieta rica em potássio, exercícios físicos regulares, manutenção do peso ideal, evitar consumo excessivo de álcool e abandono do tabagismo.

Estudo brasileiro recente, publicado na revista Scientific Reports e conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), concluiu que o treinamento de força (musculação), realizado dois ou três dias por semana com carga moderada a alta, é eficaz na redução da pressão arterial.

A pesquisa envolveu a análise detalhada dos efeitos desse tipo de exercício em 253 participantes, mostrando que benefícios significativos surgem a partir da 20ª sessão, com efeitos hipotensivos podendo durar até 14 semanas após o término dos exercícios.

Os pesquisadores ressaltam que o treinamento de força promove importantes adaptações cardiovasculares, como aumento da vasodilatação, maior fluxo sanguíneo, redução da frequência cardíaca em repouso e melhor eficiência cardíaca.

Tais adaptações são resultado, principalmente, do aumento da produção de óxido nítrico durante a atividade física. Com isso, a musculação pode ser uma estratégia valiosa no tratamento não farmacológico da hipertensão arterial, devendo sempre ser adaptada individualmente conforme as condições e os objetivos pessoais.

 

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Como prevenir a hipertensão?

Prevenir a hipertensão envolve adotar hábitos saudáveis desde cedo, incluindo dieta equilibrada, redução de sal e açúcares refinados, prática regular de exercícios físicos e controle efetivo do peso corporal. 

Uma doença diferente da hipertensão que exige cuidados igualmente atentos na prevenção e no acompanhamento é a hipertensão gestacional. De acordo com o Ministério da Saúde, essa doença é diagnosticada a partir da 20ª semana da gravidez, apresentando níveis elevados da pressão arterial e, normalmente, sendo resolvida após o nascimento do bebê.

A hipertensão gestacional acontece devido às alterações que a placenta provoca no organismo da gestante. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia aponta que o quadro de pré-eclâmpsia ou doença hipertensiva específica gestacional são situações que devem ser controladas de perto pelo ginecologista com orientação nutricional, medicamentos e exames contínuos.

Embora na maioria dos casos não traga consequências graves, há risco de progressão para quadros clínicos mais sérios. A prevenção é semelhante aos já citados, com alimentação saudável, exercícios físicos e evitar alimentos ultraprocessados. Além disso, para as gestantes é indicado reduzir o consumo de café.

Complicações da hipertensão não tratada

A ausência de tratamento adequado pode levar a complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, insuficiência renal e até mesmo perda da visão.

Ela também é frequentemente associada a outras doenças crônicas e eventos, como morte súbita, acidente vascular encefálico, insuficiência cardíaca e doença arterial periférica.

Mitos e verdades sobre a hipertensão

Confira algumas afirmações incorretas sobre a hipertensão e o fato sobre elas.

Mito: Quem não sente sintomas não tem hipertensão.

Verdade: A hipertensão frequentemente não gera sintomas visíveis.

 

Mito: Hipertensão só afeta idosos.

Verdade: Pessoas jovens também podem desenvolver hipertensão.

 

Mito: Remédios para pressão alta podem ser interrompidos após normalização da pressão.

Verdade: O tratamento geralmente precisa ser contínuo.

 

Mito: Apenas pessoas acima do peso têm hipertensão.

Verdade: Pessoas com peso normal também podem ser hipertensas.

 

Mito: Se a pressão arterial estiver um pouco alta, não há problema.

Verdade: Pequenos aumentos na pressão arterial já representam risco significativo.

Confira também em vídeo os perigos da hipertensão:

Conclusão

A hipertensão é uma condição séria, mas amplamente controlável por meio de mudanças no estilo de vida e da adesão ao tratamento médico adequado. É fundamental realizar exames periódicos e adotar uma rotina saudável para prevenir complicações futuras.

Portanto, a mensagem que fica é para que todos estejam atentos a essa doença, mantenham um estilo de vida saudável e, ao perceberem os sintomas, busquem ajuda médica.