Os métodos contraceptivos são recursos que previnem a gravidez não planejada e ampliam a autonomia sobre a vida reprodutiva. Existem vários tipos disponíveis e a escolha entre eles envolve informação, autoconhecimento e, sobretudo, orientação médica.
Além de evitar a gestação, alguns deles contribuem para o bem-estar geral: aliviam cólicas, regulam o ciclo menstrual, reduzem o fluxo e, em opções específicas, previnem infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Neste conteúdo você vai entender o que são os métodos contraceptivos, conhecer as cinco categorias disponíveis, comparar a eficácia de cada um e ver o que considerar em condições como endometriose, hipotireoidismo, HPV e candidíase. Boa leitura!
O que são métodos contraceptivos?
Métodos contraceptivos são técnicas, medicamentos ou dispositivos que evitam a gravidez ao impedir a fecundação (encontro entre espermatozoide e óvulo) ou a fixação do embrião no útero. Também chamados de anticoncepcionais, eles têm papel central no planejamento reprodutivo.
Mais do que prevenir uma gravidez não planejada, o uso de anticoncepcionais está associado ao cuidado com a saúde sexual e reprodutiva e à prevenção de complicações decorrentes de gestações não desejadas.
Apesar da importância, no Brasil ainda existem lacunas de conhecimento a serem superadas. De acordo com um levantamento da consultoria Ipsos, divulgado pela CNN Brasil, 25% das brasileiras não usam métodos contraceptivos. A pesquisa indica que 67% das entrevistadas não sabem que o DIU hormonal é disponibilizado por planos de saúde e 89% afirmaram não saber diferenciar a versão de cobre da versão hormonal do DIU.
Na prática, os métodos contraceptivos funcionam como uma barreira de proteção que ajuda a controlar a fertilidade e contribui para uma vida sexual mais segura e consciente, sendo que alguns deles também protegem contra infecções sexualmente transmissíveis, as chamadas ISTs.
Cada método age de uma forma no organismo, e eles são organizados em cinco categorias:
- Métodos contraceptivos hormonais: pílula, injeção, adesivo, anel, implante e DIU hormonal;
- Métodos contraceptivos de barreira: preservativo masculino, preservativo feminino e diafragma;
- Métodos contraceptivos não hormonais: DIU de cobre, métodos de barreira e os cirúrgicos;
- Métodos contraceptivos comportamentais (ou naturais): tabelinha, temperatura basal e muco cervical;
- Métodos contraceptivos cirúrgicos: laqueadura tubária e vasectomia.
A escolha do mais ideal envolve, entre outras coisas, o histórico de saúde, idade, estilo de vida, frequência das relações e desejo de ter filhos no futuro.
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Métodos contraceptivos hormonais
Métodos contraceptivos hormonais usam hormônios sintéticos semelhantes ao estrogênio e à progesterona para inibir a ovulação ou alterar o ambiente do útero e do colo, dificultando a fecundação.
Abaixo, indicamos as seis opções principais: pílula, injeção, adesivo, anel vaginal, implante e DIU hormonal.
Pílula anticoncepcional
Um dos métodos contraceptivos mais conhecidos e utilizados é a pílula anticoncepcional, que impede a ovulação. Em comprimido oral, ela combina estrogênio e progesterona sintéticos e deve ser tomada diariamente, geralmente por 21 dias, com pausa de 7 dias.
- Eficácia: cerca de 99% com uso correto;
- Vantagens: regula o ciclo menstrual e reduz cólicas;
- Desvantagens: pode causar náuseas, alterações de humor e retenção de líquidos; exige uso diário e disciplinado.
Injeção anticoncepcional
A injeção anticoncepcional libera hormônios que impedem a ovulação. É prática para quem prefere não lidar com o comprimido diário, com aplicação mensal ou trimestral.
- Eficácia: 99,4% a 99,9% (mensal) e cerca de 99,7% (trimestral);
- Vantagens: prático e discreto;
- Desvantagens: alterações no ciclo, retenção de líquidos e retorno mais lento da fertilidade após a suspensão.
Adesivo anticoncepcional
O adesivo anticoncepcional funciona pelo método transdérmico, ou seja, o adesivo aplicado sobre a pele libera hormônios de forma contínua, com troca a cada 1 a 3 semanas conforme orientação médica.
- Eficácia: cerca de 99,7% com uso correto; pode cair para aproximadamente 91% com uso inconsistente;
- Vantagens: não depende do trato digestivo;
- Desvantagens: menor eficácia em pessoas com sobrepeso; pode irritar a pele.
Anel vaginal
O anel vaginal é flexível e feito de silicone, liberando hormônios localmente para impedir a ovulação. Uso de 21 dias, com pausa de 7 dias.
- Eficácia: superior a 98%;
- Vantagens: confortável e de troca mensal;
- Desvantagens: leve desconforto no início; não protege contra ISTs.
Implante contraceptivo
O implante contraceptivo corresponde a um bastão subdérmico inserido sob a pele do braço, que libera hormônio continuamente por até 3 anos.
- Eficácia: 99,9%;
- Vantagens: longa duração e manutenção mínima;
- Desvantagens: exige inserção e remoção por profissional; pode causar irregularidade menstrual.
DIU hormonal (Mirena e Kyleena)
O DIU hormonal é um dispositivo intrauterino que libera doses baixas de hormônio dentro do útero.
- Eficácia: acima de 99%;
- Vantagens: dura de 5 a 7 anos e pode reduzir o fluxo menstrual;
- Desvantagens: sangramentos irregulares no início e a inserção deve ser feita por profissional.
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Métodos contraceptivos de barreira
Os métodos contraceptivos de barreira impedem fisicamente o espermatozoide de alcançar o óvulo. São os únicos que também reduzem a transmissão de ISTs, no caso dos preservativos.
Preservativo masculino
Também chamado de camisinha, o preservativo masculino é o método contraceptivo mais acessível e um dos poucos que protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
- Eficácia: 98% com uso correto.
Preservativo feminino
Feito de material flexível, o preservativo feminino é inserido na vagina antes da relação e também protege contra ISTs.
- Eficácia: 98% com uso correto.
Diafragma
O diafragma é uma pequena cúpula de silicone posicionada na vagina antes da relação, cobrindo o colo do útero. Deve ser usado com gel espermicida.
- Eficácia: cerca de 94% quando bem posicionado;
- Observação: não protege contra ISTs.
Métodos contraceptivos não hormonais
Métodos contraceptivos não hormonais evitam a gravidez sem interferir no sistema hormonal. São indicados para quem tem contraindicação ao uso de hormônios ou prefere não utilizá-los.
Diu de cobre
O Diu de cobre é um dispositivo intrauterino sem liberação de hormônios. O cobre libera substâncias que dificultam a movimentação dos espermatozoides e impedem a fecundação.
- Eficácia: superior a 99%;
- Duração: até 10 anos;
- Observação: pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas nos primeiros meses;
Os métodos contraceptivos não hormonais disponíveis são DIU de cobre, preservativo masculino, preservativo feminino, diafragma, laqueadura tubária, vasectomia e os métodos comportamentais.
Métodos contraceptivos comportamentais (naturais)
Métodos contraceptivos comportamentais, também chamados de naturais, baseiam-se na observação de sinais do corpo (ciclo menstrual, temperatura basal e muco cervical) para identificar o período fértil e evitar relações nesse intervalo.
Principais métodos comportamentais
- Tabelinha (calendário): estimativa do período fértil a partir da duração dos ciclos anteriores;
- Temperatura basal: medição diária da temperatura para identificar a ovulação;
- Muco cervical: observação das alterações da secreção vaginal;
- Sintotérmico: combinação dos métodos acima;
- Coito interrompido: retirada do pênis antes da ejaculação.
A eficácia é variável e depende de disciplina, ciclos regulares e acompanhamento profissional. Por isso, os métodos contraceptivos comportamentais costumam ser indicados apenas a quem aceita um risco maior de gravidez. O uso de métodos comportamentais não substitui o preservativo para prevenção de ISTs.
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Métodos contraceptivos cirúrgicos
Métodos contraceptivos cirúrgicos são definitivos e considerados irreversíveis. São indicados apenas a quem tem certeza de não desejar mais filhos.
Laqueadura tubária
A laqueadura tubária é uma cirurgia feminina que bloqueia as tubas uterinas, impedindo o encontro entre óvulo e espermatozoide.
- Eficácia: próxima de 100%
Vasectomia
A vasectomia é um procedimento masculino, simples e rápido, que impede a passagem dos espermatozoides.
- Eficácia: próxima de 100%
No Brasil, as regras de acesso à esterilização voluntária pelo SUS e por planos de saúde são definidas pela Lei nº 9.263/1996, alterada pela Lei nº 14.443/2022.
Qual anticonceptivo é mais eficaz?
Os métodos contraceptivos mais eficazes na prevenção de gravidez são os de longa duração e baixa intervenção do usuário: implante subdérmico, DIU hormonal e DIU de cobre, com eficácia acima de 99%. Eles lideram porque eliminam o risco de erro humano no uso diário.
No entanto, vale aqui distinguir dois conceitos:
- Eficácia em uso perfeito: quando o método é usado exatamente como orientado;
- Eficácia em uso típico: no dia a dia real, considerando esquecimentos e falhas de uso.
É nessa diferença que os métodos de longa duração se destacam. A pílula, por exemplo, tem eficácia próxima de 99% em uso perfeito, mas cai de forma significativa em uso típico. Já o implante e os DIUs mantêm praticamente a mesma taxa nas duas situações.
Tabela comparativa: eficácia dos métodos contraceptivos

Como escolher o melhor método para mim?
A escolha depende de avaliação individualizada com profissional. É importante considerar cinco fatores para a escolha:
- Histórico de saúde: trombose, hipertensão, tabagismo, endometriose, tireoide;
- Idade e fase da vida: adolescência, pós-parto, amamentação, perimenopausa;
- Rotina e adesão: capacidade de manter um uso diário sem esquecimentos
- Planejamento reprodutivo: desejo de engravidar em curto, médio ou longo prazo;
- Tolerância a efeitos colaterais: sangramento, humor, libido, peso.
Durante a consulta, o médico avalia o perfil hormonal, possíveis contra indicações e preferências pessoais, orientando sobre as opções mais seguras para cada fase da vida.
Porém, é importante ressaltar: mesmo com métodos de longa duração ou hormonais, o preservativo continua fundamental para prevenir ISTs.
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Contracepção e mitos: o que é verdade?
Anticoncepcional engorda?
Não. A relação entre anticoncepcionais e ganho de peso não é direta. Alguns métodos hormonais podem causar retenção de líquidos ou alterações no apetite, mas os efeitos variam muito entre as pessoas. Converse com o ginecologista se notar mudanças significativas.
DIU causa infertilidade?
Não. O DIU, de cobre ou hormonal, não interfere na fertilidade após a remoção. A ovulação volta ao normal em pouco tempo. Complicações são raras e associadas a fatores individuais, por isso a inserção deve ser feita por profissional habilitado.
Camisinha tem tamanho?
Sim. Preservativos têm variações de tamanho e espessura, que influenciam conforto e eficácia. Usar o tamanho adequado reduz o risco de rompimento.
Cuide da sua saúde reprodutiva com informação confiável
A contracepção é parte central do cuidado com a saúde reprodutiva. Mais do que escolher um método, trata-se de decidir com base em orientação médica e informação de qualidade.
Agende uma consulta com um especialista e descubra qual dos métodos contraceptivos é o ideal para você, considerando seu momento de vida, planos futuros e bem-estar geral.
Confira no vídeo abaixo a relação entre sexo e a saúde do corpo e da mente, com a Dra. Mariana Schmidt, credenciada Omint:
FAQ – Perguntas frequentes sobre métodos contraceptivos
Qual método contraceptivo é 100% eficaz?
Nenhum. Os de longa duração, como DIU e implante, chegam a taxas próximas de 99,9% com uso correto.
Qual é o método contraceptivo mais utilizado pelas brasileiras?
O método contraceptivo mais utilizado pelas brasileiras é a pílula oral, segundo um levantamento do Instituto Ipsos, encomendado pela farmacêutica Organon.